6 comentários

  1. De hoje no EL PAÍS em espanhol…..
    https://elpais.com/sociedad/2020-04-18/ultima-hora-del-coronavirus-en-espana-y-el-mundo-en-directo.html
    Me pergunto o que fazem nossos valorosos milicos e meganhas….É uma enorme oportunidade de mostrarem bravura e heroísmo…….ninguém diz nada?só pra pedir aumento ou baixar o pau em favelado?tocar terror na população?
    trad:
    José Manuel Santiago, Brigadeiro-General e Chefe do Estado-Maior da Guarda Civil: “Ontem foram prestaram serviço 37.500 agentes em cidades espanholas. Foram identificadas mais de 140 mil pessoas, com quase 5 mil reclamações e 16 prisões. Já houve mais de 28.500 serviços de resgate e assistência humanitária de todos os tipos. Por exemplo, nesta semana, houve uma entrega de medicamentos, ou material educativo, ou um resgate de uma mulher em Maiorca que foi reincidente e sofreu um acidente. Foram realizadas 1.608 atividades para proteger as vítimas de violência de gênero”. Santiago conta um episódio em que uma criança ligou para os serviços de emergência em Gran Canaria. Os agentes foram até a casa e prenderam um homem que pode ter sintomas de coronavírus, por isso os agentes foram colocados em quarentena.
    Quatro minutos atrás

    María Pilar Allué, comissária principal e chefe de gabinete da Polícia Nacional: “É importante manter a união. Todos os dias, mais de 20.000 policiais são destacados em cidades espanholas. Existem comportamentos incivilizados, vou dar alguns exemplos. Um homem foi preso em Sevilha, fingindo se mudar, mas na verdade carregando 150 kg de tabaco contrabandeado. Houve um aumento nas sanções propostas: 4 687 foram registradas ontem, o que é mais de 156 mil desde o estado de alarma. Noventa e duas pessoas foram presas ontem.
    11 minutos atrás

    Miguel Ángel Villarroya, Chefe do Estado-Maior da Defesa: Hoje mais de 7.300 soldados estão trabalhando em mais de 200 locais. Mais de 100 casas de repouso foram desinfetadas ontem, num total de 4.125. Hoje está prevista a desinfecção do Ifema, em Madrid, o Merca Madrid e Mercabarna, por exemplo”. Villarroya relaciona as ações da Guarda Real. “Um tributo ao nosso pessoal de saúde”.
    15 minutos atrás

  2. De hoje no EL PAÍS em espanhol…..
    https://elpais.com/sociedad/2020-04-18/ultima-hora-del-coronavirus-en-espana-y-el-mundo-en-directo.html
    Me pergunto o que fazem nossos valorosos milicos e meganhas….É uma enorme oportunidade de mostrarem bravura e heroísmo…….ninguém diz nada?só pra pedir aumento ou baixar o pau em favelado?tocar terror na população?
    trad:
    José Manuel Santiago, Brigadeiro-General e Chefe do Estado-Maior da Guarda Civil: “Ontem foram prestaram serviço 37.500 agentes em cidades espanholas. Foram identificadas mais de 140 mil pessoas, com quase 5 mil reclamações e 16 prisões. Já houve mais de 28.500 serviços de resgate e assistência humanitária de todos os tipos. Por exemplo, nesta semana, houve uma entrega de medicamentos, ou material educativo, ou um resgate de uma mulher em Maiorca que foi reincidente e sofreu um acidente. Foram realizadas 1.608 atividades para proteger as vítimas de violência de gênero”. Santiago conta um episódio em que uma criança ligou para os serviços de emergência em Gran Canaria. Os agentes foram até a casa e prenderam um homem que pode ter sintomas de coronavírus, por isso os agentes foram colocados em quarentena.
    Quatro minutos atrás

    María Pilar Allué, comissária principal e chefe de gabinete da Polícia Nacional: “É importante manter a união. Todos os dias, mais de 20.000 policiais são destacados em cidades espanholas. Existem comportamentos incivilizados, vou dar alguns exemplos. Um homem foi preso em Sevilha, fingindo se mudar, mas na verdade carregando 150 kg de tabaco contrabandeado. Houve um aumento nas sanções propostas: 4 687 foram registradas ontem, o que é mais de 156 mil desde o estado de alarma. Noventa e duas pessoas foram presas ontem.
    11 minutos atrás

