Como a Lava Jato do Rio de Janeiro blindou Flávio Bolsonaro

Uma matéria do El Pais, de 11 de dezembro de 2018, do repórter Afonso Benites, desvendou o jogo de empurra do Ministério Público Federal e do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro para abafar o caso Flávio Bolsonaro.

Uma matéria do El Pais, de 11 de dezembro de 2018, do repórter Afonso Benites, desvendou o jogo de empurra do Ministério Público Federal e do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro para abafar o caso Flávio Bolsonaro.

A Operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato Rio, avançou sobre os esquemas de rachadinhas da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Um relatório do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) constatou que Queiroz havia movimentado mais de R$ 7 milhões. O relatório foi desdobrado em dois, reduzindo o valor da movimentação.

A matéria comprova que o MPF sabia da existência do relatório do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre Queiroz e sentou em cima.

“Depois de descobrir que um ex-assessor do filho do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), movimentou “atipicamente” 1,2 milhão de reais em suas contas, a Procuradoria da República no Rio de Janeiro decidiu encaminhar a investigação sobre eventual irregularidade no caso para a esfera estadual”.

Só depois do vazamento de parte do relatório, mostrando que Queiroz havia movimentado R$ 1,2 milhão, é que o MPF resolveu agir. Para livrar a cara, mandou o caso para o MPE-RJ, sem maiores explicações. Se as suspeitas sobre os demais assessores e deputados da Assembleia Legislativa do Rio eram de interesse da Lava Jato, por que o caso do assessor de Flávio Bolsonaro não seria?

Além disso, o MPE-RJ já tinha o relatório desde janeiro de 2018 e engavetou-o. Se

não tivesse ocorrido o vazamento, tudo estaria acobertado até hoje.

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Conforme o próprio jornalista anotou, o MPE-RJ não tem tradição na investigação de crimes de corrupção de grande envergadura o que, pelo andamento posterior das investigações, comprovou a tese. Além disso, parte dos promotores incumbidos de investigar Bolsonaro eram, eles próprios, bolsonaristas militantes.

Por aí, se vê que a razão da blindagem dos Bolsonaro, tanto no episódio das rachadinhas como da morte de Marielle.

Na foto de todos os parlamentares, jamais entrou a foto de Flávio. Agora, se sabe a razão.

 

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16 comentários

  1. Nassif. Qual será o impacto de tudo isso que está surgindo a respeito dos Ministérios Públicos na imagem das instituições no futuro? Correm o risco de perder autonomia e prestígio?

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  2. Falando em Lava Jato, valeria a pena revisitar a estratégia do nazista Reinhard Heydrich.
    Em 1936 ele estabeleceu um pacto de colaboração internacional com a União Soviética de Stalin, para desmascarar criminosos. Assim, pelo bem da humanidade ou caridade nazista, talvez.
    Aproveitou-se das famosas purgas de Stalin para tentar eliminar o alto escalão militar soviético, fazendo um relatório que ele mandou lá para os soviéticos poderem fazer justiça.
    Parecido com o que a lava jato moralista fez com os expoentes econômicos e políticos no Brasil que dava certo.
    Tal qual no Brasil lavajateiro, a justiça soviética não se baseou em documentos para alcançar as condenações, mas sim em depoimentos.
    Um dos eliminados pela cooperação internacional com os nazistas foi o general Mikhail Tukhachevsky, um dos mais brilhantes generais russos, e criador da doutrina militar do Deep Operation, que até hoje serve de base para a defesa do território russo.
    Parece que a doutrina de uso da cooperação internacional para eliminar a elite de um país através de dossiês fajutos e depoimentos suspeitos no âmbito judiciário não foi criada na república de curitiba, afinal. Ao menos os meninos da CIA estudam História para desenvolver suas ações, parabéns.

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  3. O ministério público federal é uma instituição, hoje, em profunda crise. Depois que a ideologia entrou a dignidade e honestidade saiu.

    Os ministérios públicos de alguns estados botam mais medo no cidadão do que o pior bandido do pedaço.

