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Leia também:  O que é imunidade de rebanho e por que "não se aplica" a Covid-19

16 comentários

  1. Os órgãos de Estado contra a democracia

    Problema não são os autoritários da Paulista. São os órgãos de Estado contra a democracia.

     

    Todo mundo precisa, de vez em quando, “desintoxicar”.

    Foi o que fiz neste domingo, em lugar de ficar repetindo a observação do que já está mais que visto: a direita brasileira desavergonhou-se e assumiu uma forte expressão de rua que, desde que vieram os “antipolíticos” e “antipartido” de junho de 2013, alimenta os interesses conservadores.

    Ela existe, sempre existiu e  continuará existindo. A diferença está no seu estado de excitação e mobilização e não é na crise econômica que ela encontra suas raízes, embora seja dela que extraia sua recente desinibição, certo que em escala menor do que a do “todo mundo está roubando” que é a tônica do hipócrita coral formado por instituições que se tornaram desgovernadas e entregues à politicagem.

    A mídia, o Judiciário, o Ministério Público, a Câmara dos Deputados, o candidato derrotado nas urnas, todos se uniram para algo que, francamente, em tudo lembra um tribunal de exceção, onde o importante, não importa se com ou sem razões, o que importa é instaurar um processo de eliminação, a qualquer preço, de qualquer pretensão de que o país seja conduzido, como determinou o eleitor, por uma aliança de centro-esquerda, de tonas nacionalistas, populares e desenvolvimentistas.

    Chegamos a absurdos como o produzido este final de semana, onde um relatório da Polícia Federal esmera-se em transcrever um telefonema de um acusado da Lava Jato onde o ex-presidente Lula não diz, rigorosamente, coisa alguma que interesse à investigação e ao monstruoso vazamento sobre a movimentação bancária do Instituto Lula, uma ousadia de ilegalidade que, houvesse algum tipo de respeito à legalidade, estaria provocando uma devassa para apurar a responsabilidade de divulgar dados bancários.

    É muito mais grave para a democracia que isso esteja acontecendo que as manifestações da Avenida Paulista, que viraram “arroz de festa” da classe média.

    A manifestação de domingo passou. Não é um elemento sólido do jogo democrático, porque dissolve-se pela falta de adesão crescente de massas – nitidamente, estão marcando passo desde que começaram – e pela falta de lideranças políticas  capazes de representá-las: favor não dizer que “somos todos Cunha” como registrava tragicomicamente uma das faixas dos manifestantes possa significar algo, como não significam os mentecaptos dos grupos “organizadores”.

    O golpismo que não passou é o que está incrustrado nas ações insanas que transformam – e nisso contaram com o beneplácito da inação do Governo e de seu Ministério da Justiça – as instituições em foco de agitação e não de sereno cumprimento das regras democráticas.

    O golpe de Estado não raro é gestado dentro do próprio Estado.

    Antes, há décadas, nos corpos militares e seus comandos, que recolheram amargos frutos diante da opinião pública por se prestarem de braço armado de processos de dominação nacional.

    Agora, em instituições judiciais e parajudiciais, que se portam como uma casta de iluminados, que tudo podem, tudo julga e a todos acusam.

    Bons ternos, de fino corte, em lugar dos dólmãs, mas idênticas razões absolutas para negar, como antes, o fundamento da democracia: o voto.

    Como observou com lucidez Kiko Nogueira, no Diário do Centro do Mundo, o tal “republicanismo”tão brandido para justificar a inação levou-nos a um “aceita-se tudo em nome de sabe-se lá o quê”, onde o acovardamento da parcela não transtornada daquelas instituições vai entregando-as à loucura autofágica, aquela que em “nome da lei” destrói todas as garantias da lei: o contraditório, o devido processo legal, a presunção de inocência e o não desvirtuamento dos mecanismos de coação estatais.

    As senhoras da foto, com o revelador cartas perguntando “por que não mataram todos em 64?”, não são uma ameaça, são umas pobres-coitadas, que cruzaram a existência sem aprender a respeitar os seres humanos.

    Terríveis, mesmo,  são os que querem matar a democracia com os instrumentos do Estado, não com uma passeata.

     

  2. Os fascistas tomaram o poder e o exercem sem nenhum controle

    A sordidez contra Lula aumenta a sua força

     

    Primeiro: uma bomba contra o Instituto Lula, cujos estragos na porta de aço foram descritos por Merval Pereira como “buraquinho”.

    Segundo: a PF vaza uma conversa normal entre Lula e um diretor da Odebrecht, falando de artigos para jornal. E a mesma PF e a mídia tentam insinuar crimes.

    Terceiro: a PF vaza para a Veja – logo quem – o sigilo bancário de Lula.

    É um ataque atrás do outro!

    E cada vez mais sórdidos!

    Acredito, porém, que esses ataques correspondem a um estrondoso tiro que a mídia e seus braços golpistas dentro do Estado dão no próprio pé.

    Perderam as estribeiras: estão se comportando como bandidos.

    Não respeitam mais nenhuma lei.

    Seria de bom tom que o nosso ministro da Justiça se pronunciasse duramente contra esse tipo de violências.

    Querem derrubar uma presidenta eleita através de chicanas.

    O colunista da Globo, Merval Pereira, ofende profundamente todos os sindicalistas do Brasil ao dizer que estes querem montar um “sindicato de ladrões”.

    Ora, ladrões são vocês, Merval. Roubaram o país durante séculos! E agora, quando finalmente há condições para que investigações aconteçam, vocês manipulam o noticiário e instrumentalizam setores do Estado para transformá-las em conspirações políticas.

    Como o golpe murchou, esses vazamentos soam como iniciativas desesperadas.

    Sobretudo, me parecem extremamente truculentas até mesmo para um cidadão conservador.

    Foi um erro político crasso.

    Então é assim?

    A vida de qualquer cidadão está sujeita a devassas, desde que este seja persona non-grata de grupos de mídia?

    Com esse vazamento, os setores conspiradores da PF e da mídia perderam completamente o pouco respeito que talvez ainda conservavam.

    O custo de manterem essas farsas agora ficará cada vez mais alto.

