Clã Bolsonaro molda narrativa para se descolar de miliciano

De nome evitado pela família a mártir político, Adriano da Nóbrega vira munição do bolsonarismo para atacar a esquerda

Família Bolsonaro tenta estruturar narrativa para se descolar do ex-policial Adriano da Nóbrega. Foto: Reprodução/Flickr

Jornal GGN – Enquanto o ex-policial Adriano da Nóbrega esteve foragido, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido – RJ) preferiu a discrição e não citava o nome de seu ex-assessor nos tempos em que foi deputado no Rio de Janeiro. Porém, no último sábado, ele chegou a bradar aos jornalistas se eles queriam perguntar algo sobre Adriano.

Segundo informações do jornal El País, a mudança de postura não só agradou uma parte dos correligionários bolsonaristas, como marcou a virada da narrativa da família para se desgarrar da imagem do miliciano.

Essa mudança também foi uma forma de atender aliados bolsonaristas críticos à falta de firmeza de Flávio para contestar as acusações de envolvimento com milícias e o esquema de rachadinha entre funcionários de seu gabinete. E ganhou força com os sucessivos ataques ao governador da Bahia, o petista Rui Costa.

Em seu perfil no Twitter, o presidente Jair Bolsonaro chegou a acusar a PM baiana de uma “provável execução sumária” de Nóbrega, ressaltando que Costa “mantém fortíssimos laços de amizade com bandidos condenados em segunda instância”, referindo-se ao ex-presidente Lula. Os comentários de Bolsonaro levaram 20 governadores, incluindo Rui Costa, a divulgar uma carta conjunta criticando-o por cruzar limites institucionais do cargo.

Mesmo sob o risco de levar ao Planalto o desgaste pela vinculação ao miliciano, Jair Bolsonaro dobrou a aposta na estratégia de narrativas ambíguas, a ponto de bolsonaristas conferirem status de mártir ao ex-PM como forma de equiparar sua morte à da vereadora Marielle Franco e, ao mesmo tempo, reacender o caso Celso Daniel.

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O ex-policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega, conhecido como Capitão Adriano, foi morto no começo de fevereiro durante uma ação da polícia na cidade de Esplanada, no interior da Bahia.  Ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do Rio de Janeiro, Adriano comandava o Escritório do Crime, uma das maiores milícias do Rio de Janeiro.

Existem suspeitas de que integrantes do Escritório do Crime tenham tido participação na morte de Marielle Franco. Além disso, Adriano foi mencionado na investigação de “rachadinha” no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) junto com Fabrício Queiroz.

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2 comentários

  1. Sobre a tentativa da família Bozo de se descolar da milícia, devemos aplicar o antigo raciocínio de Leonel Brizola: “Se tem rabo de jacaré, corpo de jacaré e boca de jacaré, não pode ser outra coisa senão jacaré.”

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