Bolsonaro cogitou nomear Bretas, juiz que prendeu Temer, para o Supremo

Quem conversou por duas horas com o juiz da Lava Jato no Rio foi Flávio Bolsonaro, que hoje está rodeado de suspeitas por causa do caso Queiroz. Bretas, por sua vez, é responsável pela prisão de Temer - que respingou no governo

Jornal GGN – Marcelo Bretas, juiz que decretou a prisão de Michel Temer, Moreira Franco e outros nomes ligados ao MDB, é hoje um dos responsáveis pela crise que respingou no governo Bolsonaro. Mas, em novembro do ano passado, após a vitória eleitoral de Bolsonaro, o tom era clima “amistoso” entre o magistrado e a família presidencial.

Naquele mês, Flávio Bolsonaro pediu para visitar Bretas em seu gabinete para agradecer oficialmente o apoio que manifestou a Jair Bolsonaro nas redes sociais, durante e após a eleição.

Segundo O Globo, “interlocutores próximos a Jair Bolsonaro confirmaram que o presidente eleito pensa em indicar Bretas para um tribunal superior.”

A ideia era sugerir Bretas ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou para uma das duas vagas que serão abertas no Supremo Tribunal Federal (STF) nos próximos anos.

Bretas, à época, admitiu que estava ciente dos rumores, mas negou convite oficial. Ele disse que na visita “Flávio se colocou à disposição para eventuais sugestões de alterações legislativas”. “Temos um bom relacionamento. Não foi nada de mais (o encontro). Confirmo que foi uma visita de cortesia. Temos vários pontos em comum, como o combate à corrupção.”

No mês seguinte, Flávio passou a ser manchete de jornal por causa do caso Queiroz. As suspeitas sobre esquema de corrupção no gabinete do ex-deputado estadual do Rio também revelou elos com grupos paramilitares.

De lá para cá, Bolsonaro ficou no olho do furacão desde a posse. Além do noticiário policial contra o filho, o próprio presidente surpreende negativamente a cada semana com sua agenda de trabalho e as polêmicas que posta nas redes sociais.

Leia também:  Lava Jato: Só jogando para a plateia, por Rogério Maestri

Em paralelo aos descompassos do governo, o braço da Lava Jato em Curitiba entrou na mira do Supremo Tribunal Federal por conta do fundo bilionário que poderá ser construído para proveito político da força-tarefa, a partir de um acordo entre a Petrobras e o governo dos Estados Unidos.

É neste contexto turbulento que Bretas autoriza a deflagração da Operação Descontaminação, que levou Temer e Moreira Franco – sogro de Rodrigo Maia – à prisão.

A notícia levantou a hipótese de que a operação tenha sido, igualmente, uma resposta do grupo ligado a Sergio Moro ao presidente da Câmara, que deu prioridade à tramitação da reforma da Previdência e deixou o pacote anticrime de Moro de lado.

Resta saber se o governo Bolsonaro ainda nutre as mesmas intenções a respeito de Bretas e Moro.

A notícia da ONG da Lava Jato, com R$ 2,5 bilhões que podem ajudar a alavancar a candidatura de Moro a presidente em 2022, deixou um grupo ligado a Bolsonaro ressabiado.

E a leitura é que o Bolsonaro, além de precisar tomar cuidado com a agenda política da Lava Jato, começa a pagar o preço por ter levado Moro para dentro do governo.

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1 comentário

  1. A tentativa de impeachment de Gilmar Mendes faz parte do projeto bolsonarista de dominar o Supremo.
    Penso que hoje, Gilmar Mendes, é imprescindível para o restabelecimento do Estado Democrático de Direito. Ele é o único magistrado do STF que tem coragem de revelar, de forma clara e sem sutilezas, os crimes cometidos pelo bando da República de Curitiba que é aliada de Bolsonaro.

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