Bolsonaro confirma intervenção na Ancine: ou adota “filtro”, ou será extinta

Classe artística defende que Agência Nacional de Cinema seja levada para o Ministério da Economia, já que sua função é gerar emprego na indústria cultural. Mas Bolsonaro está mais preocupado com questões morais e ideológicas

Foto: Alan Santos/PR

Jornal GGN – Depois de atacar o filme Bruna Surfistinha, Jair Bolsonaro anunciou oficialmente nesta sexta (19) uma intervenção na Ancine, a Agência Nacional de Cinema. O órgão federal será transferido para Brasília e ganhará “filtros” que agradem o presidente do ponto de vista moral e ideológico. Caso contrário, será extinta ou privatizada, porque Bolsonaro não quer dinheiro público financiando “pornografia”.

“A cultura vem para Brasília e vai ter um filtro sim, já que é um órgão federal. Se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine. Privatizaremos ou extinguiremos. Não pode dinheiro público ser usado para fins pornográfico”, disparou Bolsonaro.

Segundo informações da Agência Brasil, ele ainda não sabe onde alojar a Ancine, mas pretende conversar com o Ministério da Cidadania, de Osmar Terra, sobre o tema.

No UOL, Tony Goes escreveu um artigo expondo a ignorância de Bolsonaro tanto em relação à Ancine, quanto em relação ao filme Bruna Surfistinha, um dos recordistas em bilheteria no Brasil, e que está mais para um drama do que para “pornografia”, como insinuou o presidente.

Para Goes, Bolsonaro ataca a Ancine porque quer “acenar a seus eleitores mais conservadores e religiosos”, mas ao fazer isso, prova que não sabe para que serve a Ancine.

“A Agência Nacional do Cinema foi criada em 2001, no vácuo da extinta Embrafilme. Não é, como Bolsonaro parece crer, uma empresa estatal destinada a produzir filmes que enalteçam os valores pátrios. É uma entidade voltada a fomentar um braço da economia: a indústria cinematográfica brasileira.”

“Inúmeras atividades econômicas recebem incentivos estatais, na indústria e na agricultura. O objetivo é criar empregos, fortalecer a produção nacional frente à concorrência estrangeira e até aumentar a arrecadação de impostos.”

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Goes destacou no texto que “produzir cultura não é simples em nenhum país do mundo, mesmo nos mais avançados. É por isto que existem agências fomentadoras de atividades culturais na França, na Itália, na Alemanha e até mesmo nos Estados Unidos, a meca do presidente.”

O autor ainda frisou a “possibilidade” de Bolsonaro levar a Ancine para a Casa Civil, “provavelmente para se intrometer no processo de seleção dos projetos”. Com a declaração do presidente nesta sexta, sobre a criação subjetiva de “filtros”, ficou claro que a possibilidade virou realidade. Assim, Bolsonaro pratica o “ativismo de que tanto acusa com quem não comunga”.

“Muito mais acertada seria a transferência da Ancine e do Fundo Setorial para o ministério da Economia, como defende a classe cinematográfica e como já estava previsto na medida provisória que criou a agência”, defendeu Goes.

“Porque o negócio do audiovisual é coisa séria. Milhões de famílias brasileiras dependem dele. Filmes e programas de TV geram renda, trabalho e até o famoso “soft power” –o poder de influenciar corações e mentes, não-bélico, de que desfruta um país culturalmente forte.”

Leia o artigo completo de Tony Goes aqui.

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6 comentários

  1. Que ninguém interprete isso aí apenas como a obra de arte do fundamentalismo…
    porque de repente a intenção principal seja a de interromper ou mandar recolher todos os trabalhos que trazem a memória da violência ditatorial no Brasil

    igualzinho como aconteceu no nazismo

  2. Primeiro o STF removeu a soberania popular da arena política ao endossar o golpe contra Dilma Rousseff . Depois permitiu ao usurpador Michel Temer revogar os direitos sociais dos brasileiros e entregar nosso petróleo aos gringos. Agora legitimará a censura de Jair Bolsonaro.
    Trabalho escravo, tortura, devastação da natureza, extermínio de índios e sem terras, assassinatos políticos, exílios forçados e a pilhagem do público e do privado pelos tiranos e seus esbirros são previsíveis. Não reagiremos com violência? Somos todos covardes?

  3. Não quero nem perder tempo para escrever mais um grande comentário.
    Mas este sujeito cabecinha do bolsonaro não sabe como é importante a liberdade de expressar a arte e cultura que independente do assunto nos traz a reflexão, o pensar, o aprender, e evoluir.
    É preciso contar uma história!
    O filme da bruna é mais útil que muita comédia e terror.
    Me surpreende um puxa saco dos EUA, não saber a importância da diversidade que o cinema nos proponhe e nos traz reflexão, nos ensina. Americanos são tão evoluídos no cinema poque fazem de tudo!
    O babaca deveria saber que o filtro…é a própria classificação de idade !

  4. Ancine no Ministério da Economia é o mesmo que universidade para produzir exclusivamente “empreendedores” e/ou operários-padrão.

    Se o foco principal for o dinheiro o resultado será… dinheiro, mesmo, e não cultura, educação, e na mesma linha, medicina, direito (Dallagnol e turma que o digam), saberes, enfim. “Se resultar em cultura ou educação, melhor. mas o foco é o dinheiro, mesmo.”

    Viramos macacas de auditório, brigando entre nós para catar o aviãozinho de dinheiro que o apresentador joga… Coisa de “americano”. Que baixaria selvagem nos assola nesses tempos, não?

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