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    • Em lugar da expressão “profunda crise”, não daria um sentido mais apropriado redigir – avançado estado de metástase degenerativa, irreversível? Aquilo apodreceu e precisa ser enterrado, sob várias camadas de cal.

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  4. o perigo é que quanto mais fazem besteiras mais radicalizam porque têm lado e sabem que mais dia menos dia o medo aumenta porque imaginam que serão tão perseguidos quanto perseguem atualmente..
    a ideia de republicanismo e impessoalidade – síntese de qualquer instituição que se queira respeitada – está distante dessa gente que vive num estado de exceção permanente…
    os movimentos sociais lutaram tanto por democracia para chegarmos a esse ponto trágico de uma instituição em parte “monstruosa”

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    • A Constituição de 1988 deu muito poder ao MP, mas não estabeleceu contrapartida. Eles não prestam contas a absolutamente ninguém, a não ser seus órgãos de fiscalização, que agem de forma corporativista e leniente.

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  5. Nassif,
    Há muitos anos o Judiciário do RJ é uma grande baderna e aí? E aí, nada.
    Os mais variados privilégios ( quantos de lá já foram diretores de delegação da CBF?) transformaram a justicia em uma baderna impressionante, teve juiz que quase comprou a metade do município de Búzios, foi descoberto e ficou tudo por isto mesmo. Se alguém for capaz de se lembrar de um do MPE que simpatiza com partido político progressista, está de parabéns, porque a regra, e não somente por lá, sempre foi outra.
    Na Alerj, para muitos o local mais corrupto do país, a história se repete, representante de partido progressista parece ser um intruso, isto num ambiente que dizem estar agressivamente infestado por ladrões que agora também têm como parceiros alguns milicianos eleitos pelos mais de cem redutos de milícia no município do RJ.
    Quanto ao filhote daquele que é o maior dos amigos dos milicianos, não passaria de um zé ninguém caso o seu sobrenome fosse Silva ou coisa que o valha, e esta blindagem mostra que nenhum dos três filhotes do senhor capitão escaparia de um rigoroso inquérito, quem sabe de uma prisão.
    Deveria impressionar o pouco caso do MPE neste assunto, mas depois do que se viu em relação às bolsonaristas, elas literalmente fantasiadas com camisa de bolsonaro, no caso da guarita do condomínio do miliciano, um escândalo de parcialidade raro de se ver, é mais coerente imaginar que a “baderna judiciária” que privilegia uma meia dúzia veio para ficar, e, com filho de presidente extrema-direita, a ausência de decência pode ser considerada como o perfeito modelo de atuação daquela turma.

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  6. O monstro de 88 (re)nasceu com a morte da pec 137…
    Policia investiga, MP acusa e juiz julga.
    Hoje: policia acusa, MP acusa e juiz acusa…
    Cada vez pior!

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    • verdade consolidada a partir daí…
      quem podia o mais, e podia o menos, passou a poder o mais e o muito mais

      velhos brocardos jurídicos sendo alterados para o abuso ou com juízes julgando antes da denúncia, ou seja, acusando ( em discussão, uma alteração clássica em Moro contra Lula )

  7. Essas facçoes judiciarias estao no nucleo da boçalnarice. Acham que são a inteligência nacional por passarem em concursos de charadinhas e engoliram pesadas doses de doutrinação meritocrática e de guerreirice. Essa jagunçada é perigosíssima.

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  8. Com um MP desses os bandidos, corruptos e milicianos estão nadando de braçadas. Se são bozoloides e não agem contra a família Bozo, então são mais bandidos que a própria família, uma vez que são sustentados com poupudos salários pagos com dinheiro público e, se acham no direito de prevaricar quando os acusados são da família miliciana.
    Que raio de “ministério público” é esse? Um dia a casa cai e essa cambada vai em cana.

  9. Uma coisa eu tenho que admitir: sinto muita inveja da família Bolsonaro, pois tenho um desejo incontido de cometer crimes, mas só o faria se pudesse contar com uma meganha particular como essa que serve a eles, para me assegurar a impunidade!

  10. + comentários

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