Campeã na bola e no marketing

                                                                   Por Sergio da Motta e Albuquerque

A Alemanha fez uma meticulosa preparação para adaptar seu time a condições adversas e ganhar a Copa. Além de vencerem com todos os méritos, a equipe germânica mostrou que não se renova o futebol apenas com mudanças táticas e investimento na produção local de craques nacionais. Uma boa dose de marketing estratégico também ajudou na conquista da Copa.

A seleção alemã agregou elementos de marketing pessoal que alavancou um time que nunca morou no coração dos brasileiros (a não ser quando jogávamos contra a Argentina). Tudo começou com a adaptação ao clima tropical.  A rádio 95 FM Dourados (14/7) fez uma relação de medidas adotadas que funcionaram muito bem para ajustar a seleção alemã a um país onde o caráter fechado teutônico contrasta com a improvisação brasileira e a hospitalidade natural da população local.

No Rio de Janeiro, entre a população das favelas e a população mais humilde, a palavra “alemão” é sinônimo de inimigo. Algo tinha que ser feito para mudar a imagem do time teutônico.  E ela foi mudada com eficiência germânica. Graças a uma boa injeção de marketing pessoal estratégico.

A emissora  destacou que eles fizeram a adaptação aos trópicos através da escolha ardilosa do local  de  seu centro de treinamento: o Sul da Bahia,  berço do Brasil, que ainda conta com grande população indígena em seu território.  Os alemães tiraram fotos com  pataxós  e doaram 10 mil euros (R$ 35.154,00) à população local. Enturmaram-se com os nativos, tiraram fotos alegres e festivas, e cooptaram o povo da região. Antes das semifinais, muitos moradores locais afirmaram que iram torcer pela Alemanha em uma possível final como Brasil.

Os germânicos vieram com tudo: cantaram o hino do Bahia com entusiasmo, posaram para fotos com torcedores  e aplicaram um golpe de mestre ao esconder o dourado original de seu uniforme: o vermelho e o negro foram escolhidos porque são as cores da Flamengo, time com a maior torcida do Brasil e com vasta tradição de conquistas no “Maraca”. Deu certo.

Os alemães exibiram uma simpatia pouco usual em povos germânicos: sorriso de orelha a orelha o tempo todo, muita conversa e interação com a população da região, muita farra e comemoração. A população local foi inocente. Ignorou o apoio que deu  ao adversário que iria nos impor a mais vexatória derrota da história do nosso futebol. E ao fazê-lo reabilitaram a seleção de 1950, injustamente execrada desde aquela Copa . Mais um ponto para a Alemanha. E para o Brasil também. Justiça foi feita aos bravos de 1950, 64 anos depois da infeliz derrota.

Eles também respeitaram o passado de glória das nossas cores, desbotadas depois da surra aplicada por eles.  A atitude piedosa e compreensiva dos germânicos pode ter agradado a muitos. Mas outros se sentiram mais humilhados ainda, ao serem consolados por seus algozes. Que Impuseram ao Brasil sua mais horrenda derrota, e depois posaram de misericordiosos vencedores. Doeu na alma.

Finalmente, seu futebol foi irresistível. Depois do jogo duro contra a Argélia, o time mudou e voltou à atitude aguerrida de sempre.  Ganharam a Copa do Brasil com todos os méritos. O futebol mudou e não foi só na tática e na renovação dos jogadores e dos técnicos: o marketing alemão também foi campeão aqui no Brasil.

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