    Francamente, eu não acreditava muito mais em Lula. Achava que era hora de investirmos em novas lideranças. A perseguição, porém, ao ex-presidente, ao contrário do que pretende a mídia, reforçará a sua mística e a sua força.

    A indignação contra essa sordidez faz com que um enorme contingente de cidadãos de bem, que são contra esse tipo de bandidagem da PF e da mídia, se aproximem novamente de Lula. 

     

  3. A grande dama vermelha

    Do Facebook, postado por Luciano Marra

     

    A foto de Luciano Marra.    Luciano Marra em Avenida Paulista

    “Putinha do Lula, putinha do Lula”. Mais respeito, minha filha, mais respeito. “Vagabunda, vagabunda!!!” Não, minha filha, você não me conhece… “Velha doida, …velha doida!”. Não, vocês são irracionais, precisam conhecer nossa história. “Deve ser filha de ladrão!!” Não, rapaz, vivi a época da ditadura, vou morrer lutando contra ela. Você não sabe o que está dizendo… vocês são formados pela televisão. Sem encostar, não tenho medo de nada, já enfrentei coisa pior, você não sabe de nada, é preguiçoso!! Encosta que eu devolvo!!! “Filha da puta!!” Me respeite, eu vivi a história, você é um desinformado.
    E foi assim que conheci uma heroína a ponto de entender com quantos filamentos se faz a fibra de uma grande mulher. Por falta de melhor nome, anotei na caderneta de fotos: agosto de 2015, Avenida Paulista, A GRANDE DAMA VERMELHA, a quem devo uma lição de extrema coragem, paciência e lucidez.

    https://www.facebook.com/photo.php?fbid=10207927437569799&set=a.1386616031421.2055644.1412648341&type=1&theater

     

    • Simplesmente maravilhoso!

      A coragem , experiência e o profundo conhecimento de nossa história, é o que demonstra a grande dama brasileira. Ela nos representa! Reverencio essa coragem da dama de vermelho que com bravura enfrentou milhares de criaturas que demonstravam total e lastimável analfabetismo políico e ignorância de nossa recente história. A DAMA DE VERMELHO merece um post do Blog. Seria uma maneira de agradecermos tanta sabedoria dessa grande mulher!  Que beleza! Emocionante!  

      • Me emocionei com a dama de

        Me emocionei com a dama de vermelho, um símbolo de resistência nacional contra a ignorância e analfabetismo político, Marly! Ainda não sabemos o nome dela mas, logo descobrirão.

  4. Não Flávio Dino!!! Nada disso Flávio Dino!!!

    Não Flávio Dino!!! Nada disso Flávio Dino!!!

    Publicado em   17/ago/2015
    por  Caio Hostilio

    CREATOR: gd-jpeg v1.0 (using IJG JPEG v62), quality = 90

    Assim como o povo colocou um presidente, um governador e um prefeito, para trabalhar em prol da coletividade, visto que são empregados do povo e para o povo, e um deles não cumprem com suas prerrogativas, com certeza o povo tem o poder de retirá-lo, coisa que deve ser respeitada pelos “políticos”.

    Não sejamos tão idiotas não acreditar na história da carochinha de que uma determinada manifestação não está o número suficiente para pedir o afastamento de um desses governantes.

    Ora bolas!!! O que vale não é a participação de todos numa manifestação, mas sim o sentimento do povo, que já provou querer a saída da presidente Dilma, visto que seu governo não é aprovado 8% da população brasileira.

    Não gerar impostos sobre grandes fortunas, Flávio Dino, que irá mudar a corrupção nesse país. Acontecerá o contrário, Flávio Dino, haja vista que será mais e mais dinheiro para os corruptos encherem os bolsos!!!

    Flávio Dino, o que deve ser implementada na Agenda Brasil é o respeito ao dinheiro público, isso inibindo repasses desproporcionais, tal como fez a tua gestão, cujos municípios de Caxias e Tuntum receberam recursos altíssimos para a saúde e sequer conseguiram melhor em nada o bem-estar coletivo. Por outro lado, Flávio Dino, ver pacientes morrem por falta de recursos suficientes em outros municípios, como vemos uma gestante e um bebê morrerem em Alcântara.

    Incluir na Agenda Brasil, Flávio Dino, doações mirabolantes de campanha, como a que você recebeu nas eleições de 2014.

    Incluir na Agenda Brasil, Flávio Dino, a impunidade por conta das amizades e força nas instituições jurídicas nesse país.

    Não é aumentando impostos, Flávio Dino, que as coisas voltaram ao normal no Brasil!!! É muito pelo contrário, visto que o correto seria iniciar anulando o nepotismo; não adotar a distribuição de recursos apenas entre os aliados, não aceitar dinheiro de empresas corruptas em época eleitoral; saber respeitar o contraditório e o questionamento crítico.

    Em minha opinião, sua opinião, Flávio Dino, é arbitrária, cruel e impensada, pois ao aumentar impostos, com certeza aumentará o desemprego e a fome.

    O certo, Flávio Dino, é repatriar os bilhões desviados da Petrobras e até a devoluções dos milhões recebidos através de “doações de campanha esquisitinhas” aos cofres públicos!!!

  5. Nós não somos contra a corrupção

    Uma imagem que resume o domingo: protestos nas ruas não são contra a corrupção

    publicado em 16 de agosto de 2015 às 13:49 no Vi o Mundo

    via @lucasrohan, no twitter

    “Fui bastante apreensivo (ao encontro do parlamentar no Leblon, Rio). O deputado Eduardo Cunha é conhecido como uma pessoa agressiva, mas confesso que comigo foi extremamente amistoso, dizendo que ele não tinha nada pessoal contra mim, mas que havia um débito meu com o Fernando do qual ele era merecedor de 5 milhões de dólares”

    Julio Camargo, delator da Lava Jato, que afirma ter pago U$ 5 milhões de propina a Eduardo Cunha

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=sWMNAKyzTs4 align:center]

     

     

  6. Há 12 anos, Brasil pedia o colo do FMI pela última vez

    Brasil 247

     

    Há 12 anos, Brasil pedia o colo do FMI pela última vez

     

     

