Caso Marielle: tuíte que reforça história de porteiro que citou Bolsonaro não bate com horários de sessão na Câmara

Ainda resta hipótese de que Bolsonaro poderia ter atendido remotamente chamadas do condomínio para liberar entrada de suspeito no crime, mesmo estando em Brasília

Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

Jornal GGN – Um tuíte solitário, escrito por Thais Bilenky, então repórter da Folha de S.Paulo, no dia 14 de março de 2018, reforçou a tese que liga o presidente Jair Bolsonaro aos dois suspeitos de executarem a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e o motorista Anderson Gomes, mas registros da Câmara dos Deputados ainda apontam que Bolsonaro estaria em Brasília no momento dos crimes.

A mensagem, redescoberta nesta quarta-feira (13), tomou conta das redes sociais. Horas antes do dia em que Marielle e Anderson foram assassinados, publicou a jornalista em seu perfil da rede social: “Bolsonaro teve uma intoxicação alimentar, passou mal e, nos últimos dois dias, precisou reduzir bem o ritmo da agenda. Até voltou mais cedo (hoje) pro Rio. Disse a sua assessoria.” A mensagem foi escrita às 12h28 daquele dia.

O envolvimento do nome do presidente Jair Bolsonaro com os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, suspeitos pelo duplo homicídio, ganhou repercussão recente nos noticiários, após reportagem do Jornal Nacional (TV Globo), veiculada no dia 29 de outubro deste ano.

A matéria trazia a imagem de uma planilha de entrada do condomínio Vivendas da Barra, onde Bolsonaro tem uma casa, e vivia até o ano passado, e coincidentemente também mora Ronnie Lassa. Uma anotação na planilha mostrava que, horas antes do assassinato de Marielle, o segundo suspeito de cometer o crime, Élcio Queiroz, tinha pedido autorização para visitar a casa 58, de Bolsonaro. Lessa mora na casa número 65/66.

O documento levou à Polícia Civil do Rio a interrogar o porteiro, que teria sido o responsável pela anotação daquele dia. Em dois depoimentos seguidos, feitos nos dias 7 e 9 de outubro deste ano, o homem confirmou que Élcio havia solicitado visita à casa nº 58 e que, ao pedir autorização para o responsável da residência, quem lhe atendeu foi um homem identificado por ele como “seu Jair”, permitindo a entrada de Élcio.

O porteiro disse ainda que acompanhou a movimentação de Élcio nas câmeras e viu que ele se dirigiu à casa 66, de Ronnie Lessa. O funcionário voltou a ligar para a casa 58 e a mesma pessoa, que antes ele havia identificado como “seu Jair”, disse que sabia para onde Élcio estava indo.

Leia também:  O amigo Trump avisa que vai taxar o aço brasileiro

A própria matéria do Jornal Nacional ressalta, entretanto, que registros da Câmara dos Deputados mostram que, no dia 14 de março de 2018, o então deputado federal Jair Bolsonaro estava em Brasília, participando de uma votação.

Em poucas horas, após a reportagem da TV Globo, o presidente Bolsonaro e seu filho Carlos divulgaram nas redes sociais imagens mostrando a participação dele na sessão de 14 de março de 2018, no Plenário da Câmara dos Deputados.

Segundo informações da Câmara, a sessão foi aberta às 14h e terminou às 20h30. A página sobre a votação no site do Legislativo mostra ainda que Bolsonaro votou naquele dia, sem especificar em qual horário e, ainda, que a votação ocorreu depois de debates no Plenário, à partir das 19h30.

Porém, um vídeo, divulgado no canal da Câmara dos Deputados no Youtube, mostra que a sessão começou às 15h30. A votação foi declarada aberta naquele dia pelo presidente da casa, Rodrigo Maia, por volta das 17h20, por meio de sistema eletrônico e secreto.

Um voo direto entre Brasília e Rio de Janeiro dura cerca de 1h30m. O então parlamentar poderia ter dado seu voto e saído logo em seguida, alegando problemas de saúde? É uma possibilidade. Os horários, porém, não batem com os da planilha.

Segundo o documento da portaria do condomínio de Bolsonaro, no dia da morte de Marielle, Élcio chegou ao local às 17h10. Depois de algumas horas no local, ele e Ronnie Lessa saíram juntos em um carro que, segundo os investigadores, foi o mesmo usado no atentado contra a vereadora e seu motorista, mortos por volta das 21h30.

Leia também:  Paraisópolis: tenente-coronel defende que peritos internacionais investiguem ação da polícia

Mas, como já mostrou o Blog do Berta, a partir de documentos de serviços contratados do condomínio Vivendas da Barra, a portaria do local usa os serviços da Bluephone, empresa especializa num sistema de comunicação conhecido como IBPX, que permite, entre outras facilidades, que uma pessoa atenda, pelo celular pessoal, ao ramal do interfone de sua casa sem estar fisicamente presente.