    Miguel Ángel Villarroya, Chefe do Estado-Maior da Defesa: Hoje mais de 7.300 soldados estão trabalhando em mais de 200 locais. Mais de 100 casas de repouso foram desinfetadas ontem, num total de 4.125. Hoje está prevista a desinfecção do Ifema, em Madrid, o Merca Madrid e Mercabarna, por exemplo”. Villarroya relaciona as ações da Guarda Real. “Um tributo ao nosso pessoal de saúde”.
    15 minutos atrás

  3. SINTO MUITO, MAS SE VOCÊ ACHA QUE DEPOIS DO CORONA VÍRUS O MUNDO SERÁ “MARAVILHOSO”, PODE TIRAR O CAVALINHO DA CHUVA

    Coronavírus reforçará os laços de desigualdade já inerentes à sociedade, diz pesquisador
    Publicado por Diario do Centro do Mundo – 13 de abril de 2020


    Professor Claudio Bertolli Filho.
    Publicado originalmente pelo JCNet:

    Por Cinthia Milanez

    Pesquisador das Ciências Sociais aplicadas à medicina, o professor adjunto aposentado da Unesp, em Bauru, Claudio Bertolli Filho resolveu sair da “quarentena” que ele impôs à imprensa para contribuir com uma visão mais focada no comportamento humano diante da pandemia do novo coronavírus. Segundo ele, o medo exerce um papel tão devastador quanto a doença em si, afinal, leva à irracionalidade.

    Claudio tem 64 anos e se considera um fumante inveterado, aspectos que o encaixam no grupo de risco da Covid-19. No entanto, ele diz não ter medo da morte. Inclusive, prepara um novo livro sobre o tema.

    Formado em História e Ciências Políticas e Sociais, o livre-docente chegou a publicar outra obra, em 2003, intitulada “A gripe espanhola em São Paulo, 1918: epidemia e sociedade”. A pesquisa lhe dá embasamento para comentar sobre as eventuais coincidências daquela época com o cenário atual. Confira, abaixo, alguns trechos da entrevista.

    Jornal da Cidade – O senhor publicou um livro sobre a gripe espanhola, em São Paulo. Quais são as coincidências desta epidemia com a pandemia do novo coronavírus?

    Claudio Bertolli Filho – Na minha opinião, não podemos comparar a gripe espanhola com a Covid-19. Na época da epidemia estudada por mim, São Paulo possuía apenas 500 mil habitantes e poucos médicos, sendo que muitos deles sequer acreditavam no papel patológico dos micróbios. Talvez, a mídia esteja equiparando um fato ao outro, porque a gripe espanhola foi o primeiro grande surto coberto pela imprensa. No entanto, não sou eu quem está dizendo, afinal, temos livros antigos que tratam disso, qualquer pandemia ou epidemia de proporções mortais avassaladoras funciona como uma opereta, cujos atos se repetem.

    JC – Que tipo de atos?

    Claudio – Em um primeiro momento, você tem a informação de áreas específicas do planeta que conhecem uma nova enfermidade, cujas morbidade e letalidade são altas. O mundo não dá muita importância. Quando a doença começa a se disseminar, acreditamos que nunca chegará até nós. Tão logo ela nos atinge, cada indivíduo pensa que não será infectado. A enfermidade, então, afeta grupos específicos. Em seguida, reconhecemos que qualquer pessoa está suscetível. A partir disso, passamos a seguir as regras vigentes, envolvendo a higiene e a quarentena. Paralelamente, acabamos contaminados por uma segunda pandemia, a do medo. Então, nós temos uma admissão pública da religião ou da proteção divina como uma das estratégias de superação. Outros creem que as epidemias nos deixam mais humanos. Os EUA demonstraram toda a sua humanidade mesmo, ao “confiscarem” EPIs e respiradores oriundos da China.

    JC – Podemos, então, considerar o medo como uma segunda pandemia?

    Claudio – Sem dúvida. Quando eu tenho o medo, namoro com a irracionalidade. Por isso, entram Deus, diabo e, até mesmo, um inimigo em comum, como os comunistas, os pobres ou os chineses, no caso do novo coronavírus.

    JC – Como fugimos disso?

    Claudio – Não dá para evitar, faz parte da existência humana.

    JC – As desigualdades também se tornam mais evidentes?

    Claudio – Em toda epidemia, parte da elite governamental e da população que a apoia acredita que a doença seja superestimada. Apesar disso, as mesmas pessoas defendem a necessidade de ficar em casa e se cuidar. Porém, aqueles que as servem precisam estar sempre a postos. No prédio onde vivo, situado ao lado da Praça Portugal, em Bauru, os seus funcionários continuam trabalhando. Um dos zeladores, mais velho do que eu, se dirige ao supermercado para fazer compras no lugar dos moradores. As relações de classe, portanto, se tornam mais evidentes neste contexto. No livro “A Peste”, o autor cita uma frase que eu acho supimpa: “A peste revela uma sociedade doente”. Esta última palavra não possui uma concepção sanitária, mas comportamental. Qualquer que seja a epidemia, ela mostra as desigualdades sociais.

    JC – Quais são os rumos que uma epidemia pode tomar?

    Claudio – Há três alternativas. Em primeiro lugar, a doença pode circular livremente e matar muita gente. A segunda opção consiste na possibilidade da descoberta de um medicamento eficaz. A terceira, por fim, envolve o processo de mutação gênica do vírus, no caso da Covid-19. Com isso, o organismo tem chances de se tornar menos infeccioso.

    JC – A gripe espanhola deixou alguma herança?

    Claudio – Devido ao trauma causado pela gripe espanhola, a partir de meados da década de 30, os laboratórios de todo o planeta ficaram incumbidos de analisar os vírus das suas respectivas localidades. Em seguida, enviavam os resultados para uma unidade central, que passou pela Inglaterra e pelos EUA. Além disso, já se projetava, em 1918, que, dentro de 100 anos, a mutação do organismo, até então desconhecido, resultaria em uma grande epidemia. O fenômeno, portanto, não é novo. Tanto que eu coloquei tal informação no meu livro, publicado em 2003, mas a minha editora tirou, porque considerou parecer alarmismo barato.

    JC – Em termos de relações sociais, como a sociedade sairá desta pandemia? Algo mudará quanto às desigualdades?

    Claudio – Haverá apenas a manutenção do pré-existente. Provavelmente, teremos uma crise econômica que tornará a luta pela sobrevivência ainda mais doentia. No final das contas, o resultado reforçará os laços de desigualdade já inerentes à sociedade, fato que também aconteceu após a gripe espanhola, a malária, a febre amarela etc.

    JC – Ainda em termos de relações sociais, houve alguma evolução da gripe espanhola para cá?

    Claudio – A epidemia ocorreu em 1918, em São Paulo. Nos anos de 1917 e 1919, antes e depois dela, a Capital Paulista sediou duas grandes greves anarco-operárias. Em ambas as datas, os grupos reivindicavam direitos sociais básicos, incluindo o de nenhum cidadão acabar violentado pela polícia. Será que houve alguma mudança?

    JC – Existem aspectos positivos neste atual cenário?

    Claudio – Eu detesto aquele tipo de discurso, não sei se é o seu, de que precisamos sofrer para nos purificar. Na minha concepção, qualquer situação negativa não traz benefício algum. Muitas pessoas destacam o aumento da solidariedade em épocas como esta, mas tal atitude deveria existir com ou sem crise, principalmente, por parte dos que se dizem cristãos. A pandemia tem a função de jogar na nossa cara dois pontos essenciais: as desigualdades sociais, além das limitações do saber e da prática médica.

    JC – O senhor disse que tem 64 anos e fuma cinco maços de cigarro por dia. Tem medo de ser infectado pelo coronavírus?

    Claudio – Posso ser sincero sem ser trágico? Não tenho medo de morrer. Claro que tomo os cuidados básicos, mas sei que qualquer pessoa pode acabar contagiada.

