Cinemateca entrega chaves e se une ao Museu Nacional em novo golpe contra cultura

Sucateado e com promessas vazias sobre a proteção do acervo, a Cinemateca entra para o hall de centros culturais e museus largados à própria sorte no Brasil

Da Hypeness

Após meses de embates, da falta de pagamentos e da demissão de todos os funcionários, a Cinemateca Brasileira entregou as chaves ao governo federal no último dia 7 de agosto. Localizada na Vila Clementino, em São Paulo, a instituição reúne filmes e documentos de extrema importância para a memória do cinema nacional. Sucateado e com promessas vazias sobre a proteção do acervo, a Cinemateca entra para o hall de centros culturais e museus largados à própria sorte no Brasil.

Responsável pela gestão do local, a Associação Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp) precisou demitir os 41 funcionários da entidade por conta da falta de repasse de verbas pelo atual governo de Jair Bolsonaro. Segundo informações do “El País“, a União deve cerca de R$ 14 milhões à mantenedora da Cinemateca, que não recebe dinheiro do governo desde 2019.

Abrigo de cerca de 250 mil obras audiovisuais históricas e de acervos completos de grandes nomes do cinema brasileiro, como Glauber Rocha (1939 – 1981), a Cinemateca se junta à infeliz estatística de desmonte da cultura nacional, assim como o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, o Museu do Ipiranga, em São Paulo, e tantos outros espalhados pelo país que continuam operando em regime de precariedade.

Museu Nacional, no Rio de Janeiro

Uma das atrações principais da Quinta da Boa Vista, localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro, o Museu Nacional sofreu um incêndio de grandes proporções em setembro de 2018.

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Por conta da negligência federal em relação ao estado e às urgentes necessidades de melhorias na estrutura do edifício, mais de 20 milhões de objetos históricos foram destruídos pelo fogo. Objetos que, inclusive, eram parte do estudo de dezenas de pesquisadores.

Dono do maior acervo de história natural da América Latina e conhecido por ser um espaço cultural de acesso democrático na região, o museu foi vítima dos sucessivos cortes de verbas destinadas à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entidade mantenedora da instituição.

Dois anos depois e ainda em fase de restauração, o museu carioca somou-se a outras construções atingidas por incêndios na universidade, como o oitavo andar do prédio da Reitoria, em 2016, e a capela do Palácio da Praia Vermelha, em 2011.

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Museu do Ipiranga, em São Paulo

Também conhecido como Museu Paulista, o Museu do Ipiranga está fechado desde 2013 devido a graves problemas no revestimento do edifício, que sofria com infiltrações.

Com previsão para ser reaberto em 2022, a instituição é administrada pela Universidade de São Paulo (USP) e abriga um importante acervo relacionado à história da Independência do Brasil.

Em estágio de restauração e modernização há quase uma década, o museu era um dos mais visitados da cidade de São Paulo, como conta a atual diretora Rosaria Ono, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), em entrevista ao “Jornal da USP”.

 

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