Bolsonaro, de macho-man à síndrome do coitadinho

Enquanto isto, a pandemia se alastra, e o general que comanda o Ministério da Saúde continua seguindo ordens cegamente, sem mapear o Covid, sem estimular o isolamento. E a recuperação da economia vai se tornando cada vez mais distante.

Ontem, Jair Bolsonaro retomou o ritual de conversar com seus fanáticos, um grupo pequeno amontoada na porta, com algumas senhoras gritando “lindo”.

Na conversa, declarou que seu governo alcançou o que o PT jamais conseguira anteriormente: a aprovação do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica). Obviamente não ocorreu a ninguém questioná-lo, lembrar que o Fundeb foi criado no governo do PT, que na sua gestão o ex-Ministro Abraham Weintraub jamais se preocupou com o tema e, agora, o Ministro da Economia Paulo Guedes tentou desviar recursos para outros fins. Até o momento em que percebeu que perderia a votação, sua bancada votava contra e, na votação final, respondeu por todos os votos contrários à sua aprovação.

A anomia do governo é tamanha que o general Luiz Ramos seguiu a máxima da Primeira Guerra: se tiver que fugir da raia, afaste-se de costas para passar a impressão de que continua de frente. Deixou o barco da negação do Fundeb tão rapidamente que sua bancada não foi avisada a tempo.

Ninguém perguntou, mas Bolsonaro se antecipou. Disse que não estava filiado a nenhum partido, logo não poderiam dizer que os votos contrários fossem de seu partido. E jogou a pobre deputada Bia  Kicis ao mar.

A bazófia da “gripezinha” foi substituída por cuidados estritos com a saúde, médicos que tiram sua pressão duas vezes por dia, ministram hdroxicocloroquina, medem sua pressão. Se teve ou não coronavirus, vai-se saber. Quem mente sobre algo público – a criação do Fundeb – não mentiria sobre fato restrito (os resultados dos seus exames)? A imagem do justiceiro, do macho-man está sendo substituída pela do homem perseguido, uma transmutação destinada a inspirar pena.

Enquanto isto, a pandemia se alastra, e o general que comanda o Ministério da Saúde continua seguindo ordens cegamente, sem mapear o Covid, sem estimular o isolamento. E a recuperação da economia vai se tornando cada vez mais distante.

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6 comentários

  1. Prezado Nassif

    Não é uma pobre deputada, é uma cobra que mente, espalha mentiras, difama e denigre seus adversários; além de votar sempre contra os interesses dos brasileiros e do Brasil. Se não estivéssemos prostrados pela pandemia (ou assustados com o esgoto que aflorou junto com Bozo), esta sujeita estaria respondendo por seus crimes na frente de um tribunal

  2. Está mais para pobre coitado do que para coitadinho. Envolvido em mentiras, camuflagem de informações, briga com números e índices, gabinetes de fake news, vive a agonia de o que está segurando a queda de sua popularidade, é justamente ter se apoiado, mesmo sem ter criado, em medidas da esquerda. Quanto mais tiver de se manter, mais vai precisar se alinhar com o centrão e ser na prática um “esquerdista”. Vai ser o fim, para o bolsonarista raiz, ter de engolir isto.

  3. Poizé seu Zé…
    Macho ou tadinho, precisamos ter em conta que, além do aparelhamento hierárquico-ideológico de fiel obediência, o tempo está passando e a destruição (escancarada e ininterrompida) não para e não há nada ruim que não possa piorar…Exs?:
    1) Fux assume o STF.
    2) Haverá eleição para a presidência da Câmara e do Senado.
    3) As FFAA e as polícias militares $endo cooptada$ $em parar.
    4) As eleições municipais são enorme incógnita no mapa municipal de mais de 5.500 “pedaços de gestão direta do braZil”.
    5) As eleições da “America First” vem aí. Trump parece que não vai levar…como quando foi eleito.
    6) Teremos uma recessão mundial que dará margens a todo tipo de oportunidades…das melhores às piores.
    7) Todas as reformas feitas ou por fazer são contra a “massa”.
    Alguém aí acha que é pessimismo? Querem continuar a contagem?

  4. Que pena sinto da Bia Kicis. No lugar dela, renunciaria por me sentir tão otário, mas tão sem escrúpulos… Ela já tem preocupações demais, como a lei das fake news.

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