    Após dois empréstimos no FMI, em 1998 e 2001, em agosto de 2002 o governo FHC recorreu novamente ao FMI; ministro Pedro Malan, da Fazenda, assinou acordo de US$ 30 bi; no ano seguinte, em abril, o recém eleito Lula quitou dívida com US$ 4,2 bi; não houve mais tomdas de crédito; Brasil até emprestou US$ 10 bi para o Fundo enfrentar crise mundial; hoje, governo tem reservas internacionais de US$ 379 bilhões; “Eles quebraram o Brasil, nós pagamos o FMI”, disse ontem presidente Dilma Rousseff

    8 de Agosto de 2014 às 11:21

     

    247 – Está fazendo aniversário de doze anos a última vez que o Brasil precisou recorrer ao Fundo Monetário Internacional. Na gestão do ministro Pedro Malan, na Fazenda, no governo Fernando Henrique, o País anunciou oficialmente que havia acabado de assinar um pacote de US$ 30 bilhões de empréstimo junto ao Fundo. Não fora a primeira vez naquela administração. Em 11 de novembro de 1998, também com FHC-Malan, o Brasil fechou um acordo para poder sacar do Fundo US$ 20 bilhões nos três meses subsequentes à assinatura.

    Outros US$ 32 bilhões ficaram disponíveis para serem sacados no ano de 1999, em novo acordo assinado pelo Brasil. Marcado para ser encerrado em novembro de 2001, o contrato anterior com o FMI foi prorrogado pelo governo às vésperas de seu encerramento. Assim, o País tomou emprestados mais US$ 15 bilhões, pagando juros de 4,5% ao por por 25% desse dinheiro e fortes 7,5% pelo restante. Àquela altura, o Brasil já lançava mão de uma soma equivalente a 400% de sua cota no próprio FMI.

    Ainda assim, todos os empréstimos do Fundo se mostraram, para a equipe econômica, insuficientes para garantir estabilidade econômica ao País. Em junho de 2002, por exemplo, houve um saque de US$ 10 bilhões junto ao Fundo, além de ser estabelecida uma redução de garantias de reservas a serem apresentadas pelo Brasil. O mínimo de US$ 20 bilhões em caixa para tomar empréstimos foi reduzido para US$ 15 para facilitar novas operações. A dependência dos recursos do Fundo estava explícita.

    Em agosto de 2002, uma última linha de crédito foi tomada, de US$ 30 bilhões, completando a terceira ida do País ao FMI na gestão tucana. A obtenção desse dinheiro, que não totalmente sacado, ficou apresentada como uma necessidade em razão da volatilidade ampliada pela disputa eleitoral daquele ano, entre Lula, do PT, e José Serra, do PSDB. Logo após a assinatura, o Brasil precisou fazer um saque de US$ 6 bilhões.

    No governo Lula, logo em abril, o Brasil pagou US$ 4,2 bilhões ao FMI, adiantando a parcela de quitação dos recursos tomados no ano anterior. Depois desse movimento, o País não precisou recorrer novamente ao Fundo. Bem ao contrário. Em outubro de 2009, mais precisamente no dia 6, o ministro Mantega e o então diretor-gerente do Fundo, Dominique Strauss-Khan, anunciaram uma importante troca de posições.

    Agora, era o Brasil que emprestava US$ 10 bilhões ao Fundo. Àquela altura, as reservas internacionais brasileiras já chegavam á casa dos US$ 220 bilhões. Em 2011, já no governo Dilma Rousseff, mais uma vez o Brasil foi procurado pelo Fundo para ficar de prontidão em relação à necessidade de um novo empréstimo. Outra vez, por solicitação do FMI.

    Doze anos depois da última ida ao Fundo, o País tem uma posição considerada bastante sólidas em termos de reservas internacionais. Com todas as obrigações pagas junto ao FMI, o Brasil conta, em 6 de agosto, com um total de US$ 379,44 bilhões de dólares. Uma soma que descarta quaisquer ilações sobre um possível pedido de ajuda para fechar contas, como acontecia às vésperas da derradeira ida ao Fundo. Abaixo:

     

      

    http://www.brasil247.com/pt/247/economia/149113/H%C3%A1-12-anos-Brasil-pedia-o-colo-do-FMI-pela-%C3%BAltima-vez.htm

     

  7. O PCC negociou a manutenção da revista vexatória?

    Da revista TPM

    OBS: (Segundo o relato de uma mãe que precisa visitar seu filho na penitenciária e passar pela revista vexatória: ela me relatou que todas as mulheres na fila do presídio concordam que o PCC impediu a implantação do novo sistema. O acordo (oculto, claro) foi o seguinte: “sem droga, sem celular, vai ter rebelião”. Ou seja: mães, esposas, irmãs, namoradas, o problema é de vocês, nós aqui dentro não vamos ficar sem as regalias. Meu comentário: o governo segue cedendo, em sua tradição de negociar com o PCC?)

    **********************

    Em julho de 2014 a Alesp [Assembleia Legislativa de São Paulo] aprovou a lei15.5522/14, que proíbe a revista vexatória no estado. Promulgada pelo governador Geraldo Alckmin em agosto, a revista íntima com atos abusivos como agachamentos e exames clínicos deveria ser extinta no sistema prisional de São Paulo no prazo de 180 dias, como alternativa, scanners e detectores de metais seriam colocados nas cadeias. No entanto, denúncias mostram que a prática continua sendo executada.

    Abaixo, irmã e mulher de detentos conta sua experiência durante as visitas que faz a presídios da Grande São Paulo.

    “Tenho 29 anos e frequento presídios desde 2011 para visitar meu irmão, e há quase dois anos para visitar meu marido. É uma rotina muito cansativa. Embora a visita seja apenas aos finais de semana, a preparação começa no meio da mesma.

    Preocupação com alimentos, roupa padrão para poder entrar na cadeia e muita paciência para não perder o controle com as funcionárias (que muitas vezes são bem folgadas) são algumas das coisas principais a se fazer.

    Depois de uma longa viagem pra chegar aos presídios, ainda fico quase 4 horas em pé na fila que se forma na porta da unidade. A comida é revistada, os funcionários reviram toda ela com talheres e sem nenhuma higiene. Deixamos a sacola com os alimentos com eles e vamos para a fila da REVISTA ÍNTIMA.