A hipótese de que Bolsonaro poderia ter atendido remotamente à chamada do condomínio já havia sido levantada pelo jornalista Luis Nassif, que afirmou ter informações de fontes com acesso ao Vivendas da Barra. Ou seja, Bolsonaro poderia sim ter atendido ao porteiro estando em Brasília, liberando o acesso de Élcio ao condomínio.

Bolsonaro após assassinato de Marielle

Logo após a morte de Marielle, Bolsonaro, então candidato a presidente e identificado com a questão de segurança pública, não se pronunciou sobre o crime. No dia 15 de março, o jornal Folha de S.Paulo, em uma matéria assinada pela própria Thaís Bilenky, diz que procurou a assessoria do então deputado federal e recebeu como resposta que ele não iria se pronunciar porque estava com intoxicação alimentar.

Seu filho mais velho, Flávio Bolsonaro, chegou a publicar uma mensagem em sua rede social prestando condolências às famílias da vereadora e do motorista. Mas a postagem foi retirada do ar, em 16 de março de 2018.

Segundo o tuíte publicado por Thaís Bilenky, no dia 14 de março, Bolsonaro estava sofrendo com a intoxicação alimentar dois dias antes da votação na Câmara e, por isso, o então deputado teria voltando de Brasília para o Rio antes do crime contra Marielle – e também antes do início da votação na Câmara.

Leia também:  Governo de SP impede que movimentos de moradia acessem políticas de habitação

Independente da decisão que o futuro presidente do Brasil tenha tomado naquele dia, como mostram imagens da sessão do Plenário, ele continuou em atividade e, horas depois do tuíte de Bilenky, estava aparentemente bem.

Além de Bilenky, nenhuma outra pessoa publicou, no dia 14 de março de 2018, a versão do retorno de Bolsonaro ao Rio de Janeiro horas antes do assassinato de Marielle.

Leia também: Atuação de investigadores coloca em dúvida veracidade de áudios periciados e que podem envolver Bolsonaro no caso Marielle

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

8 comentários

  1. Finalmente voltamos ao foco, que foi um pouco neglicenciado com o golpe na bolivia, a falácia da geracao de empregos atraves da ctps verde e amarela, e com a briga pelos milhões do dvpat.
    O foco é esclarecer de vez a morte de Anderson e Mariele, pois enquanto isso nao ocorrer as instituições estarão sob suspeição e qualquer cidadão sem nenhuma garantia preconizada na CF.

  2. Fraudes em votação já restaram flagradas diversas vezes e qualquer AUTOESCOLA de periferia frauda as obrigatórias presenças feitas por biometria digital. Não sei como são feitas exatamente (ex. acumuladas ou “estocadas” previamente no sistema), mas sei que são feitas.
    Porém, a menos que a imagem acima do vídeo da Câmara esteja manipulada de alguma forma (horário, etc.) e/ou os anais da mesma não registrem evidências confiáveis, até agora não se demonstrou que Bolsonaro não estivesse lá, pelo menos até as 15:20h. Este horário é incompatível com o tempo de deslocamento total (táxi, embarque, taxiamento, vôo, taxiamento, desembarque, taxi) para chegar a tempo de atender Élcio em casa.
    Mas isto NÃO INVALIDA a hipótese de ATENDER à portaria em Brasília ou qualquer outro lugar de cobertura telefônica. Curioso que a míRdia sequer aborde esta possibilidade.
    Investigar o(s) telefone(s) do então deputado e respectiva(s) linha(s) é imperioso. Se houver impedimento legal, NÃO HÀ porém tal impedimento para investigar a(s) LINHA(S) da portaria do CONDOMÍNIO e respectivos equipamentos.
    O que está havendo nesta “prevarinvestigação” é a manjada “incompetência ou má fé”.
    Ou seja crime cometido por múltiplas autoridades.
    Então melhor chamar o ladrão.

  3. Muito simples. O Bolsonaro estava mesmo em Brasilia, ou alguém apertou os botões por ele no Congresso? Esta questão se constitui a mais importante neste momento. Alguém deve saber que horas ele voltou para o Rio. O Aeroporto, a Companhia aérea. Acho que isso não parece muito difícil de descobrir e responder.

  4. Alguém sabe onde estava o outro “Seu Jair” nesse dia?

    Além do Moe, Larry e Curly, o Bozo tem uma outra criatura chamada “Jair Renan”, de uns 20 anos, o suficiente para ser um “Seu Jair” para os porteiros. Não me lembro de ter visto nada a respeito do paradeiro da entidade no dia do assassinato. Alguém sabe?

  5. Élcio Queiroz, ao chegar à portaria do Condominio, não diga que quer visitar o Ronnie Lessa, pois ele é muito suspeito.
    Diga que vai para a Casa do meu Filho Renan Jair. Talkey?

    Talkey, Capitão! Combinado. Xacomigo. Aquela sujeita hoje mesmo estará presuntada.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome