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Leia também:  Presidente do Equador cede a protestos e derruba decreto contra subsídios

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  1. ONU: Aprovada proposta de Brasil e Alemanha contra espionagem

    Comissão da ONU aprova proposta para limitar espionagem eletrônica

    Wellton Máximo – Agência Brasil 26.11.2013 – 21p5 | Atualizado em 26.11.2013 – 23p5

    Brasília – Uma comissão da Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou hoje (26), por consenso, a proposta conjunta apresentada por Brasil e Alemanha para limitar a espionagem eletrônica. A resolução deve ser votada pelos 193 países que compõem a Assembleia Geral no próximo mês.

    Apoiada por 55 países, a proposta conclama os governos a revisar procedimentos, prática e leis em relação à vigilância, à interceptação das comunicações e à coleta de dados pessoais. Esses procedimentos, reivindica a proposta, devem respeitar o direito à privacidade, expresso no Artigo 12 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e no Artigo 17 do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos.

    O texto não cita exemplos específicos, mas foi elaborado após as denúncias do ex-técnico de inteligência norte-americano Edward Snowden divulgar detalhes de um programa de espionagem global empreendido pela Agência de Segurança Nacional. Segundo os documentos vazados por Snowden, Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá e Nova Zelândia atuam em conjunto para espionar comunicações privadas em todo o planeta.

    De acordo com as denúncias, comunicações entre empresas brasileiras, de membros do governo e até da presidenta Dilma Rousseff foram interceptadas, o que levou a presidenta a abordar o tema durante o discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas em setembro. A Alemanha passou a ajudar o Brasil na elaboração do texto após a descoberta de que o celular da primeira-ministra do país, Angela Merkel, teve o telefone celular grampeado.

    Além de pedir a revisão de procedimentos de espionagem, a proposta sugere que o escritório da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos apresente, nos próximos dois anos, relatórios sobre a proteção do direito à privacidade em relação ao uso de ferramentas de monitoramento de comunicações.

    Em nota, o Itamaraty informou que o governo brasileiro recebe, com satisfação, a aprovação da proposta. As resoluções da Assembleia Geral das Nações Unidas têm apenas força de recomendação. No entanto, se aprovadas por um grande número de países, elas têm força política para serem implementadas.

    Edição: Fábio Massalli

     

    Direitos autorais: Creative Commons – CC BY 3.0http://www.ebc.com.br/noticias/internacional/2013/11/comissao-da-onu-aprova-proposta-para-limitar-espionagem-eletronica

     

  2. Laudo médico da Câmara é que definirá aposentadoria de Genoino,

    Laudo médico da Câmara é que definirá aposentadoria de Genoino, diz presidente da Câmara

    Share on facebookCompartilharURL fixa: Versão para impressãoLuciano Nascimento – Agência Brasil 26.11.2013 – 20p7 | Atualizado em 26.11.2013 – 20p1

    Brasília – O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse hoje (26) que o laudo da junta médica da Câmara definirá se o pedido de aposentadoria do deputado licenciado José Genoino (PT-SP) será aceito.

    Leia mais notícias

    Ontem (25), a junta médica da Câmara da Casa examinou o parlamentar. Alves espera que o laudo seja entregue amanhã (27), um dia antes da reunião da Mesa Diretora que apreciará a abertura do processo de cassação do deputado, prevista para quinta-feira (28). “Espero que a junta médica até amanhã possa apresentar a sua conclusão. Não estou exigindo pressa, exijo perfeição, pontualidade, porque se está decidindo sobre a invalidez de um parlamentar”, disse.

    O presidente da Câmara declarou ainda que o laudo pericial sobre o estado de saúde de Genoino, divulgado hoje pelos médicos da Universidade de Brasília (UnB), servirá apenas para o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Com a base no documento, Barbosa vai decidir se Genoino, condenado na Ação Penal 470, o processo do mensalão, permanecerá em prisão domiciliar temporária ou voltará para o Presídio da Papuda.

    “São duas questões: uma foi do Judiciário, a respeito da prisão domiciliar e do regime semiaberto, e isso tem um foco. A outra é da Câmara, em relação à aposentadoria por invalidez, que é a invalidez permanente”, disse Alves, que chegou a considerar que o laudo médico fosse entregue hoje.

    Se a aposentadoria por invalidez não for concedida pela Câmara, Genoino vai passar ainda por um processo de cassação de mandato. Embora a decisão do STF determine a perda automática do mandato parlamentar, o presidente da Câmara informou que vai instaurar processo normal de cassação, que inclui votação em plenário.

    O líder da minoria, deputado Nilson Leitão (PSDB-MT) disse que a oposição não vai criar nenhum obstáculo caso o laudo indique a aposentadoria. “Existe a vontade por parte do PT que a aposentadoria se acelere, mas existe um rito que tem que ser respeitado e a pericia médica é que vai decidir sobre esse caso. Se [a junta médica da Câmara] apresentar o laudo, nós da oposição não temos nenhum tipo de óbice àquilo que é justo que é verdadeiro”, ressaltou.

    No último domingo (24), o deputado deixou o Instituto de Cardiologia do Distrito Federal. Desde então, Genoino cumpre prisão domiciliar temporária na casa de uma das filhas, em Brasília.

     

    Edição: Aécio Amado

    http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2013/11/laudo-medico-da-camara-e-que-definira-aposentadoria-de-genoino-diz

  3. Fraudes em SP começaram em 2005. O prefeito? Serra

    Fraudes em SP começaram em 2005. O prefeito? Serra

    O Ministério Público tem indícios de que o esquema de fraudes fiscais na prefeitura paulistana existia pelo menos desde 2005; prejuízos são estimados em R$ 500 milhões e esquema era coordenado por fiscais submetidos ao secretário Mauro Ricardo, braço direito de José Serra na prefeitura; político tucano também o indicou para a gestão seguinte, de Gilberto Kassab; atual secretário de Salvador, Mauro Ricardo será chamado a depor no caso

    26 de Novembro de 2013 às 21:05

     

    Daniel Mello
    Repórter da Agência Brasil

    São Paulo – O Ministério Público (MP) tem indícios de que o esquema de fraudes fiscais na prefeitura paulistana existia pelo menos desde 2005. A principal linha de investigação apontava para irregularidades cometidas entre 2007 e 2012, causando prejuízos de cerca R$ 500 milhões aos cofres públicos.

    No entanto, os depoimentos dos fiscais  Luis Alexandre Cardoso de Magalhães e Eduardo Horle Barcellos indicam que as fraudes podem ter começado antes, sob o comando de Amílcar José Cançado Lemos. “O que o Luís Alexandre fala é que o Cançado estruturou, organizou isso. Antes a coisa era disseminada, todo mundo fazia e não tinha organização nenhuma. Ele chegou e organizou a cobrança de propina”, disse hoje (26) o promotor de  Proteção ao Patrimônio Público Cesar Dario  da Silva.

    O MP pretende entrar até a próxima segunda-feira (2) com uma ação de improbidade administrativa contra Cançado. Segundo a promotoria, o auditor fiscal tem patrimônio incompatível com o salário de R$ 24 mil. César da Silva deve pedir ainda o afastamento de Cançado de suas funções e o ressarcimento dos prejuízos ao erário. “Eu entendo que é absolutamente incompatível alguém que está sendo processado por improbidade, por cobrar propina, continuar exercendo as funções”, disse sobre o auditor, que está com os bens bloqueados. Ele deveria depor hoje, mas apresentou atestado médico e não compareceu.

    Cançado teria tido divergências com o grupo de quatro auditores que estão sendo investigados criminalmente pelo MP e são acusados de comandar as fraudes a partir de 2007.  Além de Magalhães e Barcellos, são acusados de fazer parte do grupo Ronilson Bezerra Rodrigues e Carlos Augusto di Lallo Leite do Amaral.

    “Um dos motivos que ele [Barcellos] pediu a exoneração do Amílcar da sessão foi que ele cobrava a propina de uma forma muito escandalosa, todo mundo ficava sabendo, e eles não gostavam disso”, explicou Silva sobre como Barcellos, superior hierárquico de Cançado, afastou o auditor da sessão onde era cobrada a propina.

    Os auditores são acusados de cobrar propina de construtoras e incorporadoras para fraudar as guias de recolhimento do Imposto Sobre Serviços (ISS), reduzindo os valores pagos à prefeitura. O MP quer saber se as empresas eram coagidas pelos fiscais ou se colaboravam com as ilegalidades.

    O promotor criminal Roberto Bodini disse que emitiu hoje as intimações para que quatro construtoras prestem esclarecimentos sobre o funcionamento do esquema. Para ele, chama atenção o fato das empresas nunca terem denunciado as cobranças. “É um comportamento que se repetiu por anos. Não dá para entender essas empresas que se dizem vítimas, o setor que se diz vítima, que diz que não conseguia trabalhar na legalidade, mas que nunca procurou a legalidade”.

    http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/122054/Fraudes-em-SP-come%C3%A7aram-em-2005-O-prefeito-Serra.htm

  4. Piloto diz que fez duas ligações a deputado antes de voar

    Piloto diz que fez duas ligações a deputado antes de voar; fazenda destino da cocaína era dos Perrella, diz advogado

    publicado em 26 de novembro de 2013 às 16:35

    Topo, cena do Facebook de Gustavo Perrella; Joelson Mendonça (sugerido pelo Gerson Carneiro) fez o print do UOL, que identificou Zezé Perrella como senador do PT, quando é do PDT, ligado a Aécio Neves

    por Luiz Carlos Azenha

    O advogado Nicácio Pedro Tiradentes, que representa Rogério Almeida Antunes, disse esta tarde ao Viomundo que o deputado estadual Gustavo Perrella (Solidariedade-MG) mentiu ao dizer, em entrevista, que o piloto roubou o helicóptero que estava em nome da Limeira Agropecuária e foi apreendido em uma fazenda no município de Afonso Cláudio, Espírito Santo, com mais de 400 quilos de cocaína a bordo.

    A apreensão aconteceu domingo.

