Barroso evita comentar inquérito que pode pegar Carluxo e diz que Judiciário não acabará com fake news

"Quem imaginar que pode se combater fake news com decisão judicial está alimentando uma ilusão", disparou o ministro

Jornal GGN – O ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, disse em entrevista ao site Jota, nesta segunda (27), que prefere não fazer comentários a respeito do chamado inquérito das fake news, que apura ataques contra as instituições da República. Na semana passada, ventilou-se que Jair Bolsonaro decidiu mexer no comando da Polícia Federal porque o filho 02, Carlos Bolsonaro, teria sido apontado como o mentor dos crimes de ódio e de atos golpistas praticados na internet.

“Sobre o inquérito eu não gostaria de falar”, disse Barroso, quando questionado se a investigação conseguiria encontrar os responsáveis pelas fake news. O inquérito é de relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Barroso, que será o próximo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, emendou que sobre as fake news políticas, é “ilusão” imaginar que o Poder Judiciário será capaz de acabar com o problema.

“Quem imaginar que pode se combater fake news com decisão judicial está alimentando uma ilusão”, disparou.

Segundo ele, a simples caracterização do que é fake news “é muito difícil” para o Judiciário. Além disso, há um timing próprio do sistema de Justiça que seria um obstáculo natural à resolução de casos eleitorais envolvendo o uso de notícias falsas. “Terceiro, muitas dessas fakenews são postadas do exterior.”

“Não se deve ter ilusão que Judiciário será protagonista no combate ao fake news. O que o Judiciário pode fazer, é uma grande campanha de informação”, comentou Barroso.

Para ele, a “grande arma contra as fake news vai ser o uso das próprias plataformas tecnológicas. É preciso reconhecer que elas mudaram de atitude. Antigamente, elas não aceitavam nenhum tipo de interferência e se eximiam completamente [de responsabilidade sobre o] tipo de conteúdo que circulava nessas plataformas. Acho que se deram conta, em boa hora, de que tiveram perda na imagem, passaram a ser vistas como entidades que prejudicavam a democracia, e agora elas mudaram de atitude”, avaliou, lembrando que o WhatsApp restringiu encaminhamento de mensagens, por exemplo.

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