    Aí começa o horror.

    A funcionária manda três, quatro, ou até mesmo cinco mulheres entrarem de uma só vez no guichê para serem revistadas. Nós, que somos visitas e nos organizamos sempre para irmos às cadeias, dizemos uma a outra:” olha, ninguém fica me olhando na hora da revista, hein? “

    E assim segue, a funcionária começa a fazer sua função.

    – Senta no banquinho! Tira toda a roupa! Abaixa três vezes! Balança o cabelo! Abre a boca, ouvido, sola do pé, chinelo! Faz força! Coloque a mão na vagina e abra! Agora tira a roupa da criança!

    Não é difícil ouvir um ‘olha, você vai ter que voltar pra casa, não fez o procedimento direito’.

    Já presenciei muitas mulheres voltarem chorando para casa. É triste. Ali se vai todo nosso tempo perdido, comida feita volta pra onde veio e o horror da revista íntima fica na cabeça.

    Eu enxergo tudo isso como um VERDADEIRO ESTUPRO do ESTADO.

    Embora a lei que proíbe a revista vexatória tenha sido aprovada e promulgada em São Paulo pelo governador, nem tão cedo ela entrará e vigor. E sabe o por que? Porque para o ESTADO, os presos têm que ser abandonados, esquecidos pela própria família. Esse é o motivo para tantos obstáculos.

    Tanto meu marido, que está na unidade prisional de Suzano, quanto meu irmão que está em Guarulhos (ambas na Grande São Paulo), tiveram audiência e ainda estão aguardando sentença. Só que essa sentença nunca chega.”

    Fonte: http://revistatpm.uol.com.br/artigos/a-proibicao-da-revista-vexatoria-na-pratica.html

  8. Quando a má fé impera.

    No mínimo interessante as afirmações  “baixíssimo pib” (para quem é a oitavo pib mundial – deve estar olhando para China e EUA); “uma brutal desvalorização do Real” ( a quanto estava e a quanto foi o câmbio em 1999?) e por fim, não por último “uma economia em frangalhos” ( como denominar então quando  se recorre seguidamente ao FMI para poder pagar as contas?)

    REFORÇO DE CAIXA

    Governo deveria cobrar 27,5% de IR e mais multa para valores repatriados.

     

    Por Ives Gandra da Silva Martins

    O governo pretende, seguindo a experiência de Reino Unido, França e Itália, além de outros países, repatriar capitais saídos do território nacional sem a respectiva declaração à Receita Federal, principalmente em virtude do confisco das contas bancárias no governo Collor e às vésperas da eleição do presidente Lula, em 2002, quando se temia que o Brasil se transformasse num regime economicamente falido como o de Cuba.

    À época, a desastrada política econômica da Venezuela, que pretendeu seguir o mesmo modelo, ainda estava no início de sua derrocada. É de se lembrar que Hugo Chávez conseguiu retardá-la, mas a notória incompetência e falta de carisma do sindicalista Nicolás Maduro terminou por arrasá-la.

    O Brasil paga hoje o preço de um brutal inchaço da máquina pública para a acomodação de todos os amigos do rei, gerador de uma economia em frangalhos, uma alta inflação, uma brutal desvalorização do real, um elevado nível de desemprego, um baixíssimo PIB, assim como o desventrar contínuo de uma corrupção contaminadora de quase todas as instâncias administrativas.

    Esse quadro tornou-se dramático nos últimos 13 anos, em que imperou a absoluta insensatez política e econômica.

    Pensa agora o governo –e pensa corretamente– em repatriar aqueles capitais, num momento em que a dívida brasileira caminha para 70% do PIB, encostando no nível dos mais de US$ 360 bilhões de nossas reservas, com baixa punição aos que remeteram recursos para fora. O projeto de que se tem notícia, todavia, merece críticas.

    A primeira grande falha é vincular o retorno destes capitais a um fundo a ser criado para compensar os Estados que perderão receita no eventual fim da guerra fiscal do ICMS, após pagamento de 17,5% do imposto de renda e 17,5% de multa de “regularização”.

    Ora, a repatriação será um ato que se esgotará no retorno do dinheiro enviado para fora, enquanto que o fundo para compensar os Estados será permanente, até que as perdas sejam eliminadas. Algo que se arrastará por anos será mantido por um fundo que se formará com um prazo certo de retorno, uma única vez.

    Por outro lado, reduz-se o Imposto de Renda, que deveria ser pago à base de 27,5%, para 17,5% e cria-se uma multa de regularização cuja natureza é indefinida: é tributária, administrativa, penal ou extrafiscal?

    Em artigo publicado no O Estado de S. Paulo, Everardo Maciel, dos maiores especialistas em direito tributário das Américas aponta sete impropriedades do projeto (“A polêmica repatriação de capitais”).

    Parece-me que a solução ideal seria outra. Pagamento integral do Imposto de Renda (27,5%), com a multa moratória prevista na legislação, no caso de denúncia espontânea, como faria qualquer pessoa que tivesse que pagar o imposto em atraso, antes de fiscalização. Eliminada estaria qualquer outra punição.

    Não haveria nenhum privilégio para quem enviou dinheiro para fora (imposto mais multa moratória) e a própria extinção da punibilidade, que já é prevista na legislação aplicável, estender-se-ia a outras eventuais infrações decorrentes da remessa irregular.

    À evidência, dinheiro resultante de narcotráfico, corrupção ou terrorismo não seria anistiado criminalmente, nem gozaria da possibilidade de repatriação, pois deveria ser inteiramente confiscado.

    Parece-me uma solução mais justa, que poderia fortalecer o conturbado caixa do governo, enquanto não resolver enxugar a esclerosada máquina, libertando-se dos mais de 100 mil “amigos do rei” (comissionados) que incham as estruturas burocráticas da União.

  9. A voz do grande democrata.

    Do Estado de Minas.

    FHC diz que renúncia seria um gesto de grandeza da presidente Dilma Rousseff

    Ex-presidente tucano comparou a petista ao ex-presidente Fernando Collor, que sofreu processo de impeachment, e disse que seu governo, embora seja legal, é “ilegítimo”

    O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) cobrou nesta segunda-feira a “renúncia” da presidente Dilma Rousseff (PT),que, segundo ele, seria um “gesto de grandeza”. No dia seguinte à terceira onda de manifestações neste ano contra a gestão do PT no Palácio do Planalto, em que milhares foram às ruas pedindo o impeachment da petista, FHC usou sua página no Facebook no início da tarde para comentar os atos e endurecer as críticas à presidente, que disse exercer um governo “ilegítimo”. Outra opção para ela, segundo o tucano, seria usar  “a voz franca de que errou”

    “O mais significativo das demonstrações, como as de ontem, é a persistência do sentimento popular de que o governo, embora legal, é ilegítimo. Falta-lhe a base moral, que foi corroída pelas falcatruas do lulopetismo”, afirmou o ex-presidente. Fernando Henrique disse ainda que se a presidente não for capaz de renunciar ou apontar os caminhos da recuperação nacional, vai haver uma desarticulação crescente do governo e do Congresso “até que algum líder com forca moral diga, como o fez Ulysses Guimarães, com a Constituição na mão, ao Collor: você pensa que é presidente, mas já não é mais”, afirmou.

    O ex-presidente se referiu ao boneco gigante do ex-presidente Lula (PT) com roupa de presidiário que foi levado pelos manifestantes durante o protesto na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para mais uma vez criticar Dilma. “A presidente, mesmo que pessoalmente possa se salvaguardar, sofre contaminação dos malfeitos de seu patrono e vai perdendo condições de governar. A esta altura, os conchavos de cúpula só aumentam a reação popular negativa e não devolvem legitimidade ao governo, isto é, a aceitação de seu direito de mandar, de conduzir”, concluiu.

  10. PDT entra com ADI: contas partidárias

    Sexta-feira, 14 de agosto de 2015

    Questionado dispositivo da resolução do TSE que regulamenta prestação de contas partidárias

     

    O Partido Democrático Trabalhista (PDT) ajuizou no Supremo Tribunal Federal (STF) a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5362 contra dispositivo da Resolução 23.432/2014, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que regulamenta finanças e contabilidade dos partidos políticos.

    Veja mais, no link:

    http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=297685

  11. Entrevista Viviane Mosé

    Viviane Mosé: Indignação “com formação política e intelectual zero” gera ódio, violência e intolerância

    http://www.viomundo.com.br/politica/viviane-mose-indignacao-com-formacao-politica-e-intelectual-zero-gera-odio-violencia-e-intolerancia.html

    publicado em 17 de agosto de 2015 às 16:53

    A obsessão anticomunista é contra um governo que tem Joaquim Levy como ministro!

    Eu sou a favor de tirar o PT do poder porque 13 anos tentando implantar o comunismo no Brasil e nada…eu acho muita incompetência. (Do Jaguá Coroado @goticosuave, no twitter)

    As grandes virtudes

    por André de Oliveira, no Aliás

    Para filósofa, em tempos quentes de intolerância e violência, sociedade deve ter a coragem de desejar acordos, não rupturas

    Intolerância. Significa intransigência em relação a opiniões, atitudes, crenças ou modos de ser que reprovamos e julgamos falsos. Mas também quer dizer repressão, por meio de coação e uso da força, das ideias que desaprovamos.

    A famosa afabilidade pela qual o povo brasileiro é cantado e poetizado já foi bem questionada; afinal, um passado recente de convivência pacífica com escravidão e outras violências praticadas institucionalmente tiram a graça de qualquer rima. No entanto, de uns tempos para cá, parece que uma caixa de novas práticas de intolerância foi aberta na sociedade.

    Em 1º de agosto, seis imigrantes haitianos foram baleados com chumbinho, em São Paulo. O caso é nebuloso e segue inconcluso. Em uma das versões, os agressores teriam passado em um carro gritando: “Haitianos! Haitianos!”. Dias antes, um carro havia arremessado uma bomba caseira de pregos e parafusos na porta do Instituto Lula, também em São Paulo. Ninguém ficou ferido, mas o artefato abriu um buraco no portão de metal do escritório de trabalho do ex-presidente. Os autores do atentado ainda não foram identificados.

    Nos dias 8 e 11 de agosto, usuários e motoristas do Uber relataram ter sofrido intimidação e agressão física por estarem usando o serviço, em Belo Horizonte e São Paulo. Nenhum dos agressores foi encontrado. E a tensão em torno do aplicativo não para de crescer.

    Para a filósofa, poeta e psicanalista Viviane Mosé, os intolerantes não são exclusividade brasileira. O mundo passa por um período de mudanças culturais propiciadas pelas novas tecnologias, e o futuro, constantemente retratado como distopia, nunca foi tão incerto. Ninguém sabe direito como lidar com o momento e a resposta da sociedade tem sido, muitas vezes, violenta.

    No caso brasileiro, contudo, ela vê um agravante: a polarização política, a falta de lideranças, a ausência de propostas. Quão fundo é o buraco? Como sair dele? “Produzindo acordos, pactos sociais. Estamos sem direção e só vamos tê-las se compusermos forças, em vez de tentar encontrar um salvador”, ela diz. E concordando com a escritora italiana Natalia Ginzburg (1916-1991), cujo livro As Pequenas Virtudes (Cosac Naify) acaba de ser relançado, salienta que ou valorizamos as grandes virtudes ou não haverá sociedade.

    A intolerância aumentou no Brasil ou sempre fomos um país assim?

    Nem lá nem cá. O Brasil também tem uma forte tradição pacifista. Vamos falar do fenômeno do Uber. O Uber é uma inovação tecnológica excelente para a sociedade: diminui o CO², aumenta o convívio com as pessoas, é uma economia. Só que essa inovação desfaz um território estável, que era o do taxista. Então, essa profissão antiga se vê, de uma hora para outra, fadada à destruição. A indignação é compreensível. Mas não há ninguém na sociedade brasileira fazendo a mediação entre essas duas forças.

    Se você percebe que uma determinada profissão está em crise por uma inovação que é boa, o papel do Estado, da universidade, da imprensa é propor um encaminhamento. Mas ninguém propõe nada. Todos perdidos, ficamos uns a favor do Uber, outros a favor dos taxistas. Mas os dois têm razão! Quem é que vai fazer a ponte se os dois têm razão? Inovações tecnológicas sempre deixam um rastro de destruição. Mas tem solução para isso: é produzir acordos, pactos sociais. Esta é a sociedade que devemos desejar, a sociedade da colaboração e do acordo. Quanto mais acordo, melhor. Sair da pirâmide do culpado é essencial.

    A forte polarização política tem relação com a intolerância?

    Sem dúvida. Pensando filosoficamente, o que faz a gente se ordenar são valores e expectativas. Tem todo um jogo social que diz: “Se você se mantiver estável, o Estado também te devolve estabilidade”. Mas, se as instituições não têm estabilidade, isso desaparece e nos dá a sensação de que a cultura não nos sustenta mais. Qual deveria ser o passo num momento como esse?

    O de encaminhar a cultura para uma direção. É necessário apontar saídas. E não é só o Estado ou a imprensa ou a universidade que não estão fazendo isso. Ninguém está. Ninguém dá direcionamento. Só se joga pedra. E jogar pedra é perigoso, especialmente em um Brasil dividido politicamente.

    As manifestações de junho de 2013 também entram nesse pacote?

    Claro que entram. Colocamos 2 milhões de pessoas na rua. Mas esse movimento não teve prévia de direção política. Nada. Nós colocamos pessoas na rua manifestando sua pura indignação. E indignação é afeto, não direção. Afeto quer dizer afetar e ser afetado. É movimento.

    Construímos um movimento, multiplicamos por 2 milhões e mandamos para a rua. Isso gerou, sem dúvida, o ódio. Se você manifesta a indignação, que é justa, mas apenas afetiva, e se ela não tem direção, a canalização é necessariamente violenta. A gente provocou um movimento justificado, mas ninguém apresentou propostas.

    Nem surgiram lideranças.

    Esse é o maior problema do Brasil hoje: a ausência de lideranças, especialmente políticas. Não há ninguém canalizando o incômodo que o governo causa em grande parte da população. Apesar de o senador Aécio Neves ter sido bem votado, não há posição dele para nada e em nenhuma direção. Ele só faz o que a população, a imprensa e a universidade já fazem: critica. A oposição não existe no Brasil, em nenhum grau.

    Às vezes o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreve algo que parece coerente, mas ele não está mais na disputa política, entende? Ele está fora. Como é que o Aécio Neves, que polarizou com a Dilma na eleição, sempre se posiciona na imprensa? Joga pedra, quando o mais necessário nessa hora é que se apontem caminhos. Desse ponto de vista, a coisa está mais para jogo de time único e não um Fla-Flu, como dizem.

    Como assim? A polarização existe, acabamos de falar dela.

    Existe um tremendo desgaste por causa da corrupção. Mas não há proposta. O governo tem lá a sua posição, que é a que parte da população rechaça. Da oposição não vem nada além de pedra. Essa situação criou um time único que repete feroz e exaustivamente: “Isso aí não presta”. Isso é muito preocupante, porque a ausência de vazão para essa força gera violência. Em períodos de grande impunidade, em que políticos e criminosos comuns não são presos, também se gera violência. Mas a questão é que nós estamos vivendo um tempo histórico de punições, e não de impunidade.

    Pela primeira vez, políticos e até empresários estão indo para a cadeia. É um fenômeno único na história do Brasil. A gente deveria estar feliz. Portanto, o que está gerando violência não é a impunidade, mas a ausência de perspectiva e vazão de uma força que desde 2013 se manifestou e ninguém conseguiu ainda canalizar. Agora é hora de os formadores de opinião manterem a coerência e ajudarem a sociedade a se localizar, a pensar, porque caminhamos para o caos. É preciso ter coragem de intervir, de esclarecer honestamente a situação, mesmo sabendo que se pode sofrer represália. Temos que produzir acordos, não apostar no caos. O impeachment da presidente significaria a desestruturação ainda maior das instituições. Acho essa conversa de impeachment uma irresponsabilidade. É jogar sem perspectivas. E onde falta perspectiva sobra violência.

    Chile e Argentina julgam e punem seus agentes da ditadura. O Brasil não. Isso tem relação com o clima de ódio e intolerância?

    Para seguirmos como democracia precisamos ter clareza de quem fez o quê ao longo da história. E é bom você ter tocado nesse ponto, porque uma coisa que me incomoda é a convivência tranquila com algumas situações. Por exemplo, eu não admito estar em um lugar onde uma pessoa levanta placa pedindo a volta do regime militar. Mas às vezes parece que está tudo bem, que isso já está resolvido. Não está! Quando a Europa fez um museu do holocausto, muita gente ficou chocada. Mas era para lembrar as coisas que a gente não quer repetir. A ditadura deveria ser uma dessas coisas aqui. No entanto, o que vivemos hoje não é consequência direta disso.

    É do que então?

    A questão é a mudança da tecnologia no mundo. Passamos de uma sociedade fundamentada no modelo de pirâmide – onde um manda e os outros obedecem – para viver numa sociedade em rede, cujos poderes se relacionam horizontalmente. Tanto é que, quando esse poder horizontal funcionou, 2 milhões de pessoas foram para a rua. As manifestações de 2013 foram consequência de um efeito viral da internet, o que não é ruim, mas com pessoas educadas por um modelo de educação fundamentado no regime militar, que é abstrato e não discute o mundo. A universidade não discute questões sociais.

    A formação do brasileiro é péssima. E não é a educação básica, é a educação nas universidades públicas e privadas. Ela é distante da realidade, não forma lideranças. Resumindo, nós levamos para a rua pessoas indignadas e bem-intencionadas, mas com formação política e intelectual zero. Isso sim gera ódio, intolerância, violência.

    E você acha que estamos dando o peso devido à gravidade dessas demonstrações de ódio, intolerância e violência?

