As memórias de um chefe de milícias, por Bernardo Mello Franco

Adriano da Nóbrega foi guarda-costa de bicheiros, comandou a milícia de Rio das Pedras e era próximo do clã Bolsonaro – e ele sabia que valia muito

Flávio Bolsonaro condecorou o capitão Adriano Nóbrega (esq.) com a Medalha Tiradentes, e seu pai já defendeu o ex-policial na Câmara dos Deputados.

Jornal GGN – A relação mantida pela família Bolsonaro e o miliciano Adriano da Nóbrega, morto no último domingo (09/02) em operação policial no interior da Bahia, durou pelo menos 17 anos, em meio a homenagens e até mesmo o emprego de parentes em gabinete.

Como explica o jornalista Bernardo Mello Franco em sua coluna no jornal O Globo, a primeira homenagem ao ex-policial foi feita pelo primogênito, Flávio Bolsonaro, que propôs uma menção de louvor ao “ilustre tenente”, que desenvolvia “sua função com dedicação, brilhantismo e galhardia”.

O então deputado estadual premiou o PM com a Medalha Tiradentes – a condecoração mais importante do Rio de Janeiro – em julho de 2005. Adriano recebeu a medalha na prisão, enquanto estava preso por assassinato.

Pouco tempo depois, foi a vez de Jair Bolsonaro defender o miliciano. Na Câmara dos Deputados, o então deputado subiu à tribuna para dizer que Adriano era um “brilhante oficial” que não merecia estar em cana.

“Considerado um exímio atirador, o ex-caveira encarnou como poucos a banda podre da polícia do Rio. Enquanto ainda vestia a farda, vendeu proteção à cúpula do bicho e integrou o grupo de extermínio conhecido como Escritório do Crime”, diz o jornalista, ressaltando que ele passou a comandar a milícia de Rio das Pedras nos últimos anos. “As memórias do chefe de milícias valiam muito. E ele sabia”. Após a operação policial que matou Nóbrega, tanto Flávio como Jair Bolsonaro silenciaram a respeito do assunto.

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