Como está o acerto entre governo de SP e de Bolsonaro para a CoronaVac

A guerra política acabou? Entenda o que o Instituto Butantan ofereceu ao governo federal, que por fim se interessou pelo imunizante no Plano Nacional de Vacinação

Jornal GGN – O Plano Nacional de Imunização e o plano de vacinação do governo de São Paulo vão, aos poucos, chegando a um acordo. É o que indicou nas pretenções, pelo menos, do Ministério da Saúde, com o lançamento nesta quarta (17) do protocolo de operacionalização das vacinas, recuando nas críticas à CoronaVac, fazendo as menções ao Instituto Butantan e dando início aos papeis para a aquisição da vacina chinesa contra Covid-19 em todo o país.

Foi após a pressão do governo de São Paulo e de outros estados que o ministro Eduardo Pazuello entregou, em sinal de redenção, o programa ao presidente Jair Bolsonaro, ambos satisfeitos com o documento, que como o GGN mostrou, trouxe apenas elogios à CoronaVac.

Nessa mistura de “planos”, o governo de São Paulo deverá precisar fazer ajustes à vacinação no estado. O Instituto Butantan enviou a proposta de entrega das doses da vacina ao Ministério da Saúde na noite desta quarta e, imediatamente depois, o governo de João Doria comunicou que o plano paulista deverá ser adequado à estratégia nacional.

Não de forma coincidente, horas antes, o voto do ministro Ricardo Lewandowski, relator das ações de vacina contra Covid-19 no Supremo Tribunal Federal (STF), incluia essa petição: de que os governos locais não poderiam “prejudicar” os planos do governo federal.

“A atuação do governo central e das autoridades estaduais, distritais e locais há de ser, obrigatoriamente, concomitante para o enfrentamento exitoso da Covid-19, sem prejuízo da necessária coordenação exercida pela União.”

A observação é feita pelo ministro com uma exceção: governos estaduais e municipais poderiam, sim, divergir e atuar de maneira independente do governo Bolsonaro, caso este não realize seu trabalho de comandar uma estratégia de vacinação gratuita e universal para toda a população.

Dito isso, Pazuello caminhava momentos depois pelo palco do Palácio do Planalto, em Brasília, com este compromisso: de atender à vacinação gratuita e universal. E João Doria cedeu.

A Secretaria Estadual da Saúde divulgou que o plano de SP estava já “pronto para ser colocado em prática em 25 de janeiro”. E não iria recuar na data, “porém, em caso de definição do plano nacional, São Paulo seguirá as orientações para as estratégias de vacinação, o que inclui a definição não só dos grupos prioritários, como de faseamento”.

Durante este imbróglio do governo Bolsonaro, o Instituto Butantan, por outro lado, avançou na preparação das vacinas para a população paulista, estava preparado para disponibilizar o imunizante a outros estados brasileiros e com vistas a parcerias internacionais. As fábricas já estavam funcionando 24h deste o início do mês para tal.

Esta parte dos planos não mudaram. Se, após a rejeição, agora, o governo Bolsonaro anuncia o interesse de adquirir “sem exceção” toda a produção da CoronaVac pelo Instituto, o laboratório brasileiro afirma se garantir com as 46 milhões de doses solicitadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e outras milhões para exportação, colocando definitivamente o país no interesse mundial pelas vacinas.

Entre os interessados, Argentina pode adquirir 10 milhões. Outras 30 milhões de doses estão sendo negociadas em outros países da América Latina, incluindo Peru, Uruguai, Paraguai e Honduras. A Organização Pan-Americana de Saúde também pode dar espaço em concorrêncial mundial para a vacina do Butantan com a China.

Nos próximos dias, estes detalhes precisarão ser definidos na negociação entre São Paulo e o governo Bolsonaro, que prometem assinar, ainda nesta semana, o memorando de intenções.

 

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