Cogeração de cana gera créditos de carbono

A cogeração de energia, a partir da biomassa de cana de açúcar, será base de um projeto de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) Programático para a comercialização de créditos de carbono, pioneiro na América Latina. A iniciativa terá auxílio do banco de desenvolvimento alemão KfW e envolverá 42 usinas de Minas Gerais.

O MDL Programático requer o desenvolvimento de uma metodologia única que permita englobar projetos com operação semelhante. O procedimento será desenvolvido pela consultoria Key Associados, em parceria com o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Minas Gerais e a Associação das Indústrias de Açúcar e Álcool do Estado de Minas Gerais (AIAA) e o KfW.

O KfW financia o desenvolvimento da tecnologia com recursos de 100 mil euros, que envolvem a contratação da consultoria responsável pelo trâmite. Em trEm troca, o banco alemão terá preferência de compra de créditos a preço de mercado, mas se houver oferta superior, as empresas poderão vender para outro player, ou o banco poderá cobrir a oferta.

A expectativa do gerente da Key Associados, Daniel Ricas, é de um faturamento anual R$ 100 milhões com a comercialização de créditos, caso as 42 usinas sejam envolvidas no procedimento.

MDL

A diferença desta modalidade de certificação de créditos está no tempo reduzido, no processo de reconhecimento de certificação, e nos custos. Ricas explica que no método tradicional, cada um dos 42 projetos envolvidos deveria fazer isoladamente o processo de certificação, que envolve a documentação, contratação de certificadora, aprovação do Ministério da Ciência e Tecnologia e apreciação da Organização das Nações Unidas (ONU). Todo o trâmite leva cerca de 24 meses até a comercialização efetiva dos créditos.

Com o modelo Programático, uma vez aprovada, a metodologia única poderá abarcar todos os projetos, eliminando as várias etapas do procedimento. Após obter aprovação da ONU, cada projeto deverá passar apenas pela validação da metodologia, o que deverá levar apenas dois meses.

A modelagem do mecanismo não descartada a entrada de agentes de outros estados no processo. Na avaliação de Ricas, é possível que o projeto seja estendido para território nacional. Isso porque, algumas empresas que possuem usinas fora de Minas Gerais já demonstraram interesse em incluir suas unidades no projeto. A inserção, no entanto, pode ou não ser acatada no desenrolar do desenvolvimento do mecanismo, pois é necessário avaliar possíveis impedimentos jurídicos.

Investimento


De acordo com o superintendente e coordenador do Programa de Meio ambiente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Minas Gerais, Luciano Rogério de Castro, os 42 pontos produtivos vão investir R$ 4 bilhões na instalação, ampliação e modernização de procedimentos de cogeração em suas usinas até 2015. Dos 2,5 mil megawatts que serão gerados, um terço deve ser usado no autoconsumo das usinas. O restante da energia será comercializado.

Castro considera que o movimento é muito interessante, pois deverá contribuir com o reconhecimento do etanol como um produto sustentável, além de ampliar a rentabilidade da produção.

De acordo com Ricas, os recursos obtidos com os créditos de carbono podem ser associados a projetos sustentáveis e sociais. Alguns agentes costumam valorizar mais os créditos, pagando preços mais altos para aqueles com maior responsabilidade social agregada.
De acordo com a Key, o Brasil é o terceiro colocado no mundo no desenvolvimento de projetos de geração de crédito de carbono (atrás da China e Índia), sendo que 48,9% deles estão na área de energia renovável. Minas Gerais aparece como segundo colocado no país em número de projetos.

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