    Nicácio, que foi contratado pelo pai do piloto, passou algumas horas com o acusado e saiu do encontro dizendo que Rogério era homem “de confiança” do deputado Perrella, tanto que ocupava um cargo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde não trabalhava. Segundo o jornal O Estado de Minas, o piloto era “agente de serviço de gabinete da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Com salário de R$ 1,7 mil, Antunes está lotado desde abril deste ano na 3ª Secretaria da ALMG, presidida pelo deputado Alencar da Silveira Júnior (PDT)”. O pedetista informou que Rogério seria demitido nas próximas horas.

    De acordo com o advogado, o piloto fez duas ligações para o deputado Perrella antes de voar o frete. Ele sustenta que tanto o piloto quanto o deputado acreditavam tratar-se de implementos agrícolas. Disse também que o deputado estaria tentando “empurrar o pepino” para o piloto. Sugeriu que haveria a tentativa de livrar outro envolvido, pessoa “de posses” que acompanhava o vôo, mas não identificou esta pessoa, com a qual o advogado deve se encontrar ainda hoje para obter novas informações.

    Além do piloto foram presos  o co-piloto Alexandre José de Oliveira Júnior, de 26 anos, o comerciante Róbson Ferreira Dias, de 56, e Everaldo Lopes de Souza, de 37.

    O advogado disse que a fazenda destino da carga era de propriedade do senador Zezé Perrella (PDT-MG), ex-presidente do Cruzeiro e pai de Gustavo Perrella. Segundo o advogado, a propriedade está em nome da Limeira Agropecuária e teria sido comprada “por cinco vezes o valor” de mercado.

    Nicácio Tiradentes informou que pretende entrar nas próximas horas com habeas corpus para tirar o piloto da cadeia.

    “O deputado não poderia enlamear o menos favorecido pela sorte”, disse o advogado, se declarando “magoado”.

    Segundo ele, o piloto “não fez nada sem autorização”. Para provar isso, Nicácio pretende pedir quebra do sigilo telefônico do piloto: “Deu duas ligações [para o deputado]. Aí que mora o perigo”.

    PS do Viomundo: Como notou um leitor nos comentários, o Brasil é o único país do mundo no qual implementos agrícolas viajam de helicópter

    http://www.viomundo.com.br/denuncias/piloto-diz-que-nao-roubou-helicoptero-e-que-fez-duas-ligacoes-a-deputado-gustavo-perrella-antes-de-voar-frete-fazenda-destino-da-carga-era-da-familia-diz-advogado.html

  5. JB muda regra e rotula Genoino 1, ZD 2, Delúbio 3

    JB muda regra e rotula Genoino 1, ZD 2, Delúbio 3

    Acaba de ser revelada uma nova heterodoxia do presidente do Supremo Tribunal nas prisões do chamado mensalão; um dia antes de efetuá-las, Joaquim Barbosa criou uma nova classe processual, denominada Execução Penal; essa norma instituiu que as prisões deveriam ser distribuídas ao relator (ele próprio) com tramitação eletrônica; essa mesma norma definiu os modelos das guias de recolhimento e do tratamento médico; depois disso, Barbosa numerou seus alvos: José Genoino foi o 01, José Dirceu o 02 e Delúbio Soares o 03; curiosamente, ele só prendeu réus com direitos a embargos infringentes e deixou outros, sem possibilidades de recurso, como Roberto Jefferson, Pedro Heny e Valdemar Costa Neto de fora; modelo absolutista avança no Judiciário

    26 de Novembro de 2013 às 20:31

     

    247 – Acaba de ser descoberta uma nova heterodoxia de Joaquim Barbosa na execução das prisões do chamado mensalão. Um dia antes de efetuá-las, ele criou uma nova classe processual, chamada Execução Penal, que garantiu a ele próprio o comando das prisões, assim como os modelos  das guias de recolhimento, de execução e tratamento médico. Curiosamente, Barbosa só prendeu réus com direitos a embargos infringentes e deixou de fora nomes que não tinham mais chance de recurso, como Valdemar Costa Neto, Pedro Henry e Roberto Jefferson – o delator que confessou ter recebido R$ 4 milhões.

    A informação é da Agência Brasil. Leia abaixo:

    André Richter
    Repórter da Agência Brasil

    Brasília – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, decidiu criar uma nova classe processual para executar as penas dos condenados na Ação Penal 470, o processo do mensalão. A norma não estava prevista no Regimento Interno do Supremo e foi instituída pela Resolução nº 514, assinada no dia 14 deste mês, um dia antes da decretação da prisão de 12 dos condenados no processo.

    De acordo com o texto da norma, divulgado no dia 19 no Diário da Justiça, a nova classe processual, denominada Execução Penal (EP), foi criada para dar cumprimento às penas condenatórias do processo do mensalão. A resolução prevê que o processo seja distribuído ao relator da ação penal e tenha tramitação eletrônica. A norma também definiu os modelos das guias de recolhimento, de execução e tratamento médico. Os documentos são necessários para efetivar a prisão.

    No último dia 20, com a publicação da norma, os processos começam a ser autuados.

    A execução do processo do deputado federal licenciado e ex-presidente do PT José Genoino (SP) foi identificada como número 1. A de José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, é a número 2, e o processo de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, o 3. Os demais condenados foram identificados em seguida.

    http://www.brasil247.com/pt/247/brasilia247/122050/JB-muda-regra-e-rotula-Genoino-1-ZD-2-Del%C3%BAbio-3.htm

  6. Barbosa chamou médicos antipáticos ao PT para tratar do caso Gen

    Barbosa chamou médicos antipáticos ao PT para tratar do caso Genoíno

    Enviado por on 27/11/2013 – 5:04 am 0 comentários

    O Cafezinho foi investigar quem são os médicos selecionados por Barbosa para fazer um laudo médico que justifique trazer Genoíno de volta para Papuda.

    Vê-se que Barbosa foi cuidadoso. Depois de trocar o juiz, escolheu cinco médicos perfeitos para executar sua missão. A maioria são médicos já maduros, com longa carreira acadêmica e dono de clínicas particulares. Barbosa não se arriscou com nenhum jovem idealista. Chamou só macaco velho.

    Vamos a eles. Os nomes são: Luiz Fernando Junqueira Júnior, Cantídio Lima Vieira, Fernando Antibas Atik, Alexandre Visconti Brick, e Hilda Maria Benevides da Silva de Arruda.

    Uma ficha rápida de cada um:

     

    Luiz Fernando Junqueira Júnior, professor de cardiologia da Universidade de Brasília e presidente da junta:

    Consegui reunir pouco material sobre sua pessoa, mas obtive indícios do ambiente em que vive. Há uma página no Facebook dedicada à turma Luiz Fernando Junqueira Junior – Medicina UNB.

    O administrador é Paulo Machado Ribeiro Junior.

     

    A página de Ribeiro Junior é repleta de acusações contra médicos cubanos, ódio contra o PT, festejos pela prisão dos “mensaleiros”.  Essa é a turma do chefe da junta que foi examinar Genoíno.

    ***

    Cantídio Lima Vieira, cardiologista e especialista em perícia médica:

    Esse aí tem uma história interessante. É um dos “marajás de jaleco” do Senado Federal. Médico do serviço público do Senado, Cantídio Lima Vieira possui clínicas privadas que oferecem serviços aos… senadores. Denúncia da Istoé foi logo abafada. Mas foi logo abafado.

    Trecho da matéria: “Duas unidades médicas dos funcionários operam no Sudoeste, outro bairro nobre de Brasília. Uma delas pertence ao médico Cantídio Lima Vieira (foto). Ele tem participação em mais quatro clínicas. Duas delas, a Policlínica Planalto e a Cordis são prestadoras de serviço da mesma associação de médicos contratada pelo Senado.”

    ***

    Fernando Antibas Atik, especialista em cirurgia cardiovascular:

    Fernando Atik tem um Twitter, no qual tem 16 seguidores e segue 16 arrobas. Destas 16, as únicas fontes de informação são Jornal Nacional, Globo, G1, Globonews, CBN, Veja e Conselho Federal de Medicina. Seus últimos 2 tweets aconteceram no dia 16 de novembro, quando respondeu a uma pergunta da Veja a seus leitores:

    ***

    Alexandre Visconti Brick, professor de cirurgia cardiovascular:

    Esse aí tem um histórico legal. Ganhou o título de cidadão honorário de Brasília por indicação do deputado distrital Junior Brunelli. Brunelli é o deputado da “oração da propina”, religioso exemplar.

     

     

    ***

    Hilda Maria Benevides da Silva de Arruda é mais nova e tem atuação mais discreta. Como a maior parte dos médicos brasileiros odeia o programa Mais Médicos. E faz questão de deixar isso bem claro em sua página no Facebook.

    ***

    Claro que a suposição de que Barbosa escolheu a dedo médicos com antipatias políticas fortes contra José Genoíno é apenas isso, uma suposição. Entretanto, o laudo médico me parece negligente, porque aponta algumas condições extramamente frágeis do paciente mas conclui que ele pode continuar numa prisão.  Por exemplo, o primeito item da conclusão diz, textualmente, que o paciente deve se submeter a acompanhamento ambulatorial periódico da sua condição pós-cirúrgica.

     

    A má fé dos médicos aparece latente já no segundo item, onde se nota uma contradição que não pode ser inspirada em outra coisa, a meu ver, senão na maldade. Os médicos concluem que o réu, portador de hipertensão, deve usar medicamento de uso contínuo, e o tratamento deve incluir “dieta hipossódica, restrição de atividade física vigorosa, prática regular de leve a moderada atividade física aeróbica e  restrição de fatores psicológicos estressantes”. Repito a frase final: “restrição de fatores psicológicos estressantes”. Mesmo assim, os médicos concluem que não é necessidade do tratamento ser feito em domicílio.

     

    Todas as concluões são relativamente iguais, sempre repetindo expressões assim:

    ***

    Não quero acusar nenhum médico. Mas não consigo me livrar da impressão que Barbosa catou médicos antipáticos aos réus apenas para que emitissem um laudo que chancelasse sua sanha de se vingar de Dirceu e demais. Se isso for verdade, teríamos um presidente do STF totalmente psicótico, e que deveria ser objeto de impeachment pelo Senado o mais rápido possível.

    http://www.ocafezinho.com/2013/11/27/barbosa-contratou-medicos-antipaticos-ao-pt-para-tratar-do-caso-genoino/

  7.  Casa Civil estende mandato
     

    Casa Civil estende mandato de Rodas: uma nova agressão à autonomia da USP?

    No dia 22/11/13 descobrimos a publicação no Diário Oficial do Estado de um apostilamento (veja abaixo) da Secretaria da Casa Civil, feito no dia 20/9/2013, estendendo o mandato do reitor J. G. Rodas até 25 de janeiro de 2014, quatro anos após sua entrada no exercício da função. Como noticiado no Informativo Adusp 373, de 18/11/13, o decreto do governador revalidando a  nomeação  de Rodas é de 12 de dezembro de 2009 e, portanto, seu mandato de quatro anos, independentemente da escolha feita pelo atual reitor de só tomar posse em 25/1/2010, termina em 12/12/2013.

    Esta situação nos parece de muita gravidade, particularmente para quem tem apreço pela autonomia da universidade.  Ademais, a Casa Civil tem autoridade e/ou competência para mudar a extensão de mandatos e decretos do governador? Seria apenas um recurso para “esconder” o fato?

    O que você pensa disto?

    Seria esta uma nova agressão à autonomia universitária, perpetrada com a conivência da própria administração da USP? 

    Venha discutir as medidas políticas e jurídicas cabíveis:

     

    http://adusp.org.br/index.php/defesa-da-universidade/132-usp-democratica/sucessao-reitoria/1826-casa-civil-estende-mandato-de-rodas

  8. Bahia terá novo polo industrial no Recôncavo

    OAS, Odebrecht e UTC investirão R$ 1,5 bi em polo industrial na BA

    As construtoras OAS, Odebrecht e UTC e a empresa de consultoria financeira Ask Capital vão investir cerca de R$ 1,5 bilhão na instalação de um polo industrial voltado para os setores de petróleo e gás natural e naval na região do recôncavo baiano. Chamado de “Polo 2 de Julho”, em referência à participação da Bahia na luta pela independência do Brasil, o empreendimento deverá atender cerca de 90 companhias, incluindo empresas âncoras e seus fornecedores diretos e indiretos.

    As quatro empresas responsáveis pelo projeto assinam hoje com o governo da Bahia protocolo de intenções para o desenvolvimento do complexo industrial. Segundo o presidente da Ask Capital, Carlos Castro, o estudo e o relatório de impacto ambiental (EIA/Rima) do empreendimento já foi concluído e a expectativa é começar a terraplenagem dentro de 90 dias. O início das operações está previsto para o fim de 2014.

    Enquanto viabiliza a construção do empreendimento junto ao governo baiano, o consórcio responsável pelo polo industrial está conversando com potenciais empresas interessadas em se instalar no local. “Todas as empresas do Brasil e internacionais que atuam nesse setor no país já foram contactadas”, disse Castro.

    Em uma área de 430 hectares, no município de Maragogipe, o complexo estará situado a 10 quilômetros do Estaleiro Enseada de Paraguaçu (EEP), em obras e que pertence às três construtoras em parceria com a japonesa Kawasaki Heavy Industries, e do canteiro de São Roque, da Petrobras. O EEP tem encomendas para construir seis navios sondas para a Sete Brasil e para converter quatro navios VLCC (cargueiros) em plataformas flutuantes de produção e armazenamento de petróleo (FPSO) para a Petrobras.

    Segundo Castro, a proximidade dessas instalações é um diferencial logístico para o polo, por reduzir custos e riscos de atraso na entrega. Outra vantagem é a forma operacional do complexo.

    O polo será implantado no modelo “build to suit”, em que as construtoras farão as instalações e alugarão o espaço para as empresas interessadas. Segundo o executivo, esse desenho favorece a atração de companhias, que não terão de fazer um investimento inicial pesado na construção e apenas se concentrar na sua atividade fim, pagando um aluguel à administração do polo.

    O complexo será uma espécie de “shopping center industrial”, que contará com facilidades como cozinha industrial, hotelaria, bancos e hospitais. A maioria desses itens, obrigatória para qualquer fábrica, será instalada pelo complexo e compartilhada por todo o “condomínio”.

    Outro ponto favorável é a relativa proximidade do polo com a promissora Bacia de Sergipe-Alagoas, onde estão sendo feitas relevantes descobertas de petróleo e no país. No setor, comenta-se sobre uma possível reserva gigante de petróleo na região.

    Também conta positivamente o fato de a Ask Capital ter grande experiência no setor de óleo e gás. Apesar de ser constituída há apenas três anos, a empresa tem em seus quadros nomes como o do ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) embaixador Sebastião do Rego Barros (membro do conselho de administração), do superintendente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip) Alfredo Renault e do engenheiro Naval Nabuo Oguri, ex-vice-presidente executivo do estaleiro Ishibrás (consultores).

    O projeto do polo começou a ser desenvolvido há três anos, como uma oportunidade de negócio visualizada pelo consórcio, a partir do potencial de crescimento do setor de óleo e gás no Brasil. Além das rigorosas exigências de conteúdo local, que obrigam a fabricação de equipamentos no país, a própria carteira de projetos da Petrobras serviu de motivação para o empreendimento. De acordo com Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2022, o setor de óleo e gás necessitará de 97 novas FPSOs no período.

    O governo da Bahia se comprometeu a investir na infraestrutura de energia elétrica, rodoviária e de saneamento do entorno do complexo. Também estão previstos incentivos fiscais para grandes fabricantes que decidam se instalar no local. “Vamos dar os incentivos que couberem”, afirmou o secretário da Casa Civil do governo baiano, Rui Costa.

    “A ideia é estruturar a cadeia de insumos do polo naval e de óleo e gás, para que boa parte do que for fornecido ao estaleiro [EEP] seja construído aqui no Estado”, completou Costa.

    Apesar de estar próximo da capital Salvador, a região do recôncavo tem um dos menores índices de desenvolvimento humano (IDH) da Bahia. O projeto prevê a geração de 8 mil empregos diretos e 12 mil indiretos, além da consequente qualificação da mão de obra local.

     

    http://www.valor.com.br/empresas/3351306/oas-odebrecht-e-utc-investirao-r-15-bi-em-polo-industrial-na-ba#ixzz2lmGpijeg

  9. Fraudes em SP começaram em 2005. O prefeito? Serra

    O Ministério Público tem indícios de que o esquema de fraudes fiscais na prefeitura paulistana existia pelo menos desde 2005; prejuízos são estimados em R$ 500 milhões e esquema era coordenado por fiscais submetidos ao secretário Mauro Ricardo, braço direito de José Serra na prefeitura; político tucano também o indicou para a gestão seguinte, de Gilberto Kassab; atual secretário de Salvador, Mauro Ricardo será chamado a depor no caso

    Daniel Mello
    Repórter da Agência Brasil

    São Paulo – O Ministério Público (MP) tem indícios de que o esquema de fraudes fiscais na prefeitura paulistana existia pelo menos desde 2005. A principal linha de investigação apontava para irregularidades cometidas entre 2007 e 2012, causando prejuízos de cerca R$ 500 milhões aos cofres públicos.

    No entanto, os depoimentos dos fiscais  Luis Alexandre Cardoso de Magalhães e Eduardo Horle Barcellos indicam que as fraudes podem ter começado antes, sob o comando de Amílcar José Cançado Lemos. “O que o Luís Alexandre fala é que o Cançado estruturou, organizou isso. Antes a coisa era disseminada, todo mundo fazia e não tinha organização nenhuma. Ele chegou e organizou a cobrança de propina”, disse hoje (26) o promotor de  Proteção ao Patrimônio Público Cesar Dario  da Silva.

    O MP pretende entrar até a próxima segunda-feira (2) com uma ação de improbidade administrativa contra Cançado. Segundo a promotoria, o auditor fiscal tem patrimônio incompatível com o salário de R$ 24 mil. César da Silva deve pedir ainda o afastamento de Cançado de suas funções e o ressarcimento dos prejuízos ao erário. “Eu entendo que é absolutamente incompatível alguém que está sendo processado por improbidade, por cobrar propina, continuar exercendo as funções”, disse sobre o auditor, que está com os bens bloqueados. Ele deveria depor hoje, mas apresentou atestado médico e não compareceu.

    Cançado teria tido divergências com o grupo de quatro auditores que estão sendo investigados criminalmente pelo MP e são acusados de comandar as fraudes a partir de 2007.  Além de Magalhães e Barcellos, são acusados de fazer parte do grupo Ronilson Bezerra Rodrigues e Carlos Augusto di Lallo Leite do Amaral.

    “Um dos motivos que ele [Barcellos] pediu a exoneração do Amílcar da sessão foi que ele cobrava a propina de uma forma muito escandalosa, todo mundo ficava sabendo, e eles não gostavam disso”, explicou Silva sobre como Barcellos, superior hierárquico de Cançado, afastou o auditor da sessão onde era cobrada a propina.

    Os auditores são acusados de cobrar propina de construtoras e incorporadoras para fraudar as guias de recolhimento do Imposto Sobre Serviços (ISS), reduzindo os valores pagos à prefeitura. O MP quer saber se as empresas eram coagidas pelos fiscais ou se colaboravam com as ilegalidades.

    O promotor criminal Roberto Bodini disse que emitiu hoje as intimações para que quatro construtoras prestem esclarecimentos sobre o funcionamento do esquema. Para ele, chama atenção o fato das empresas nunca terem denunciado as cobranças. “É um comportamento que se repetiu por anos. Não dá para entender essas empresas que se dizem vítimas, o setor que se diz vítima, que diz que não conseguia trabalhar na legalidade, mas que nunca procurou a legalidade”.

    http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/122054/Fraudes-em-SP-come%C3%A7aram-em-2005-O-prefeito-Serra.htm

  10. Dilma espanta crise e se mostra cada vez mais leve

    Depois de um período muito turbulento, sendo alvo de ataques à política econômica do país, vindo não só de adversários, mas também do fogo amigo, a presidente chamou para si a relação mais próxima com os empresários e viu seu plano de concessões dar certo, com o leilão dos aeroportos sendo muito disputado e, principalmente, lucrativo; nesta quarta, é a vez de uma estrada no Mato Grosso estratégica para o escoamento da safra, que atrai sete grandes grupos; além disso, ela conseguiu do Congresso a retirada da pauta de temas espinhosos às contas públicas; é por isso que Dilma era só sorrisos no encontro com jovens no dia de ontem

    A presidente Dilma Rousseff (PT) foi recebida, aos gritos e aplausos, por estudantes que participavam, nesta terça-feira (26) da IV Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente, no Palácio do Planalto. Ela sorriu. Após discursar, Dilma foi para perto dos adolescentes e posou para muitas fotos ao lado deles. Demonstrava alegria. E não era para menos: depois de um período muito turbulento, sendo alvo de ataques à política econômica do país, vindo não só de adversários, mas também do fogo amigo, chamado por ela, em entrevista exclusiva ao 247 de fogo inimigo (leia aqui), a presidente chamou para si a relação mais próxima com os empresários e viu seu plano de concessões dar certo, com o leilão dos aeroportos sendo muito disputado e, principalmente, lucrativo. Não resta dúvida de que Dilma, mais uma vez, surpreendeu.  

    A mídia conservadora, sempre tão pessimista, teve que refazer seus cálculos e reconsiderar o que disse antes. Nesta terça, o colunista Raymundo Costa, do Valor Econômico, por exemplo, reconheceu que os bons resultados do leilão dos aeroportos e a lista extensa de interessados no leilão da BR 163, em Mato Grosso, “ajudaram a desanuviar um horizonte carregado”.

    Da mesma forma, a colunista Vera Magalhães, do Painel desta terça, no jornal Folha de S.Paulo, disse que Dilma decidiu retirar o Conselhão, instância de diálogo entre o governo e o empresariado, das atribuições da Secretaria de Assuntos Estratégicos e passá-lo para a Casa Civil. “Dilma resolveu fazer a mudança para sinalizar ao empresariado que está atenta às críticas”, pontuou a jornalista.

    Desde que viu sua popularidade tombar diante dos protestos de junho, Dilma, entre todos os políticos, foi quem mais atuou para responder à insatisfação das ruas. Antecipou programas, refez projetos, propôs um modelo original de reforma política e trabalhou para segurar seu principal trunfo na economia: o pleno emprego. No campo econômico, ela também tem buscado um denominador comum com a Petrobras para evitar que o reajuste do preço do combustível interfira na inflação, só para citar uma ação. 

    A crítica à política econômica, tema preferencial dos presidenciáveis da oposição, pode até não se tornar sem sentido até o pleito eleitoral do próximo ano, mas, com certeza, terá, pelo que se vê atualmente, cada vez menos importância na decisão do eleitorado brasileiro. Atuando pessoalmente para espantar as nuvens carregadas da “tempestade perfeita”, Dilma já conseguiu do Congresso a garantia de que temas espinhosos para as contas públicas não entrarão na pauta nem neste ano nem em 2014. De mesmo modo, aproximando-se do setor produtivo, atua para espantar o desânimo e a insatisfação com o seu governo por parte do empresariado. Nesta quarta, em artigo publicado na Folha, Delfim Neto reconhece que Dilma “quebrou o gelo com o empresariado”.

    Nesta quarta, ela deve ter mais um motivo para sorrir, com o esperado sucesso no leilão de concessão da BR-163, no Mato Grosso.

    http://www.brasil247.com/pt/247/poder/122051/Dilma-espanta-crise-e-se-mostra-cada-vez-mais-leve.htm

     

  11. “É preciso entender as redes e as ruas”

    Para Laymert Garcia dos Santos, professor de Sociologia da Unicamp, o conflito de classes, em escala global, começa a acontecer no meio digital. E parte da esquerda ainda não percebeu o potencial politizador que se encontra ali

    Por Glauco Faria e Igor Carvalho

    Da Revista Fórum

    “O caso Snowden é o último elo de uma cadeia que vem vindo de várias outras que já entenderam o enorme potencial das redes, de politizar as questões simplesmente pela circulação dos fluxos de informação. Por quê? Porque se o Estado e o mercado podem saber tudo sobre a população, explorando isso do ponto de vista do controle, por outro lado os movimentos também podem.”

    A ponderação é de Laymert Garcia dos Santos, doutor em Ciências da Informação pela Universidade de Paris VII e professor titular do Departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, e remete à importância de se debater o funcionamento das redes e sua relação com as ruas, algo que veio à tona com as manifestações de junho no Brasil.

    Para Laymert, o advento do Wikileaks fez com que se prestasse mais atenção sobre quais informações as elites gostariam que não fossem reveladas. “O conflito de classes, em escala global, começa a acontecer nas redes, porque existe uma política de controle e hierarquização da informação nas redes, e, do outro lado, há gente trabalhando para a desobstrução dos canais”, afirma. “E isso é democracia, porque se você começa a fazer todo o fluxo de informação passar, as pessoas ficam sabendo o que os de cima não querem que elas saibam.” Confira abaixo a entrevista.

    Fórum – Como o senhor enxergou as manifestações de junho, principalmente o envolvimento delas com as novas tecnologias?

    Laymert Garcia dos Santos – As manifestações de junho foram uma grande surpresa para mim porque, pouco menos de um mês antes das manifestações, fiz uma palestra na PUC e introduzi dizendo que tenho 65 anos, mas gostaria de ter 30, porque achava que essa nova geração, no Brasil sobretudo, tinha uma oportunidade como nunca tivemos na história. O país entrou no mapa, aconteceu com a era Lula uma transformação social, com a inclusão de 40 milhões de pessoas, mas também por conta de uma política externa e cultural muito diferente do que tinha havido anteriomente. Isso abriu uma oportunidade nova de o país buscar o rumo que tinha tentado em 1964, mas, enfim, é a primeira vez que estávamos na cena mundialmente, e isso muda tudo.

    Queria ter 30 anos hoje porque pela primeira vez não precisamos dizer “sim, senhor”, e isso dá para as novas gerações, e para o futuro, uma abertura inédita na história brasileira. Um pouco mais de um mês depois vieram as jornadas de junho, aí pensei: “Ou estou completamente fora de sintonia sobre o que está acontecendo, ou aquilo que estava dizendo continua valendo de alguma maneira, mas preciso entender o que é esse descontentamento e isso que está acontecendo nas ruas”.

    Fiquei muito dividido quando as jornadas começaram. Embora entendesse completamente a posição do MPL [Movimento Passe Livre] e achasse que essas reivindicações todas que apareceram nas primeiras manifestações eram justas, por mais direitos, elas tinham uma coloração que me incomodava. E me incomodava porque não conseguia situar politicamente ali. Mas por que isso? Porque tinha a memória dos anos 1960. Como havia uma juventude tão descontente se existia, na história recente, uma transformação tão grande? E dava para perceber, na universidade mesmo, que a politização era muito baixa, via isso entre os jovens.

    À medida que o tempo foi passando, como todo mundo, fui tentando entender o que estava acontecendo, mas sobretudo buscando compreender o papel das redes sociais. Comecei a achar que havia uma certa esquizofrenia no movimento, e essa esquizofrenia aparecia da seguinte maneira: eram reivindicações que, em geral, pertencem ao campo da esquerda, por mais democracia e direitos, portanto, no campo da esquerda, mas que quando chegava na hora das manifestações, as reivindicações eram verbalizadas com um tom que, no meu entender, era pautado pela mídia, em especial a questão da corrupção do modo como a mídia tinha trabalhado em demasia nos últimos anos.

    Chamei de esquizofrênico por isso. De um lado, você tem as reivindicações de esquerda, por direitos, mas ao mesmo tempo com uma linguagem mista e que permitiu, inclusive, uma tentativa de recuperação das jornadas pela direita. Para mim, essa esquizofrenia se duplicava na relação entre novas tecnologias e velhas mídias, porque mostrava a permeabilidade dos jovens à mídia tradicional e à oposição programática que essa mídia tradicional tem com relação aos governos de esquerda. Ela [mídia tradicional] é francamente reacionária e francamente conservadora, considero que se trata praticamente um partido organizado. Por outro lado, há uma utilização das novas tecnologias de uma maneira muito contemporânea e de certo modo bem generosa, de esquerda, mas também misturada com essa coisa de redes sociais. Apesar de saber utilizar muito bem essa mídia para se mobilizar, a juventude não a usava para se informar.

    Penso que essa perspectiva não esteja invalidada mesmo com o passar dos meses de julho e agosto, ainda que tenha surgido um fantasma de uma possível recuperação das ruas pela direita. Contudo, esse fantasma passou, e de certa maneira não colou, apesar de em algum momento ter havido uma dubiedade bastante grande que fez com que muita gente da esquerda se espantasse, sobretudo quem viveu 1964, aquela coisa de “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” etc. Um outro aspecto importante diz respeito ao envelhecimento do discurso politico tradicional e da própria mídia, apesar do efeito que causou sobre os manifestantes, em lidar com o assunto. O caráter jurássico da televisão e dos jornais para lidar e cobrir os assuntos ficou evidente. Isso foi um dos efeitos positivos dessa história, por exemplo, se a Globo tem que pedir desculpas, não importa se é hipócrita ou não, é porque alguma coisa aconteceu e arranhou a imagem dela.

    Se a Globo começa a pensar que ela precisa ter o Fernando Meirelles para diretor-geral, é porque eles sentiram, com as jornadas de junho, que de repente a linguagem, o modo de abordar ficaram visivelmente superados, e para mim o ponto onde isso apareceu com mais vigor foi na incapacidade de sequer entender o que aqueles meninos do Mídia Ninja queriam dizer. Tentaram criminalizá-los, dizer que era uma mídia chapa-branca, que recebia verbas públicas… O que aconteceu de fato ali, que foi bem importante, é que as repostas deixavam claro que tinha uma outra lógica funcionando, inclusive de trabalho em rede, de cooperação e de colaboração, que escapava do esquema empresarial.

    Um dos fatores importantes das jornadas é que houve um update da juventude em relação a uma série de questões, entre elas a redescoberta da rua, que depois vai aparecer nessa espécie de fragmentação de manifestações e reivindicações. Fragmentação que não acho ruim, pois é interessante que as pessoas saibam que elas podem – já podiam, mas não sabiam que podiam – se mobilizar.

    A questão da rua mudou, mas houve uma politização que começa a acontecer em relação aos próprios meios digitais. Se a passagem do Fora do Eixo para a Mídia Ninja acontece nesse momento não é por acaso; o que antes era uma prática cultural passa a ser uma prática cultural e política ao mesmo tempo, porque abrange uma compreensão sobre fazer política de um outro modo.

    Fórum – Essa questão não está ligada justamente a esse caráter esquizofrênico? Às vezes as pessoas foram lá pautadas pela mídia tradicional mesmo sem saber, e, quando aparece um microfone da Globo, rejeitam essa mesma mídia tradicional. Hoje, observamos que as coberturas ao vivo das manifestações são feitas de cima, de prédios ou helicópteros ou de jornalistas sem identificação, enquanto outras mídias estão no chão, em meio à multidão…

    Laymert – Por isso disse que era esquizofrênico. Por um lado, aquilo que era reivindicado era uma pauta de esquerda, mas a linguagem ainda estava ligada a uma cabeça permeável a essa mídia, e uma das coisas boas que aconteceu é que houve uma politização aí, com relação à própria mídia, e uma distância desse discurso que era um modo de expressão dominante, sobretudo da classe média. Tem várias nuances, quando falo das manifestações, me refiro às grandes que aconteceram nas cidades maiores, que pegavam uma faixa grande de classe média. Porque, desde o começo, se você observava o que se dizia na periferia é “aqui a bala não é de borracha”. Essa foi uma das primeiras coisas que apareceu em relação à repressão policial no centro, a crítica sobre o papel da polícia, o quanto a PM é uma herança da ditadura e a necessidade de se discutir essa questão e modificar a forma como é pensada a segurança…

    Fórum – Existe uma ruptura também no discurso da imprensa, que chegou a defender em editoriais a repressão e, quando seus repórteres foram atingidos pela polícia, passaram a adotar outra postura.

    Laymert – Foi aí que se tornou impossível a repressão das manifestações. Enquanto você está fazendo isso na periferia, tudo bem, não pode fazer onde estão os “nossos filhos”… É como já se disse em relação ao nazismo, enquanto solução de extermínio, genocídio, era feita nas colônias, tudo bem, mas fazer isso no coração da Europa não dá. A lógica é a mesma.

    Fórum – No debate que o senhor participou na USP o senhor falou sobre “vandalismo seletivo”…

    Laymert – Houve num certo momento uma tentativa de se fazer uma distinção os manifestantes, havia os “palatáveis”, como aquele que se enrola na bandeira e a Vejavai fotografar como se fossem os verdadeiros manifestantes porque estão lutando contra a corrupção, tentando fazer colar no governo do PT o carimbo da corrupção, uma questão classe média. Do ponto de vista conservador havia essa distinção, de um lado, há o bom manifestante; do outro, o mau, que é o vândalo, indistinto, é todo mundo que quebra alguma coisa. Conversando com gente que conhece a periferia, os manifestantes que vinham de lá, percebi que havia uma diferença entre os chamados “violentos”, e que não era possível colocar todos no mesmo bloco. Havia agentes provocadores que entravam nas manifestações e que procuravam atingir as instituições, mas com quebradeiras indiscriminadas, e aqueles que chamei de ”destruidores seletivos”, que queriam atingir os símbolos do capital, não estavam atacando qualquer coisa, mas visavam agências de automóvel, bancos e alguns símbolos do capital global, retomando um pouco o que acontece desde Seattle [em 1999].

    Fórum – Nas primeiras edições do Fórum Social Mundial, não era incomum ver a polícia protegendo o McDonald’s, ou seja, protegendo o patrimônio.

    Laymert – A questão do patrimônio… Lembro que um dos grandes “escândalos” em uma das primeiras manifestações foi o ataque a uma agência de automóveis, no mesmo dia em que houve uma intervenção militar na Maré, em que morreram nove pessoas. E o escarcéu foi em torno da agência de automóveis. Se tem, por um lado, uma espécie de violência seletiva, por outro tem de ser sempre lembrado que a questão do patrimônio é mais sacrossanta na visão da mídia tradicional e dos conservadores, e a vida das pessoas, não. Na Maré, ninguém levantou o dedo para apontar que havia ocorrido um verdadeiro massacre.

    São essas nuances que é preciso observar para não condenar a violência em bloco, porque existe um certo tipo de violência compreensível e talvez até defensável. Entendo perfeitamente porque ouvi relatos de pessoas que conheciam jovens de periferia que participaram de algumas das ações de violência e que estavam dando o troco por aquilo que recebem todo dia na periferia.

    Quando existe um momento em que se pode revidar no centro da cidade, entendo, porque sabemos como a periferia é tratada por governos como o do Alckmin, em São Paulo, ou no Rio de Janeiro. A gente sabe como é.

    A questão da segurança precisa ser rediscutida, e por isso gostei da capa da Fórum [125] que dizia: “Polícia não pode ser militar”, fazendo uma dissociação que é fundamental. Muito das outras impunidades são herança de uma impunidade na qual existe uma categoria de cidadãos que está acima da lei, e não é só o agente do grande capital, mas está representada no exercício da violência aberta contra a população. Enquanto não houver uma discussão de fundo sobre a violência que é exercida contra os índios, desde 1500, um genocídio… Tem de colocar esse pacote em cima da mesa, assim como o pacote da Lei de Anistia, é necessário responsabilizar aqueles que na ditadura torturaram, essas pessoas têm de ser punidas. É preciso colocar a questão da segurança mostrando que a polícia não pode tudo, porque também tem de obedecer à lei. Enquanto não acabar essa impunidade, acho difícil que as outras impunidades acabem, porque já se estabelece que há gente que está acima da lei e gente que tem de obedecê-la. Não é possível dizer que se está em uma democracia política, e não estou nem falando social e econômica.

    Fórum – Ou seja, essa seria talvez uma das principais questões a ser tratada, também decorrente das manifestações, começarmos a remover esse entulho autoritário?

    Laymert – Sim, temos de começar a remover esse entulho autoritário, para além das reivindicações específicas. Essa é uma questão de fundo, e temos de levar até o fim o tema da segurança, o genocídio contra os índios… E a outra questão é a das mídias, da mídia velha que ficou patente, e isso é patente, e a relação da juventude com as novas tecnologias. Isso precisa ser trabalhado.

    Fórum – Os manifestantes não aceitam, por exemplo, a Rede Globo nas manifestações, mas os marcos regulatórios das comunicações e da internet ainda não se tornaram bandeiras ativas nas ruas.

    Laymert – Quando comecei a ver algumas manifestações de “Fora Globo” e depois, ainda, manifestações na frente da emissora, paralelamente corria o caso do [Edward] Snowden. No início as questões estavam totalmente dissociadas e depois se juntaram, comecei a prestar mais atenção nele do que no outro pedaço, porque percebi que aquilo era histórico. Quando começaram as manifestações na porta da Globo, comentei aqui em casa: Será que não era mais importante haver manifestações pelo marco regulatório? Será que é mais importante atacar a mídia velha ou já assumir a discussão da regulação das novas mídias, porque é com elas que está o futuro, não está com a imprensa escrita e nem mesmo com a televisão. Será que não é na questão das redes que estaria a questão principal e a briga do marco regulatório? Até porque existem setores do governo que são bastante permeáveis aos interesses das teles, da televisão tradicional, que estão, inclusive, emperrando no Congresso a votação dessa lei.

    Fórum – Existe em vários setores do governo…

    Laymert – Claro. Mas parecia que ainda não era pauta, e de certo modo ainda não se tornou uma pauta política dos jovens, e aquele momento era muito importante para se tornar uma pauta dos jovens, porque juntou tudo quando as revelações do Snowden chegaram aqui, e principalmente quando a presidenta da República tem sua comunicação espionada. Não dá mais para invocar a explicação que eles deram, de que o motivo da bisbilhotagem era só por razões de terrorismo. Torna-se absolutamente necessário um marco que regule a internet, que seja pela proteção da privacidade e que possa se estabelecer uma política digital, necessária até por questões de soberania.

    Por outro lado, é preciso que haja uma pressão da sociedade civil e sobretudo dos jovens no sentindo de entender que a questão da defesa da privacidade é política, e é extremamente importante não para você colocar sua fofoca em dia pelo Facebook, o que precisa se defender é uma outra lógica de operação em rede. Essa lógica, de certa maneira, já vem sendo trabalhada no Brasil desde o começo do governo Lula, o Ministério da Cultura do Gil tinha uma estratégia em relação a isso, unir diversidade cultural e cultura digital. Por que isso? Justamente por ser potência com potência. Potência das novas tecnologias com uma potência de uma cultura popular forte que existe no Brasil, mas que não encontra canal, porque os canais estão estrangulados e dominados por uma produção cultural que não é feita para a população. Ou ela é feita para a elite ou é feita com o objetivo de massa e de indústria cultural, de exploração comercial. Mas a riqueza da cultura popular não é engatada positivamente de tal maneira que possa se desenvolver e criar condições não só para a ampliação, inclusão cultural, mas para que esses jovens possam encontrar uma inserção social através da produção de cultura. O Gil viu isso muito claramente e fez disso uma estratégia, reconhecida internacionalmente, porque nós éramos um dos países que estavam na ponta na relação entre cultura e tecnologia, e na ponta do entendimento da possibilidade que o digital traz, inclusive na política, trabalhando na lógica cooperativa, daquilo que escapa da propriedade intelectual, do software livre, do Commons. Não é por acaso que o sujeito que inventou o “www” [Tim Berners-Lee] disse que o marco regulatório brasileiro, se aprovado, será o mais avançado do mundo na questão da proteção das liberdades individuais. Por que ele é o mais avançado? Justamente porque já tem um caldo cultural, conversei com alguns desses grandes advogados americanos que trabalham na questão do Creative Commons, do software livre, e eles achavam que tem uma política de ponta no Brasil, uma elaboração feita… Depois que entrou o governo Dilma, isso deu uma arrefecida, veio a Ana de Hollanda [ex-ministra da Cultura], que foi um retrocesso e ainda estamos em processo de retomada. Dá para entender o que eu digo? Agora, com o fato de os americanos terem feito o que fizeram [espionagem na NSA], temos uma oportunidade de ter uma política de Estado que é crucial, porque é o futuro. A questão do digital é o futuro, não tem volta. Se não estivermos preparados para isso, não estamos preparados para essa autonomia que estamos começando a desenhar, que começou há dez anos, em 2003, e é nessa autonomia relativa que temos de navegar. E pude perceber porque acompanhei de perto, nas ações do Ministério da Cultura, que existia uma sintonia forte entre a nova diplomacia brasileira e o que era a visão estratégica de cultura do Gil. Um entendimento forte em relação a qual era o papel do Brasil na América Latina, seu papel no mundo, que diferença poderíamos fazer, já existe um pensamento no Brasil, uma prática e um conhecimento acumulado que permite que isso tenha vazão, e essa luta da cultura e da tecnologia precisa ser reconhecida como pauta mesmo.

    Fórum – Dentro dessa sua ideia de entender o digital como o futuro e remetendo um pouco às manifestações. Nós tínhamos esse setor do Gil, com o Juca Ferreira, no governo Lula, que tinha esse entendimento muito claro do papel da tecnologia aliada à cultura. Mas as manifestações também não mostraram para certos setores que estão analógicos demais? Ou seja, nossos partidos de esquerda, muitos sindicatos e movimentos sociais não tratam desse tema ainda.

    Laymert – Concordo plenamente com a análise que você faz, tem uma questão que para mim é complicada, a incapacidade que governos do PT tiveram em lidar com a questão da mídia. De certo modo, ela permaneceu intocada, até quando houve momentos em que alguma coisa de mais forte poderia ter sido feito, quando a Globo fez uma aposta errada no mercado financeiro e entrou em uma situação de crise. Ali havia um flanco aberto, mas o governo Lula foi lá e bancou, sem colocar condições.

    Isso continua até hoje. Em parte, isso se deve ao fato de a esquerda brasileira nunca ter feito a crítica de fundo da mídia. E nem da tecnologia. A posição de esquerda de partidos, sindicatos etc. é de que os meios são neutros e tudo depende de quem se apropria dessa técnica e, portanto, quando chegar o momento de a esquerda estar no poder, se faz uma inversão de signos. Isso é o máximo que a esquerda pensou sobre essa questão, e há muitos anos venho pensando e batalhando por um outro entendimento, porque não é possível você considerar a tecnologia como algo meramente instrumental, quando ela modifica completamente todos os tipos de relação. A tecnologia, sobretudo depois da virada cibernética, mudou a vida, o trabalho e a linguagem. Ou seja, mudaram as relações. Nessas condições, se você não fizer uma crítica de fundo, vai acabar fazendo aquilo que critica em seu adversário, vai fazer isso achando que colocou um conteúdo de esquerda, mas as práticas serão as mesmas. Assim, vai ser tão manipulatório e antidemocrático quanto antes e, de certo modo, desconhecendo o próprio potencial que a tecnologia traz.

    Por exemplo, voltando um pouco, há uma questão que me espantou, que mostra como se pode ao mesmo tempo estar no jogo não sabendo que se está no jogo. Nas grandes manifestações, em junho, todo mundo se volta para o Estado para ver qual será a reação deste Estado. A Dilma vai para a televisão e faz uma proposta de uma Assembleia Constituinte específica para a reforma política. Ela deu uma resposta política que era absolutamente crucial, porque respondeu a uma demanda de poder dos movimentos nas ruas, com algo que ampliava a participação em poder, já não seria o Congresso o ator principal dessa operação. E foi interessantíssimo, bastante elucidativo, porque, ao fazer essa proposta, os conservadores e a classe política inteira se mobilizaram para boicotá-la, primeiro para transformá-la em um plebiscito para que nada acontecesse. Esses setores estão no seu papel, quem não está em seu papel são os manifestantes, que pediam mais poder e, quando você tem a autoridade máxima do Estado acenando e dizendo: “Vamos nessa?”, o outro lado não responde. Não houve manifestações para isso e nem um entendimento sobre o que significava esse gesto. Ouvi gente dizendo: “Ah, mas era um cálculo político”. Não importa. As ruas emitiram um sinal, e a Dilma emitiu um outro sinal em resposta num sentido de ampliação da democracia como nunca havia acontecido. Os setores da direita imediatamente souberam ler o que estava em jogo, e os manifestantes não souberam. Por quê? Despolitização? Não souberam avaliar? O que aconteceu? Isso me fez pensar que as reivindicações do movimento são restritas, de certa maneira têm um certo fôlego, que não é muito grande, e sendo atendidas algumas reivindicações, você consegue esvaziar. De qualquer maneira, se perdeu uma oportunidade naquele momento, havia uma abertura para uma potência, que não se concretizou.

    Para mim, essa perda de oportunidade diz muito sobre a leitura de campos de forças e do entendimento sobre o que é este jogo de forças. Em relação às novas tecnologias, para o PT, para os sindicatos e movimentos sociais, ainda não caiu a ficha da sua importância e que isso pode ser trabalhado de uma outra lógica, colocando em xeque políticas de controle global. O caso Snowden é o último elo de uma cadeia que vem vindo de várias outras que já entenderam o enorme potencial das redes, de politizar as questões simplesmente pela circulação dos fluxos de informação. Por quê? Porque se o Estado e o mercado podem saber tudo sobre a população, explorando isso do ponto de vista do controle, por outro lado os movimentos também podem, e isso o Wikileaks começou a fazer, a prestar atenção sobre quais informações os super-ricos querem suprimir. O conflito de classes, em escala global, começa a acontecer nas redes, porque existe uma política de controle e hierarquização da informação nas redes, e, do outro lado, há gente trabalhando para a desobstrução dos canais. E isso é democracia, porque se você começa a fazer todo o fluxo de informação passar, as pessoas ficam sabendo o que os de cima não querem que elas saibam. É o que está acontecendo com o Snowden de novo. Isso a própria tecnologia permite como a lógica de funcionamento em rede auxilia na distribuição da informação. O que as pessoas não entendem de jeito nenhum é que a informação é a diferença que faz a diferença, e também é o valor do capitalismo contemporâneo.

    Quando a informação se tornou valor, e isso começou na década de 1970, a questão se colocou: “Como ganhar dinheiro com a informação?”. Porque a informação não tinha preço. Foi reelaborada e inventada uma coisa que se chama direito de propriedade intelectual, que não é só uma extensão do direito autoral e do direito de invenção da propriedade industrial, é muito mais do que isso. É o que alguns especialistas chamam de “a última enclosure”, o último cercado que começou na Inglaterra com o começo do capitalismo, quando se cercou a terra. Agora vamos criar um que vai cercar essa unidade mínima que é a diferença que faz a diferença, para garantir a exploração desse valor como unidade mínima, e, ao mesmo tempo, com um alcance global. A lógica das redes, de seu funcionamento e aperfeiçoamento, é colaborativa, e, sendo colaborativa, ela escapa, é da sua própria lógica que as informações circulem. Se não circulam é porque começam a colocar gargalos para cercar e fazer a captura dentro do sistema que permite que isso vire uma propriedade. A esquerda ainda não entendeu o alcance que isso tem como luta política. Se pegarmos, por exemplo, esse sistema anglo-americano de espionagem, porque são americanos, mas os ingleses estão acoplados, como eles chamam as primeiras operações por meio desses sistemas? Vão dar os nomes das primeiras batalhas imperialistas, tanto dos EUA quanto da Inglaterra. Por quê? Porque começou, em outro plano, um outro tipo de imperialismo, e se você não estiver preparado para lutar neste outro plano, como vai perceber o que está em jogo? Existe uma guerra, hoje, no mundo digital, mas é real também porque a dimensão virtual da realidade é tão real quanto a física. Mas a ficha ainda não caiu que esse conflito está lá, e é claro que isso precisa ser entendido, se tornar uma questão política de ponta. Ainda não vi as pessoas se mobilizando para defender o marco regulatório da internet; inclusive, se a gente fizer isso, ou vier a fazer num futuro próximo, vamos ser modelo para outros países que estão com o mesmo problema. Mas precisamos fazer.

    Não se faz democracia sem informação, e a maneira de fazer democracia atualmente é expondo, para os ricos, aquilo que eles fazem para o resto da população. Se eles podem fazer tudo e levantar tudo sobre a população, e estão o tempo inteiro se protegendo e protegendo essa informação, sobretudo para destruir aquilo que não deve ser conhecido, os caras que aparecem, de certa maneira, e levantam esse movimento, mostram como essa lógica de captura funciona, estão trabalhando para uma desobstrução de canais, algo absolutamente fundamental. Só pela desobstrução de canais e por uma luta entendendo o que é a propriedade intelectual e o que é fechar a informação para uma apropriação é que você vai poder lutar no futuro, porque não se pode mais voltar para trás. Quando se observa a geração de agora, de 20 anos, eles não conseguem nem lembrar, aliás, nem conseguem saber o que é o mundo sem internet. Nós também não. Algum de nós consegue viver sem internet? Claro que não.

    Fórum – Esse campo, esse fluxo das redes, já se constituiu num campo de batalha para as grandes potências, para o grande capital também, mas muita gente, inclusive da esquerda, ainda não captou isso. A gente pode dizer hoje que as redes e as novas tecnologias são essa nova expressão da luta de classes, só que ninguém enxergou ainda?

