Caso Marielle: Moro muda de opinião e se opõe a federalizar investigações

Até então, ministro da Justiça defendia que investigação sobre morte da vereadora do Rio e seu motorista fosse transferida para Polícia Federal

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Jornal GGN – A transferência para o âmbito federal das investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes não era desejo da família da ex-parlamentar, mas, até então, era defendida pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro. Contudo, em seu festival de contradições, Moro defende agora “prestigiar o entendimento dos familiares de Marielle” sobre a federalização do caso. 

As informações são de um documento sigiloso obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo. Nele, a pasta comandada por Moro subsidia o parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), que se manifestou contra retirar a apuração das mãos das autoridades do Rio.

Em 14 de março de 2018, Marielle e seu motorista Anderson foram assassinados a tiros no centro do Rio de Janeiro. Dois anos depois, o caso ainda não foi solucionado. Em setembro de 2019, a então procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu a federalização das investigações. Segundo a magistrada deixar o inquérito com a Polícia Civil do Rio podia gerar “desvios e simulações”. 

Até então, a federalização do caso era defendida por Moro. Mas, em entrevista nesta  segunda-feira, 20 janeiro, ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Moro disse que as críticas de familiares de Marielle a uma possível transferência das investigações o fizeram mudar de posição.

“(Os familiares) Levantaram, de uma forma não muito justa, que a ideia de federalizar era para que o governo federal, de alguma forma, obstruísse as investigações, o que era falso. Foi o próprio governo federal, com a investigação na Polícia Federal, que possibilitou que a investigação tomasse o rumo correto”, disse Moro.

Durante entrevista, o ministro também foi questionado se Bolsonaro concordou com sua mudança de opinião, Moro disse ter “comentado” com o mandatário, mas não entrou em detalhes.

A decisão sobre a federalização das investigações do caso é do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que ainda não decidiu se aceita o pedido.

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