Bolsonaro mudou chefia do Iphan para atender filho e Luciano Hang

Presidente reclamou que órgão travava andamento de obras; semanas depois, presidente do Iphan foi substituída por amiga da família

Kátia Bogéa,, ex-presidente do Iphan. Foto: Reprodução/Flickr

Jornal GGN – A reunião ministerial de 22 de abril não só mostrou a tentativa do presidente Jair Bolsonaro em intervir na Polícia Federal para proteger amigos e família, como mostrou ação semelhante no Iphan, órgão responsável pela manutenção do patrimônio público.

Como mostra a coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, a ex-presidente do Iphan, Kátia Bogéa, diz ter sido demitida do cargo após reclamações de Flávio Bolsonaro e do empresário Luciano Hang.

Em entrevista, Kátia afirma que sua demissão ocorreu depois de uma obra do empresário da Havan parar no Sul, uma vez que a empresa contratada por Hang reportou ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) um achado arqueológico.

“Ele criou esse escarcéu porque nem a mais simples das obrigações eles querem fazer. Estávamos ali para cumprir a Constituição. O que queriam é que não observássemos a lei”, disse. Após a queixa de Hang, foram registradas mudanças em diversos cargos, dando lugar a pessoas sem formação necessária.

Ela também reportou uma reunião realizada pelo senador Flávio Bolsonaro com construtores de Salvador, que criticaram uma portadora baixada pelo Iphan no final de novembro, que limitou e criou regras para novas construções no bairro da Barra.

A nova presidente do Iphan é Larissa Peixoto, que ocupava a direção do Departamento de Desenvolvimento Produtivo da Secretaria Nacional de Integração Interinstitucional, subordinada ao Turismo – e que já foi alvo de críticas por nomes do setor de preservação de patrimônio brasileiro pela sua falta de experiência na área.

Larissa é amiga da família Bolsonaro: em 2013, ela se casou com Gerson Dutra Júnior, agente da Polícia Federal que trabalhou na segurança de Bolsonaro em 2018. Desde então, Dutra é próximo de Leonardo de Jesus, o Leo Índio, primo dos filhos do presidente.

Leia também:  Duas frentes contra Bolsonaro, por Ricardo Cappelli

 

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2 comentários

  1. É isso aí, o “mito” veio para mudar tudo: sai a capacidade técnica e o estudo, entra o camaradismo.
    Sempre considerei o Brasil maior do que qualquer crise, mas Bozo e seus cúmplices são piores que as 10 pragas bíblicas juntas. Sobrará alguma coisa do Brasil até o final do ano?

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