    Não estamos. Somos incapazes de analisar esses fatos de maneira mais elaborada. Se alguém joga uma bomba no Instituto Lula, por exemplo, as pessoas que não gostam dele aplaudem. Aplaudem! Elas não têm noção de que, aplaudindo ou minimizando, estimulam uma violência que hoje é contra o seu alvo preferido, mas amanhã pode ser contra elas mesmas. É um ex-presidente da República com seu escritório bombardeado. Amanhã vão bombardear o quê? Ignorar isso é uma leviandade.

    Essa polarização nos torna burros. Não conseguimos dar o verdadeiro valor às coisas porque estamos cegos politicamente. Cegos por uma paixão que nos diz que aquilo é o mal e aquilo é o bem. Só que bem e mal são misturados. A gente não está tendo essa sofisticação de leitura para nenhum fenômeno brasileiro atual. Durante as manifestações de 2013, aqui no Rio, uma professora da UERJ foi pega com bombas caseiras e acabou presa com alguns estudantes. Eram rojões cheios de pregos. Não precisamos usar aquelas pessoas como bodes expiatórios, mas devemos esclarecer à sociedade: isso é um gesto terrorista e é inaceitável sob quaisquer circunstâncias. Mas a gente finge que nada acontece. É a banalização da violência movida por cegueira política.

    Alguém disse que ninguém nasce odiando, é ensinado a odiar. É isso mesmo?

    É o contrário. O ódio é o excesso moralizado como mal. Se você tem alegria em excesso pode ser violento também. O problema do homem não é o ódio, mas o excesso. Todos nós nascemos com excessos e eles precisam ser canalizados. Se uma criança é deixada sozinha, ela vai pegar um animal e comer cru. O que a gente aprende é valor moral, só diminuímos a violência por causa da formação moral. Se ninguém nos convencer de que vale a pena dizer “não” a nós mesmos, seremos violentos.

    Isso me faz lembrar do livro As Pequenas Virtudes, da escritora italiana Natalia Ginzburg. Para ela, os pais se preocupam mais em ensinar as pequenas virtudes aos filhos, em vez das grandes.

    Não conheço o livro, mas está perfeito. A grande virtude é: valorizar a vida. O maior problema contemporâneo é a desvalorização da vida. A gente atribui todos os males à cultura, mas confunde a cultura com a vida, quando, na verdade, o grande valor é estar vivo. O que está em decadência não é a vida, é a cultura. E a cultura é niilista porque ela não valoriza exatamente a vida. Então, quais são as grandes virtudes? Existir, viver, compartilhar, se solidarizar.

    Em vez disso valorizamos as pequenas, como não jogar lixo no chão. Não jogar lixo no chão é nada, um ato que só é grande se estiver envolvido num valor maior, que é proteger o ser humano, as cidades. Por valorizarmos a mesquinharia da virtude, e por não sermos capazes de discutir a grande virtude, canalizamos o incômodo para a cultura, como se ela fosse o problema. Mas não há cultura que possa resolver as nossas frustrações. Ou a gente aprende a lidar com elas ou não haverá sociedade.

    As redes sociais dão vazão ou alimentam a intolerância?

    A razão dessa mediocrização da sociedade são justamente as redes sociais. Principalmente o Facebook. Ele nasceu para reunir amigos, certo? Só que a gente discute política ali. E discutir política entre amigos é sectário. Na eleição passada, um fulano me disse que tinha certeza de que tal candidato iria ganhar a eleição. Só que era um candidato sem representatividade. E esse fulano baseou a afirmação no que ele tinha lido na internet. O problema é que não era “a internet”, mas apenas uma rede social, um ciclo de amigos.

    Você tem uma web de A a Z à disposição, ela te dá o que você quiser, e, no entanto, você escolhe ficar esperando o que os seus amigos, os que pensam como você, mandam. Você lê e compartilha sem sequer conferir a fonte, afinal foi um amigo que mandou. No final do século 19 o Nietzsche falou do niilismo passivo, que o máximo da descrença na cultura é quando não há mais líderes, apenas rebanho. Eu acredito que as redes sociais de amigos são responsáveis por esse sectarismo e por essa polarização. Elas não ajudam a desenvolver a inteligência complexa necessária para o mundo contemporâneo. Aí surge o que eu chamo de “fascismo do bem”: a gente joga bomba em nome do bem, espanca em nome do bem, mata em nome do bem.

    O lado perverso da tecnologia.

    A partir da segunda metade do século 20, não houve interesse em desenvolver a nossa intelectualidade, nossa capacidade crítica, nossa sensibilidade artística. Só se desenvolveu a tecnologia. O resultado é uma tecnologia elaborada, mas um ser humano medíocre intelectualmente. Essa fórmula tem necessariamente que mudar.

    A educação precisa ser crítica, sensível, abrir a cabeça para o que a humanidade fez e faz de melhor, com elegância, sofisticação, e sem deixar de chamar atenção para os abismos sociais e ambientais. Ou a gente faz isso ou essa violência dispersa nas redes sociais toma conta. E ela está já tomando conta.

    Qual a melhor maneira de lidar com os conteúdos violentos e intolerantes nas redes sociais? Vigiar? Punir? Bloquear? Censurar?

    Ridicularizar. Não tem como censurar, porque ele sempre aparece com outro nome. Temos uma mídia que nos permite expor tudo, o nosso melhor e o nosso pior. Não podemos impedir que tudo esteja exposto. Perda de tempo. Em vez de impedir a presença do mal, ou do que nos incomoda, é melhor ensinar a fazer a escolha do caminho afirmativo. É possível fazer isso.

    Se as grandes virtudes fossem cultivadas, a gente relacionaria facilmente a bomba no Instituto Lula, num momento em que o PT está em crise, com a violência generalizada de uma sociedade que pode nos levar ao caos. É esse tipo de conversa que soluciona o nosso problema.

    Como se sai desse cenário de intolerância?

    Para viver bem, a gente precisa valorizar a diferença. Não é mais o bem e o mal, o certo e o errado. É conviver com a multiplicidade. Só que está tudo muito polarizado, que é o contrário do que precisamos. Valorizando as grandes virtudes, que, no fim, são a convivência com o diferente e a vida, a gente estabelece um valor moral que se chama diálogo, sustentabilidade. Ser sustentável é saber que tudo retorna. Esse círculo é exatamente o lugar do acordo.

