Sequestro relâmpago? Até quando a Uber vai ficar em silêncio?, por Matê da Luz

    Enviado por Matê da Luz

    Por Carolina Anselmo, no Facebook

    21 de Dezembro de 2017

    Aê manas, postando pra avisar que é real oficial essas paradas que tá acontecendo com o Uber.

    Hoje pedi um carro, tava na Av. Paulista, esperando ele chegar, quando chegou outro carro e perguntou “Carolina?”

    Era obviamente outro carro, outra placa, mas achei muito estranho ele falar meu nome. Aí comecei a entrar e perguntei “Ricardo?” (burra, ainda falei o nome do motorista).
    Ele confirmou rapidão que sim, e já adiantou “o carro tá cadastrado errado, fica tranquila”.

    Eu tava meio atrapalhada, confusa, mas fui entrando. Aí por (muita) sorte, vi o carro certo parando atrás.

    Bateu o pânico e parei de entrar no carro (já tava aquela perna e mochila pra dentro, enfim). Acho que ele sacou minha cara de pavor e que o carro certo provavelmente teria chegado, e começou a andar, porta aberta e tudo.

    Consegui sair de boa, mas ele conseguiu fugir rápido e virar na primeira rua já.
    Não anotei placa.

    Falei com o motorista certo, ele perguntou se eu tava bem, o que tinha acontecido. Conversamos e enfim. Várias dúvidas.

    Indagações:
    – o uber permite o mesmo usuário se logar em celulares diferentes?
    – como tá a segurança dos dados aí? na mesma semana parecem que tá rolando exatamente o mesmo caso a rodo.

    Enfim, textão mala.
    Mas é isso. Fiquem expértas(os).
    Não entrem, perguntem mil vezes, desconfiem.
    SEJAM NOIADAS.

     

     

    Por Tita Couto, no Facebook
    19 de Dezembro de 2017
     

    a gente nunca acha que vai ser com a gente até que é.

    ontem pedi um uber. beleza. fiquei esperando e no aplicativo dizia que ainda demoraria 4 minutos pro motorista chegar. até que um carro preto parou na minha frente e disse: “Catarina?” 
    eu disse: “Dorival?” – que era o nome dado pelo aplicativo.
    o moço demorou pra confirmar com a cabeça tempo suficiente pra eu, desconfiada do jeito que sou, checar a foto do aplicativo, a placa e o modelo do carro. nada batia. e meu tico e teco batendo na minha cabeça dizendo “vaza que é cilada.”
    aí eu disse: putz cara, acho que não sou sua passageira, nada bate com o aplicativo.
    e ele respondeu: é sim, eu me cadastrei errado, coloquei a placa da minha mulher.
    aí eu insisti dizendo que não era eu e não entrei no carro. 
    ele tentou me convencer por uns instantes dando tempo pro outro Dorival chegar de verdade, batendo placa, modelo de carro e o rosto do motorista.
    entrei e contei o ocorrido pro então Dorival e ele disse que isso vem sendo frequente nesse final de ano pra sequestros relâmpagos e que só essa semana aconteceu essa tentativa com três passageiras que ele buscou e que ele acha que é esse o maior alvo (pra variar): mulheres jovens desatentas.

    odeio fazer essas publicações expondo o quanto o mundo tá terrível, mas senão fosse pela minha desconfiança potencializada por ler esse tipo de coisa, sabe-se lá o que teria acontecido.

    mulheres, todo cuidado ainda é pouco.

    edit: amigas, ainda não sei como ele sabia meu nome, a conclusão que eu e Dorival tiramos é que eles estão hackeando de alguma forma x. ou seja, não se atrelem ao fato de eles saberem seu nome, rs. foquem no que vocês tem em mãos e se prendam nisso!

    *********

    Foram dois casos relatados em uma semana. São diversas as histórias e outros contextos que demonstram o descuido e certo descaso da empresa. Quando a Uber vai se pronunciar?

    Tá demorando, e eu acho que é porque efetivamente não sentiram queda alguma nas transações. aos meus olhos, a gente ainda fica espantado com a questão do assédio, sequestro etc (com toda razão, obviamente) e acaba se responsabilizando individualmente pelo “estar atento” (à placa, ao motorista…), deixando de lado a efetiva responsabilidade da empresa em relação ao sigilo dos dados, que seja, uma vez que não acha que precisa se responsabilizar/posicionar sobre a segurança dos usuários – especialmente das usuárias. É bizarro, perigoso e irresponsável, mas ainda acho que não passamos de ativistas de sofá neste e em tantos outros casos. Quero ver quando (e se) a empresa sentir no bolso o que estamos postando por aqui e acolá. 

    A Uber quase nunca se pronuncia nos inúmeros casos de assédio, abuso, nunca vi nenhuma ação efetiva que comunique uma maior análise dos motoristas, ações de segurança, nada. tudo fica à cargo do passageiro/cliente, ao que me parece porque a empresa já fez o grande milagre de ofertar transporte barato para nós, os pobres mortais.

    Por aqui, a orientação é andar em grupo sempre que possível, preferir transporte público ao particular e, quando a necessidade aparecer, usar os aplicativos especiais para mulheres, migrando a demanda para estes grupos. Desta forma, quem sabem estimulemos maior oferta de motoristas e menor tempo de espera, principais reclamações dos usuários deste novo serviço que, espero eu, não tarde em vingar. 

     

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