    Laymert – Não é que há um determinismo tecnológico, não é essa a questão, se essas máquinas existem é porque as forças produtivas se desenvolveram a ponto de criar essas máquinas. Mas elas colocam a luta política em outro patamar, e esse outro patamar não pode mais deixar de ser levado em conta porque a luta vai se passar lá. Não só lá, mas não é possível entender as ruas hoje, no Brasil e em outros países, sem entender o binômio redes e ruas, com suas especificidades. O modo como o movimento se dá nas redes não é exatamente o mesmo que se dá nas ruas, a relação rede-rua é que tem de ser pensada junto, na sua articulação, e isso é política. Chamo isso de tecnopolítica porque não é mais possível pensar a política sem a tecnologia junto. Estamos vendo agora na política internacional, em que se discute aquilo que se passa nas redes.

    Fórum – Mas ela ainda é excludente…

    Laymert – Claro que é excludente, e se você quiser expandir a democracia política no país, tem de ter banda larga pra todo mundo e com preço acessível, mas tem de ser uma política de Estado. Já devia haver uma diretriz nesse sentido, porque o acesso às comunicações no Brasil é muito caro, não só a banda larga como a telefonia celular é extremamente cara para uma qualidade ruim, a relação qualidade-preço é absurda, e isso revela que existe muito caminho para ser trilhado aqui. É preciso garantir o acesso para a população, mas também trabalhar a educação digital dessas pessoas, e acho que foi isso que o Gil sacou, que podia fazer uma relação entre riqueza cultural e um povo sem acesso. O mais importante é abrir canais novos, e o potencial que a pessoa tem na periferia encontra uma maneira de realizar aquilo, não se torna só um consumidor de uma cultura que vem de cima para baixo. É uma diferença enorme. E até a dependência em relação à mídia velha vai sendo cada vez menor.

    Fórum – Em relação à educação, existe também a questão do trabalho imaterial, que começa a ganhar importância; não sei se é possível isolar, mas como isso modifica a luta dos trabalhadores, dos sindicatos e como entra a questão educacional nesse sentido?

    Laymert – A virada cibernética começou nos anos 1950 nos laboratórios, e nos anos 1970, as máquinas inteligentes começaram a entrar, com os computadores pessoais, em todos os setores, na vida social, na produção, em tudo. Houve uma alteração que é crescente, e cada vez mais profunda, da vida e do trabalho das pessoas, afetou o modo como se trabalhava, instaurando o que muitos chamam, inclusive, de crise da sociedade de trabalho. Porque as máquinas começaram a substituir não só a força física, como era no século XIX, com as máquinas a vapor substituindo quem fazia a força motora, mas passou a fazer todo tipo de trabalho que não é o de invenção, que a máquina não é capaz de criar ela própria. Fora esse trabalho, a substituição do trabalhador pela máquina é cada vez maior, tanto que vemos, desde que isso começou, um paradoxo enorme no qual todos os governos do mundo dizem que precisam aumentar o nível de emprego, e fomentam políticas que substituem os humanos pelas máquinas. Você diz o tempo todo que vai lutar pelo aumento do emprego e, ao mesmo tempo, implanta uma política que elimina o trabalhador e põe uma máquina no lugar dele.

    Claro que não é culpa das máquinas, e sim das relações sociais, pois se elas ocupam o lugar dos humanos, eles poderiam ser liberados e preparados para fazer o trabalho que elas não podem fazer. Mas esse desenvolvimento é usado contra o trabalhador, fazendo com que antes ele fizesse uma greve por melhores condições de trabalho e depois da era cibernética, que ele pedisse pelo amor de Deus pra trabalhar. Essa mudança é o que os especialistas chamam de crise da sociedade do trabalho. Hoje a precarização é tal que você luta para manter o seu trabalho. Ao mesmo tempo, essa nova situação cria condições para que outro tipo de trabalho possa acontecer, de caráter colaborativo, escapando dessa lógica.

    É necessário que os sindicatos, os trabalhadores discutam isso, quais são as positividades que podem ajudar para não transformar isso em um ludismo, uma briga contra a máquina. Por outro lado, tem de haver uma educação que já integre essa frente de transformação digital porque o mundo se transformou em algo no qual a dimensão digital é incontornável, e é preciso que a população seja educada pra isso. Qual o problema principal depois que você consegue o acesso? É que é necessário ter uma educação para que, dentro daquele fluxo gigantesco de informações, você possa ter parâmetros para discriminar a informação que vai ser boa para você. Não é só o acesso físico, se não tiver critério para se politizar dentro disso, por exemplo, você vai usar a máquina como uma televisão. Usa 1% dela, e no que ela tem de pior.

    http://revistaforum.com.br/blog/2013/10/e-preciso-entender-as-redes-e-as-ruas/

  12. apertem o cinto, o helicóptero sumiu!

    Deputado Gustavo Perrella vai prestar depoimento à Polícia Federal

    Além dele, sua irmã Carolina Perrella Amaral Costa e um primo, André Almeida Costa, sócios da Limeira Agropecuária Ltda, serão interrogados

     

    Alessandra Mello

    Daniel Camargos –

    Publicação: 27/11/2013 06:00 Atualização: 27/11/2013 07:26

     

     

    O deputado Gustavo Perrella confirma ter indicado o piloto da aeronave para cargo na Assembleia e diz que vai pedir exoneração

     

     

    O deputado estadual Gustavo Perrella (SDD) terá que prestar depoimento à Polícia Federal nos próximos dias. Além dele, sua irmã Carolina Perrella Amaral Costa e um primo, André Almeida Costa, todos sócios da Limeira Agropecuária Ltda, serão interrogados. A empresa da família Perrella é proprietária do helicóptero Robson 66, apreendido com 443 quilos de cocaína no domingo, em um sítio, na cidade de Afonso Cláudio, no Espírito Santo. A empresa foi criada em maio de 1999, e o senador Zezé Perrella (PDT-MG), ex-presidente do Cruzeiro Esporte Clube, deixou de ser sócio dela em maio de 2008.

     

    Saiba mais…

     Piloto envolvido em tráfico de drogas é funcionário da Assembleia de Minas Advogado de piloto afirma que Gustavo Perrella sabia sobre voo

    O delegado da superintendência da Polícia Federal em Vitória (ES) Leonardo Damasceno informou que além de escutar os representantes da família Perrella vai rastrear o trajeto do helicóptero, para tentar descobrir o caminho da droga. A PF já sabe de quem é a propriedade do terreno onde ocorreu a apreensão, mas não informa.

    O terreno foi vendido no último mês e a escritura ainda não foi transferida. A reportagem do Estado de Minas buscou a informação nos quatro cartórios de Afonso Cláudio e não havia nenhum registro do negócio. De acordo com informações da Polícia Militar, é provável que a propriedade tenha sido colocada no nome de algum laranja.

    ”Os donos do helicóptero terão que explicar os motivos”, afirma o delegado da PF. Segundo ele, será enviada uma carta precatória para superintendência da PF em BH requisitando que os sócios da Limeira Agropecuária sejam interrogados. Até o momento, a responsabilidade pelo transporte da droga está com o piloto da aeronave, Rogério Almeida Antunes, funcionário da Limeira e nos outros três presos com ele.

    A relação do piloto com o deputado é estreita. Rogério é funcionário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nomeado pela terceira secretaria da casa, ocupada pelo deputado estadual Alencar da Silveira Júnior (PDT). ”Esse menino (o piloto) foi indicação do Gustavo Perrella”, se exime Alencar. De acordo com o pedetista, a indicação é reservada ao presidente da Comissão de Turismo, Indústria e Comércio, cargo ocupado por Gustavo Perrella.

    Alencar disse que antes da posse de Rogério, em março deste ano, foram solicitados documentos e não foi encontrado qualquer impedimento para que ele ocupasse o posto de agente de serviços de gabinete, para trabalhar quatro horas por dia, com salário R$ 1,7 mil. O deputado confirmou que o piloto foi indicado por ele para o cargo, pois era de sua confiança, mas pediu que ele seja exonerado do cargo, o que não aconteceu até ontem.

     

  13. O Jornalismo do El País

    EL País vem com uma linha editorial completamente diferente da velha mídia nacional. Ou melhor, El Pais vai começar a incomodar pois está fazendo jornalismo. Traz informações. Artigo cada vez mais raro na imprensa nacional.

     

     

     

    Sete obras desatam o nó que estrangula a economia brasileira

    A conclusão de rodovias e hidrovias no centro-oeste do país pode representar a economia de 2,3 bilhões de reais por ano (1 bilhão de dólares) para os produtores da região

    Aeroportos de Rio e Minas têm leilão de 20 bilhões de reais GRÁFICO Sete obras chave EL País

    Trecho sem asfalto da rodovia BR-163 em Novo Progresso, no norte de Mato Grosso, na semana passada. / Ângela Coradini

     

    O Brasil é o maior produtor mundial de soja, café, suco de laranja e cana de açúcar. Está na segunda posição em carne bovina e na terceira na produção de aves e no cultivo de milho. Todo esse desempenho exuberante se dá apesar da lastimável infraestrutura disponível. Porém, a conclusão e o início de operação de sete obras no coração do país, a região Centro-Oeste, também chamado de Brasil Central e única área ligada geograficamente às outras quatro regiões brasileiras, pode gerar uma economia de 30% no custo de transporte de produtos como soja e milho. Isso pode aproximar o custo de frete nacional ao do norte-americano, que é um terço do brasileiro.

    Ao todo, o investimento estimado nos projetos, que têm previsão de início até o começo de 2015, é de 5 bilhões de reais (2,2 bilhões de dólares). A economia que trariam por ano, porém, é de 2,3 bilhões de reais por ano (1 bilhão de dólares), segundo dados reunidos por EL PAÍS, baseado em pesquisas da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Movimento Pró-Logística do Mato Grosso.