    JC – Como o senhor se previne?

    Claudio – Praticamente, eu fico em casa. Moro sozinho, mas conto com a ajuda do zelador, do funcionário do supermercado, que faz as compras, bem como do cara que traz o meu cigarro. Se precisar sair, levo máscara e álcool em gel.

    JC – A rotina do senhor mudou muito?

    Claudio – Nunca gostei de sair de casa. Depois da minha última separação, descobri que o meu bem-estar está relacionado a não ter gato, cachorro, mulher, filhos etc. Desde que me aposentei, a minha alegria é manter a rotina. Acordo cedo, tomo café e começo a fumar. Mais tarde, almoço, escrevo, assisto a filmes e leio, em média, um livro por dia.

    JC – O senhor estabeleceu uma “quarentena” à imprensa. Por que aceitou falar conosco?

    Claudio – Já fui chefe de departamento da Unesp, em Bauru, cargo que exigia pontuações. As entrevistas, portanto, preenchiam este quesito. Nos últimos anos, concedi mais de 70 delas a cada 12 meses. E pior: sobre as coisas mais absurdas. Certa vez, um ex-aluno que trabalhava no Acre me ligou para comentar sobre o desmatamento daquele local. Quando me aposentei, decidi parar. Só falei com o JC, porque guardo um carinho muito especial por vocês.

    https://www.diariodocentrodomundo.com.br/coronavirus-reforcara-os-lacos-de-desigualdade-ja-inerentes-a-sociedade-diz-pesquisador/

    PRECISAMOS reler Freud.

  4. EUROPA – A PESTE NEGRA NA IDADE MÉDIA

    https://www.passeiweb.com/estudos/sala_de_aula/historia/peste_negra_na_im

    Considerada castigo divino, a peste negra (peste bubônica) foi uma das maiores epidemias que assolou a humanidade.

    No início de 1330 o primeiro foco da peste bubônica aconteceu na China. A peste afeta principalmente roedores, mas suas pulgas podem transmitir a doença para as pessoas. Uma vez infectada, o contagio a outras pessoas ocorre de maneira extremamente rápida. A peste causa febre e um inchaço doloroso das glândulas linfáticas chamadas de bulbos, daí o seu nome. A doença pode também causar manchas na pele que apresentam primeiramente uma cor avermelhada e então se torna negra.

    Como a China era um das maiores nações comerciais, foi só uma questão de tempo até que a epidemia da peste se espalhasse pela Ásia oriental e pela Europa.

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    Em outubro de 1347, vários navios mercantes Italianos retornaram de uma viagem ao mar negro, um dos elos no comércio com a China. Quando os navios aportaram Sicília muitos dos que estavam a bordo já estavam morrendo por causa da peste. Após alguns dias a doença se espalhava pela cidade e pelos arredores. Uma testemunha ocular conta o que aconteceu:

    “Percebendo que um desastre mortal havia chegado a eles, as pessoas rapidamente expulsaram os italianos de sua cidade. Mas a doença permaneceu, e logo a morte estava por toda parte. Pais abandonavam seus filhos doentes. Advogados se recusavam a sair de casa e fazer testamento para os moribundos. Frades e freiras foram deixados para trás para tomar conta dos doentes e monastérios e conventos logo estavam desertos, pois eles também foram afetados. Corpos foram deixados em casa abandonadas, e não havia ninguém para lhes dar um funeral Cristão.”

    A doença atacava e matava com terrível rapidez. O escritor italiano Boccaccio disse que as vítimas normalmente, “almoçavam com seus amigos e jantavam com seus ancestrais no paraíso.”

    Em agosto no ano seguinte, a peste havia se espalhado ao norte até a Inglaterra, onde as pessoas a chamavam de “A Morte Negra” por causa das manchas negras que ela causava na pele. Um terrível assassino estava solto na Europa, e a medicina medieval não tinha nada para combatê-lo.

    No inverno a doença parecia desaparecer, mas somente porque as pulgas, grandes responsáveis pelo transporte da peste de pessoa para pessoa, estavam dormentes. A cada primavera a peste atacava novamente, fazendo novas vítimas. Após cinco anos 25 milhões de pessoas estavam mortas, um terço da população da Europa.