    Por exemplo: a gente só consegue resolver a violência na escola se entender que, no caso do bullying, a pessoa mais importante é a que trabalha na portaria, na limpeza. Porque a criança não faz bullying na frente da diretora, se sente constrangida. Mas faz na frente do porteiro e da moça da limpeza. Isso acontece porque não se valoriza o saber e o olhar dessas pessoas. Pelo contrário, se menospreza. Mas elas devem ser igualmente ouvidas. Isso é ser sustentável, ter respeito e desejar o acordo.

    PS do Viomundo: A mediação do Lula, que se elegeu como conciliador de classes, é dispensável agora que a economia brasileira, num contexto de crise mundial, não permite mais o ganha-ganha que marcaram os anos do PT no poder. Ganharam mais os banqueiros, mas ganharam também os que recebem salário mínimo. Agora, os rentistas que controlam a economia brasileira estão forjando uma nova aliança política, na qual o PT em particular e a esquerda em geral é dispensável. O mais dramático é que, sendo o Brasil eminentemente um fornecedor de matérias primas, o primeiro “recurso” à disposição da elite associada ao capital estrangeiro é o pré-sal. A mesma elite buscará preservar a acumulação de riqueza através da redução de direitos sociais e salários, o que explica a tentativa de criminalizar os movimentos sociais e o sindicalismo. Ao mirar no Estado, o neoliberalismo turbinado busca destruir o espaço público, cujo gerenciamento exige soluções comuns, daí o desinteresse em “diálogo”. A polarização a que estamos assistindo, em nossa modesta opinião, é a velha luta de classes mascarada como antipetismo, anticomunismo, etc.

  12. *

    Maior estacionamento solar em geração distribuída do Brasil

    Planeta Coppe

    http://www.planeta.coppe.ufrj.br/artigo.php?artigo=2013

     

    Na próxima terça-feira, dia 18 de agosto, a UFRJ dará um grande passo em busca da utilização mais eficiente de recursos naturais. O campus da Cidade Universitária passará a abrigar o maior estacionamento solar do país em geração distribuída, localizado no prédio anexo do Centro de Tecnologia. O espaço, de 651,64 metros quadrados, com capacidade para 65 carros, alocará 414 painéis solares fotovoltaicos capazes de gerar 140 mil kWh por ano. Essa energia é suficiente para abastecer até 70 residências com consumo médio de 167 kWh por mês.

     

    A cerimônia de lançamento será, às 16 horas, no Laboratório de Ensaios Não Destrutivos, Corrosão e Soldagem (LNDC) da Coppe/UFRJ, que fica ao lado da instalação dos painéis. Participarão do evento o reitor da UFRJ, Roberto Leher; a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira; o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão; o Secretário de Fazenda do estado do Rio de Janeiro, Julio Bueno; o presidente da Light, Paulo Roberto Ribeiro; o diretor da Coppe, Edson Watanabe; e o diretor de Relações Institucionais da Coppe, Luiz Pinguelli Rosa, entre outras autoridades.

     

    O projeto, cujo valor do investimento é de R$ 1,6 milhão, faz parte do programa de energia do Fundo Verde de Desenvolvimento e Energia para a Cidade Universitária da UFRJ, iniciativa que utiliza o recurso do imposto ICMS que é cobrado na conta de luz da universidade para implantar projetos sustentáveis no campus da Cidade Universitária. Conta com apoio do programa Rio Capital da Energia, do governo do estado.

     

    Segundo a professora da Coppe Suzana Kahn Ribeiro, coordenadora executiva do Fundo Verde, países tropicais têm um grande potencial para projetos desse tipo:

     

    – Por conta de nosso enorme potencial hidrelétrico, tínhamos uma posição confortável em termos de energia renovável. Só que esse potencial não é mais suficiente para o atendimento da demanda de energia elétrica no Brasil. Tanto hidrelétricas quanto termoelétricas exercem forte impacto no meio ambiente e enfrentam muitas limitações, como regiões com grande biodiversidade e, ainda, necessidade de amplo sistema de transmissão para grandes centros. Assim, a energia eólica e a solar são as novas fronteiras de fontes renováveis. Com as iniciativas do Fundo Verde, pretendemos demonstrar a viabilidade e eficácia do uso da energia solar.

     

    A Coppe contribuiu com a concepção técnica do projeto, realizada por pesquisadores do Programa de Engenharia Elétrica. Os painéis solares permitem a captação da energia gerada para consumo próprio, mais precisamente do prédio do laboratório da Coppe. O volume excedente é compartilhado com a rede da Light, concessionária de energia elétrica. Segundo a Resolução 482 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a energia gerada a mais será descontada nas faturas seguintes. Dessa forma, além de inserir na rede da Light energia limpa e renovável, a iniciativa ainda pretende reduzir o valor dos gastos na conta de luz.

     

    O uso da energia solar também resulta em benefício para reduzir o aquecimento global. Com os painéis, aproximadamente 70 toneladas de dióxido de carbono (CO2) deixarão de ser emitidas por ano na atmosfera.

     

    De acordo com o diretor da Coppe/UFRJ, professor Edson Watanabe, que participou da elaboração do projeto básico, este projeto faz parte do esforço praticamente mundial para a obtenção de energias mais verde e, portanto, sustentáveis. O professor acrescenta que este tipo de geração ajuda a economizar água das usinas hidrelétrica e serão fundamentais para o país continuar a estar entre aqueles que geram energia elétrica de forma menos poluente.

     

    Suzana destaca que o meio ambiente não conflita com o desenvolvimento de uma região e é possível progredir por meio de ações sustentáveis e inovar ao aplicar e fazer bom uso dos impostos recolhidos para medidas objetivas, com eficácia de fácil comprovação. Para Suzana, o estacionamento solar é um dos projetos desenvolvidos pelo Fundo Verde que podem contribuir para que outras cidades comecem a discutir novas práticas de sustentabilidade.

     

    – As cidades brasileiras têm grandes espaços que poderiam ser cobertos com painéis para gerar energia. Estacionamentos são um bom exemplo, pois podem gerar energia ao mesmo tempo que fornecem sombra aos veículos estacionados.

     

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