    São elas: as rodovias BR-163, no percurso entre Novo Progresso e Itaituba, no Pará (PA), que não está incluído no leilão que será realizado nesta quarta-feira; a BR-158, da região do Alto do Araguaia, no Mato Grosso (MT), até Marabá (PA); a BR-242, entre Sorriso e Canarana, ambas no MT; e a BR-080, de Ribeirão Cascalheira (MT) a Luiz Alves, em Goiás. Essas estradas servirão para alimentar os sistemas portuários da região Norte. Além delas, é necessária a integração pela Hidrovia Tapajós-Amazonas (PA), na região Norte, a partir da localidade de Miritituba (PA), até a região de Santarém. De lá, as cargas serão levadas a dois portos, que estão sendo ampliados: o primeiro instalado em Vila do Conde, no Pará, e o de Itaqui, no Maranhão, no Nordeste. Os três projetos têm previsão de conclusão em 2014. Quando em operação, cada viagem dos comboios de barcaças pela Hidrovia equivale ao carregamento de 1000 caminhões, que hoje precisam seguir até o porto de Santos, em São Paulo, a 2000 quilômetros de distância.

    A falta de infraestrutura adequada engole parte do lucro que poderia ser revertido em mais investimentos

    Essas obras servem para inverter a rota atual, que prioriza trajetos terrestres irracionais, seja por via rodoviária, seja pela ferrovia Malha Norte, entre Rondonópolis (MT) e o saturado Porto de Santos, em São Paulo. O terminal paulista e o Porto de Paranaguá, no Paraná, ao Sul, são hoje destino de 70% da soja e de 80% do milho do Estado de Mato Grosso. A lógica é aproveitar algo elementar: geograficamente, o escoamento da produção proveniente do paralelo 16 – uma linha imaginária que corta uma área que vai da capital mato-grossense Cuiabá ao norte da Bahia, no Nordeste – tem mais viabilidade econômica pelos portos do Norte do que via Sudeste ou Sul.

    “Da maneira como a infraestrutura está estruturada hoje temos um sistema perde-perde. O agricultor perde parte do que poderia receber por causa do custo do frete. O consumidor acaba pagando mais pelo produto. E quem transporta a carga também perde, pois a gasto de trafegar pelas estradas brasileiras é muito alto”, afirma Seneri Paludo, diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso (Famato).

    O valor pago por uma saca de milho a um produtor na cidade de Sorriso, em Mato Grosso, é de 10,5 reais (4,6 dólares). Já em Cascavel, no oeste do Paraná, o agricultor recebe 18 reais (7,8 dólares). No caso da soja, um agricultor recebe em média 63 reais (27,5 dólares) por saca no Mato Grosso, enquanto no Paraná, que está mais próximo dos portos, o valor gira em torno de 67 reais (29,2 dólares). A diferença de valores reflete a situação desfavorável do agricultor do Centro-Oeste em função da logística desastrosa. A falta de infraestrutura adequada engole parte do lucro que poderia ser revertido em mais investimentos.

    Colheitadeira em lavoura de soja no Mato Grosso. / Felipe Barros/Aprosoja

    Esse quadro torna mais evidente a importância estratégica do Centro-Oeste: de lá, saem 42% dos grãos produzidos no país, o que faz dele uma forte âncora da cadeia do agronegócio, responsável por cerca de 25% do PIB do Brasil. A estrela desse processo é o Estado do Mato Grosso, dono da terceira maior área do País, atrás do Amazonas e do Pará. Nos últimos cinco anos, enquanto o país tropeçava para crescer a uma taxa de 3%, Mato Grosso teve fôlego para disparar sua expansão a uma taxa média anual de 8%. Nos últimos 20 anos, Mato Grosso quintuplicou sua produção e hoje sustenta, sozinho, uma fatia de 22% do mercado de grãos. Os recursos de toda essa pujança ajudaram a formar uma estrutura composta por organizações de pesquisa econômica e de representação política que estão entre as mais ativas do país.

    Mas essa expansão poderia ser ainda maior, como avaliam os líderes das organizações do setor agrícola. “O agricultor acaba freando sua capacidade de produzir pela falta de capacidade do Estado de oferecer uma infraestrutura decente para entregar esse excedente”, diz Décio Tocantins, diretor da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa). O Centro-Oeste é a área para onde, a partir da década de 1970, os agricultores da região Sul começaram a avançar, em busca de novas terras e de um clima mais regular e menos suscetível a quebras de colheitas. Por ter tido uma ocupação tardia, a região é a que mais padece do “apagão logístico”.

    A falta de armazéns é outro dos grandes gargalos que aumenta a precariedade da estrutura de escoamento da produção. Devido ao déficit de espaço, estimado em 65 milhões de toneladas (cerca de 35% da produção total de grãos da última safra), as carretas servem de estoques ambulantes de grãos. Na época de colheita, uma cena triste, que infelizmente se incorporou à rotina brasileira, é a de toneladas de grãos que passam semanas ao relento e, com frequência, apodrecem.

    O agricultor acaba freando sua capacidade de produzir pela falta de capacidade do Estado de oferecer uma infraestrutura decente para entregar esse excedente”, diz Décio Tocantins

    O Governo Federal sinalizou que faria do assunto prioridade, e em agosto deste ano, anunciou um plano de investir 25 bilhões de reais em infraestrutura de estocagem. A ideia é que, durante os próximos cinco anos, 5 bilhões de reais (2,2 bilhões de dólares) em recursos subsidiados a uma taxa anual de 3,5% sejam direcionados a esses projetos. O gesto foi visto com bons olhos pelo setor.

    Até agora, porém, nem um centavo foi liberado. “Os projetos estão sendo analisados e esses recursos devem começar a chegar aos beneficiários até o 2014”, afirmou uma fonte do Ministério da Agricultura responsável pela área.

    “Nós vínhamos pedindo há muitas anos essa linha de crédito. Mas a demora é sempre muito frustrante”, diz Glauber Silveira, presidente da Aprosoja, entidade que representa os produtores de grãos do Mato Grosso.

    Corrigir esses problemas vai determinar se o país deixará esses nós estrangulando seu potencial ou se vai preferir desatá-los, mantendo-se como um potência competitiva no mercado internacional de produtos agrícolas.

     

  14. Nassif, considero muito

    Nassif, considero muito recomendável a discussão das seguintes notícias:

    A primeira, a concessão da BR-163, com teto de pedágio de 2,638/100 km:
    http://economia.terra.com.br/odebrecht-vence-leilao-de-trecho-de-rodovia-em-mato-grosso,b14fd14019992410VgnVCM20000099cceb0aRCRD.html

    A segunda, fazer uma comparação com os preços dos pedágios das rodovias paulistanas, que pode chegar a quase 20 reais/100 km, dez vezes mais.

    http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/9-pedagios-que-doem-no-bolso-dos-motoristas#3

    Razões para tal discrepância?!

     

     

  15. A inacreditável pergunta do

    A inacreditável pergunta do repórter de…. O Globo (quem mais?) para a Dilma.

    Reparem que no texto a pergunta* não tem “dono”.  Foi repetida em mantra por “repórteres” anônimos…

    *Em destaque no texto abaixo

    A resposta de Dilma foi à altura…

     

    ‘O modelo é meu’, diz Dilma sobre plano de investimentos no país

    Presidente afirma que resultado de leilão da rodovia BR 163 é ‘boa notícia’

    A presidente Dilma durante obra do berço 201 do Porto de São Francisco do Sul (SC) Tatiana Farah/Ag. O Globo

    SÃO FRANCISCO DO SUL (SC) – A presidente Dilma Rousseff anunciou como “boa notícia” nesta quarta-feira o resultado de leilão de concessão o trecho da BR 163, em Mato Grosso, vencido pela Odebrecht. De acordo com Dilma, houve um deságio de 52%, resultando em um corte de R$ 3 no preço do pedágio. Ao entregar a obra do berço 201 do Porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, a presidente disse ainda que o país passou 20 anos sem investimentos em infraestrutura e, indagada por repórteres se copiava o modelo de desenvolvimento do PSDB, Dilma respondeu:

    — Na hora de se defender, todo mundo tem o direito de falar o que quer. O modelo, meu querido, é meu. Eu não tenho conhecimento de nenhum investimento dessa envergadura antes do meu governo, antes de 2013. Você me mostra aonde — disse ao repórter.* 

    *aqui os repórteres voltam ao singular…

    Para os participantes do evento, a presidente já havia “alfinetado” o governo tucano afirmando que o país voltava a investir “depois de uma paralisia de mais de 20 anos no Brasil”. Sobre o leilão, Dilma afirmou que o deságio vai ajudar o agronegócio a reduzir custos e ficar mais competitivo, já que a BR 163 é importante para o escoamento de grãos.

    — Foi muito importante o tamanho do deságio e isso produziu uma tarifa de pedágio muito competitiva, se não me engano de R$ 2,80 ou R$ 2,60. Em todo o caso, é algo extremamente importante para o Brasil — afirmou a presidente, que informou que o preço mínimo do pedágio para o leilão era de R$ 5,80 por 100 quilômetros.

    Acompanhada da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, possível candidata do PT ao governo de Santa Catarina, e dos ministros dos Portos, Trabalho e Desenvolvimento Agrário, Dilma inaugurou a obra do porto de São Francisco do Sul, o sétimo maior do país. A obra consumiu cerca de R$ 34 milhões, a maioria recursos federais. Além do porto, a presidente entregou dez caminhões-caçamba e 59 motoniveladoras para 69 prefeitos da região num custo estimado em R$ 26 milhões. Ao lado do governador Raimundo Colombo (PDT-SC), que deve concorrer à reeleição, Dilma levou cerca de 30 minutos cumprimentando cada um dos prefeitos.

    Depois da inauguração, a presidente, os ministros, o governador e outras autoridades participaram de almoço oferecido pelo prefeito de São Francisco do Sul, Luiz Roberto de Oliveira, em um restaurante em um hotel de frente para o mar. Segundo a administração do hotel, 58 pessoas participaram do almoço, em que foram servidos peixes e frutos do mar, a um custo de R$ 95 por pessoa.

     

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