    Mesmo quando o pior havia passado epidemias menores continuaram a acontecer, não só por anos mas por séculos. Os sobreviventes viviam em medo constante do retorno da peste, e a doença não desapareceu até o século XVII.

    A sociedade medieval nunca se recobrou dos resultados da praga. Tantas pessoas haviam morrido que houveram sérios problemas de mão de obra em toda a Europa. Isso fez com que trabalhadores pedissem maiores salários. No fim do século XIV revoltas de camponeses aconteceram na Inglaterra, França, Bélgica e Itália.

    A doença também cobrou sua dívida na igreja. Pessoas durante a era cristã rezaram com devoção para serem liberados da praga. Por que essas preces não foram atendidas? Um novo período de distúrbio político e questionamento filosófico surgiam à vista.

    Calcula-se que a peste negra tenha matado mais de 25 milhões de pessoas entre 1347 e 1352. Ou seja, a peste bubônica sozinha dizimou cerca de 1/3 da população na Europa em apenas cinco anos. Isso sem contar a imensidão de orfãos e viúvas deixados no rastro da epidemia.

    Um Relato Sobre o Início da Peste

    “No começo de Outubro, no ano 1347 da encarnação do Filho de Deus, doze galeões Genoveses que estavam fugindo da vingança de nosso Nosso Senhor, vingança essa lançada contra seus feitos nefastos, entraram no porto de Messina. Em seus ossos traziam tão virulenta doença que qualquer um que tão somente falasse com eles enfrentaria seus sintomas mortais e logo sucumbiria sem esperanças de evitar a morte. A infecção se espalhou para todos que tiveram intercurso com os doentes. Os infectados se sentiam penetrados por uma dor que se fazia sentir por todo o corpo e, por assim dizer, indeterminada. Então desenvolviam em suas virilhas e em seus braços bolhas pustulentas. Estas infectavam o corpo inteiro e penetravam tão profundamente que o paciente ficava vomitando sangue violentamente. Esses vômitos de sangue se seguiam sem pausa por um período de três dias, sem haver como curá-lo, e então o paciente expirava. Mas não só aqueles que tinham intercurso com eles morriam, mas também aqueles que haviam tocado neles ou em qualquer uma de suas coisas.

    “Em breve os homens se odiavam tanto que se um filho fosse atacado pela doença seu pai não cuidaria dele. Se, apesar de tudo, ele ousasse se aproximar também se contaminaria e estaria marcado para morrer em três dias. E isso não era tudo, todos aqueles habitando a mesma casa que ele o seguiriam à morte. Conforme o número de mortes crescia em Messina muitos desejavam confessar seus pecados aos padres e expressar seus últimos desejos colocando-os em seus testamentos. Mas eclesiásticos, advogados se recusavam a entrar nas casas dos doentes. Mas se algum deles colocasse um pé dentro da casa do doente ele era imediatamente abandonado para a morte súbita. Freiras, Dominicanos e membros de outras ordens que ouviam as confissões dos moribundos eram logo subjulgados pela morte tão rapidamente que alguns nem chegavam a abandonar o quarto do doente. Logo os corpos estavam largados pelas casas. Nenhum eclesiástico, nenhum filho, nenhum pai e nenhum parente ousava entrar, mas pagavam serventes altas taxas para enterrar os mortos. Mas as casas dos mortos permaneciam abertas, com todos os seus pertences, jóias e ouro e todo aquele que decidisse entrar para reclamá-las o fazia sem encontrar obstáculos, pois a praga atacava com tanta veemência que em pouco tempo havia uma falta de serventes e finalmente não havia nenhum.

    “Quando a catástrofe alcançou seu clímax os Messienses se decidiram emigrar. Uma parte deles achou abrigo nos vinhedos e nos campos, mas uma parte maior procurou refúgio na cidade da Catânia, na esperança que a Santa Virgem Agatha de Catânia lhes pouparia de seu mal. Para esta cidade se dirigiu a Rainha da Sicília e de lá convocou seu filho Don Federigo. Em novembro os Messienses persuadiram o Patriarca, Arquebispo de Catânia, a permitir que as relíquias de santos fossem trazidas para sua cidade. Mas a população de Catânia não permitiriam que os ossos sagrados fossem removidos de seu lugar. Agora processões e pelegrinagens se dirigiam a Catânia para se apresentar a Deus, mas a praga atacava com mais veemência que antes. A fuga não era mais uma opção. A doença se escondia entre os fugitivos e os acompanhava por todo lugar onde fossem buscar ajuda. Muitos dos fugitivos caiam nas beiras de estradas e eram arrastados para o campo ou escondidos entre os arbustos para morrerem lá. Aqueles que alcançaram a Catânia tiverem seu último suspiro nos hospitais que haviam lá. Os cidadãos horrorizados demandavam que o Patriarca proibisse que os doentes recebessem uma banição eclesiástica e que fossem enterrados nos arredores da cidade, e então eles eram atirados em valas cavadas do lado de fora dos muros da cidade.

    “A população de Catânia era tão tímida e atéia que ninguém dentre eles ofereceu (aos fugitivos) abrigo. Se alguns grupos em segredo não houvessem ajudado um pequeno número de pessoas de Messina, elas teriam sido abandonadas sem auxilio algum. Mesmo se espalhando por toda a ilha da Sicília, e junto com eles a peste, inúmeras pessoas morreram. Sempre que alguém em Catânia sofria de dores de cabeça e calafrios essa pessoa sabia que estava destinada a morrer dentro do prazo, então saia para se confessar com os padres e para fazer seus testamentos com os advogados. Quando a praga ganhou peso em Catânia o Patriarca delegou a todos os eclesiásticos, até os mais jovens, com todos os poderes sagrados para a absolsão dos pecados que ele como bispo e patriarca possuía. Mas a pestilência continuou atacando de outubro de 1347 a abril de 1348. O próprio patriarca foi um dos últimos a morrer. Ele morreu realizando seu trabalho. Ao mesmo tempo o Duque Giovanni, que havia evitado cuidadosamente cada casa infectada e pessoa doente morreu.”

    A variedade de respostas à praga talvez seja o que melhor nos mostre a natureza da sociedade medieval Européia na Idade Média. Mas quando investigamos as respostas humanas à peste devemos considerar o seguinte: é a natureza humana reagir e responder a diferentes eventos e circunstâncias. Uma boa técnica de entender os complexos eventos é analisar o comportamento humano separando-o em categorias distintas. Essas podem incluir respostas científicas e médicas, políticas, sociais ou religiosas. Essas categorias não são exclusivas e uma coisa pode cair em várias categorias, mas geralmente esse método faz que vários dados sejam organizados de maneira compreensiva.

    Todas as civilizações sempre se preocuparam com a saúde e doenças. Todas tiveram curandeiros de um modo ou outro e forneceram explicações para a ocorrência de doenças. Veja agora os elementos da teoria e prática médica prevalecente na Europa e no Oriente Médio na época da praga.

    Teorias Médicas Medievais

    A teoria médica medieval esteve em grande dívida com os antigos filósofos Gregos e Greco-Romanos. A medicina islâmica não somente se utilizava de práticas antigas, mas os filósofos islâmicos também desenvolveram um sofisticada teoria médica. A medicina européia do século XIV aplicava as tradições antigas assim como as islâmicas. Para a maioria dos europeus existiam três grandes autoridades que representavam essas tradições médicas, Hipócrates, Galen e Avicena.

    Os documentos revelam as teorias médicas envolvendo as causas da peste e seus métodos de tratamento.

    Naquele tempo a peste não se encaixava no conhecimento médico contemporâneo que em sua maioria afirmavam que doenças eram transmitidas através do “ar ruim”, que geralmente possuía um cheiro nauseabundo. Para prevenir que as doenças se espalhassem era comum a terapia de aromas. Isso podia incluir a queima de incensos ou a inalação de fragrâncias, como perfumes ou flores. Isso não afetou o avanço da peste e muitos curandeiros fugiam ao primeiro sinal da doença.

