As pesquisas de opinião correspondem à realidade?

No momento que sai uma pesquisa em que o governo Bolsonaro empata o número daqueles que acham o governo ruim e péssimo com aqueles que acham bom e ótimo, devemos analisar corretamente o que significam estes dados.

Jornalistas de qualquer matiz utilizam estes dados sem o mínimo sentido crítico, pois há sempre um viés em qualquer pesquisa que geralmente não mostram a realidade com toda a sua intensidade, mas é interessante tentar avaliar o que é real ou é aquilo que os entrevistadores ouviram.

A pesquisa CNI-IBOPE é contratada pela Confederação Nacional da Indústria, órgão que apoia claramente a reforma da previdência e executada pelo IBOPE que tem lá suas vinculações com a Rede Globo, porém nenhuma das duas instituições sobre a ameaça de sua credibilidade poderá publicar dados com interesse político que ULTRAPASSE o grau de erro da própria pesquisa, ou seja, se por acaso houvesse um desejo de manipulação dos resultados numa pesquisa que trabalha sobre o universo dos entrevistados com um erra de 2% a 3%, no máximo o que estas instituições fariam seria deslocar em relação a média 2% a 3% dos resultados, que se fossem comparados com outra pesquisa de outro instituto não seriam refutados.

Como o interesse não é manter Bolsonaro no poder, mas sim garantir que este estando no poder se vote a reforma da previdência, provavelmente esta pequena variação em relação a média pode ter sido feita, e poderemos só ver com mais credibilidade o nível de aprovação do atual governo após o esgotamento parlamentar da votação da reforma da previdência.

Supondo que os resultados são justos e seguem a média das opiniões pesquisadas, ter-se-ia de verificar o grau de sinceridade dos entrevistado, algumas vezes participei numa pesquisa na rua em que me perguntaram sobre algum produto se eu gostava ou não, para me ver livre do entrevistador dei uma resposta qualquer que não era minha opinião, provavelmente porque nem conhecia o produto.

Pesquisas sobre produtos as respostas aleatórias sem nenhum viés de qualquer maneira, são corrigidos pela quantidade de entrevistas e pela média, só alterando o desvio padrão das respostas (quando as perguntas tiverem mais de duas respostas possíveis, por exemplo, 5 ou mais opções com graduações em seu conteúdo).

No caso de pesquisas políticas complicam mais um pouco, o viés das respostas causado por fatores externos influenciam, por exemplo, se alguém vem de uma família pró A ou pró B, ele terá tendência de manifestar a opinião conforme o núcleo familiar (salvo se for um adolescente revoltado, que no caso da pesquisa não entra no universo dos entrevistados), também poderíamos citar outras influências, porém o maior viés não está detalhado, é o viés de uma média que se encontra em movimento.

Segundo a metodologia da pesquisa ela é tomada em um intervalo de tempo de 4 a 5 dias corridos, e sobre este se faz a média, se há uma forte aceleração na mudança de opinião dos entrevistados, esta média ficaria extremamente comprometida, por exemplo, a queda de popularidade de Bolsonaro passando de valores positivos para negativos em dois meses desde a última pesquisa do CNI-IBOPE a classificação de ruim e péssimo, para uma pesquisa feita a quase duas semanas sobe mais de 5%, sendo que nesta pesquisa realizada não captam a influência da Vaza a Jato na população em geral que deve ter acelerado a queda de popularidade de Bolsonaro.

Em épocas eleitorais, os órgãos de pesquisa restringem a tomada de opiniões a um ou dois dias, pois sabem que há mudanças rápidas no comportamento e com a velocidade com que sucedem os eventos começa a haver mudanças bruscas.

Agora se houve manipulação grosseira das pesquisas está na ruptura da opinião sobre a parcialidade do Moro, que não foi acompanhada por aqueles que acham que Lula deverá ser solto, se vê claramente no Data Folha, o mesmo que contou os manipassantes como integrantes de apoia ao PSDB paulista, logo não podemos levar muito a sério este instituto.

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