    A denominação “peste negra” para a peste bubônica surgiu graças a um dos momentos mais aterrorizantes da história da humanidade protagonizado pela doença: durante o século 14, ela dizimou um quarto da população total da Europa (cerca de 25 milhões de pessoas).

    De 1348 a 1350, a doença desceu sobre a Europa, trazida da região do Mar Negro por comerciantes genoveses, eliminando de 25 a 35% da população. Muitas aldeias desapareceram provisória ou definitivamente. Cidades tiveram sua população dizimada, como Toulouse na França, que de 30000 habitantes em 1348, contava com apenas 24000 em 1385; Florença, de 110 000 antes da peste, ficou reduzida a 50000.

    A peste atingiu indiscriminadamente campo e cidade, pobres e ricos homens e mulheres adultos e crianças, sendo explicada, pelos cronistas medievais, como sendo castigo de Deus. Eram tantos os mortos que era necessário a abertura de valas comuns, como mostrada na figura, por causa da demanda, que era ainda mais intensa às segundas-feiras.

    Esta epidemia inspirou o livro Decamerão, de Giovanni Bocaccio, que viveu de 1313 a 1375. As cenas que descreve no prólogo do livro se passam na cidade de Florença, na Itália. Eis alguns trechos:

    “A peste, atirada sobre os homens por justa cólera divina e para nossa exemplificação, tivera início nas regiões orientais. Incansável fora de um lugar para outro, e estendera-se de forma miserável para o Ocidente”. “Nenhuma prevenção foi válida, nem valeu a pena qualquer providência dos homens”.

    Assim descreve Bocaccio os sintomas: “Apareciam, no começo, tanto em homens como nas mulheres, ou na virilha ou nas axilas, algumas inchações. Algumas destas cresciam como maçãs, outras como um ovo; cresciam umas mais, outras menos; chamava-as o povo de bubões. Em seguida o aspecto da doença começou a alterar-se; começou a colocar manchas de cor negra ou lívidas nos enfermos. Tais manchas estavam nos braços, nas coxas e em outros lugares do corpo. Em algumas pessoas as manchas apareciam grandes e esparsas; em outras eram pequenas e abundantes. E, do mesmo modo como, a princípio, o bubão fora e ainda era indício inevitável de morte, também as manchas passaram a ser mortais”.

    Retrata, a seguir, a situação de caos que se instalou na cidade:

    “Entre tanta aflição e tanta miséria de nossa cidade, a autoridade das leis, quer divinas quer humanas desmoronara e dissolvera-se. Ministros e executores das leis, tanto quanto outros homens, todos estavam mortos, ou doentes, ou haviam perdido os seus familiares e assim não podiam exercer nenhuma função. Em conseqüência de tal situação permitia-se a todos fazer aquilo que melhor lhes aprouvesse”.

    Uma das maiores dificuldades era dar sepultura aos mortos:

    “Para dar sepultura a grande quantidade de corpos já não era suficiente a terra sagrada junto às Igrejas; por isso passaram-se a edificar Igrejas nos cemitérios; punham-se nessas Igrejas, às centenas, os cadáveres que iam chegando; e eles eram empilhados como as mercadorias nos navios”.

    Em Avignon, na França, vivia Guy de Chauliac, o mais famoso cirurgião dessa época, médico do Papa Clemente VI. Chauliac sobreviveu à peste e deixou o seguinte relato:

    “A grande mortandade teve início em Avignon em janeiro de 1348. A epidemia se apresentou de duas maneiras. Nos primeiros dois meses manifestava-se com febre e expectoração sanguinolenta e os doentes morriam em 3 dias; decorrido esse tempo manifestou-se com febre contínua e inchação nas axilas e nas virilhas e os doentes morriam em 5 dias. Era tão contagiosa que se propagava rapidamente de uma pessoa a outra; o pai não ia ver seu filho nem o filho a seu pai; a caridade desaparecera por completo”. E continua: “Não se sabia qual a causa desta grande mortandade. Em alguns lugares pensava-se que os judeus haviam envenenado o mundo e por isso os mataram”.

    Durante a epidemia, o povo, desesperado, procurava uma explicação para a calamidade. Para alguns tratava-se de castigo divino, punição dos pecados, aproximação do Apocalipse. Para outros, os culpados seriam os judeus, os quais foram perseguidos e trucidados. Somente em Borgonha, na França, foram mortos cerca de 50.000 deles.

    Atribuía-se, também, a disseminação da peste a pessoas que estariam contaminando as portas, bancos, paredes, com ungüento pestífero. Muitos suspeitos foram queimados vivos ou enforcados. Em Koenisberg, na Alemanha, uma criada que havia transmitido a peste a seus patrões foi enforcada depois de morta e a seguir queimada. Na Itália, o conde que governava a Calábria decretou que todo pestoso fosse conduzido ao campo para ali morrer ou sarar, e ainda confiscou os bens dos que haviam adquirido a peste.

    No meio de tanto desespero e irracionalidade, houve alguns episódios edificantes. Muitos médicos se dispuseram a atender os pestosos com risco da própria vida.. Adotavam para isso roupas e máscaras especiais. Alguns dentre eles evitavam aproximar-se dos enfermos. Prescreviam à distância e lancetavam os bubões com facas de até 1,80 m de comprimento. Frades capuchinhos e jesuítas cuidaram dos pestosos em Marselha, correndo todos os riscos. Foi fundada a Confraria dos Loucos, que invocava a proteção de São Sebastião para combater o medo da morte. São Roque foi escolhido o padroeiro dos pestosos. Tratava-se de um jovem que havia adquirido a peste em Roma e havia se retirado para um bosque para morrer. Foi alimentado por um cão, que lhe levava pedaços de pão e conseguiu recuperar-se.

    As conseqüências sociais, demográficas, econômicas, culturais e religiosas dessa grande calamidade que se abateu sobre os povos da Ásia e da Europa, foram imensas. As cidades e os campos ficaram despovoados; famílias inteiras se extinguiram; casas e propriedades rurais ficaram vazias e abandonadas, sem herdeiros legais; a produção agrícola e industrial reduziu-se enormemente; houve escassez de alimentos e de bens de consumo; a nobreza se empobreceu; reduziram-se os efetivos militares e houve ascensão da burguesia que explorava o comércio. O poder da Igreja se enfraqueceu com a redução numérica do clero e houve sensíveis mudanças nos costumes e no comportamento das pessoas.

    A peste negra foi a maior, mas não a última das epidemias. A doença perseverou sob a forma endêmica por muitos anos e outras epidemias menores, localizadas, foram registradas nos séculos seguintes. Citam-se como surtos mais importantes a peste de Milão, no século XVI (190.000 mortes), a peste de Nápoles, em 1656, a peste de Londres em 1655 (70.000 mortes), a de Viena em 1713 e a de Marselha em 1720.

    Entre 1894 e 1912 houve uma outra pandemia que teve início na India (11 milhões de mortes), estendendo-se à China, de onde trasladou-se para a costa do Pacífico, nos Estados Unidos.

    No Brasil, a peste entrou pelo porto de Santos em 1899 e propagou-se a outras cidades litorâneas. A partir de 1906 foi banida dos centros urbanos, persistindo pequenos focos endêmicos residuais na zona rural.

    Uma das últimas epidemias de peste bubônica ocorreu na Argélia em 1944, tendo inspirado a Albert Camus, prêmio Nobel de literatura, o romance “A peste”.
    O terrível flagelo da peste inspirou a imaginação criativa de pintores famosos. Os quadros mais notáveis são: “A peste em Atenas”, do pintor belga Michael Sweerts (1624-1664), “A peste em Nápoles”, de Domenico Gargiulo (1612-1679), “O triunfo da morte”, do pintor belga Pieter Breugel (1510-1569), e “São Roque”, de Bartolomeo Mantegna (1450-1523).

    Fonte: Joffre M. de Rezende, Prof. Emérito da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás, Membro da Sociedade Brasileira e Sociedade Internacional de História da Medicina.

    Fonte: https://www.passeiweb.com/estudos/sala_de_aula/historia/peste_negra_na_im

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