Como governadores usam as polícias e as deixam ao abandono

O apoio à base da PM passa por assistência social, psicológica, amparo aos filhos, perspectiva de carreira, para impedir que se tornem presas fáceis de cooptação de milícias e empresas de segurança. E políticas de segurança modernas, preventivas, que transformem o policial em uma figura amiga e protetora das comunidades.

Vamos a um pequeno roteiro sobre como se criou a ameaça da rebelião policial no país.

Houve um marketing eleitoral imprudente elegendo a segurança pública violenta como ponto central. Candidatos como Bolsonaro, Witzel e Doria se elegeram prometendo “mirar na cabecinha”.

Essa imprudência criou dois quadros paralelos e duas espécies de vítimas: os mortos de periferia e os policiais, expostos a pressões violentas e riscos de vida e de retaliação.

Não houve contrapartida dos governadores a essa convocação.

O caso do Espírito Santo de Paulo Hartung foi paradigmático. Um enorme marketing em torno do tema segurança e falta absoluta de política de recursos humanos, perspectivas de carreira, garantia de segurança fora do trabalho e mesmo instrumentos básicos de trabalho, como coletes a prova de balas.

Provavelmente é o mesmo quadro do Ceará e de outros estados.

O policial se vê usado pelos políticos, para vencer as eleições. Nas corporações, ações efetivas e legitimadoras da PM, como o policiamento de vizinhança, são jogados para segundo plano pelo estímulo do chefe maior – o governador – à violência. E a violência expõe não apenas as vítimas como os executores e suas famílias.

Não é por outro motivo que o comandante da Polícia Militar de São Paulo recentemente fez o alerta. Há um estímulo para o policial ser violento e, depois, é deixado ao Deus-dará.

A base da polícia é composta por moradores de periferia, sofrendo os mesmos problemas das suas vítimas, de falta de estrutura, de falta de acesso e bens públicos, de falta de perspectivas profissionais.

O apoio à base da PM passa por assistência social, psicológica, amparo aos filhos, perspectiva de carreira, para impedir que se tornem presas fáceis de cooptação de milícias e empresas de segurança. E políticas de segurança modernas, preventivas, que transformem o policial em uma figura amiga e protetora das comunidades.

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Houve um tempo em que a PM paulista entrava em bairros conflagrados tendo à frente sua Banda da PM, como forma de angariar a simpatia e a adesão dos bairros. Transformaram-se em máquinas de matar devido ao estímulo de governadores oportunistas e irresponsáveis.

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7 comentários

  1. O apoio NÃO SÓ à base da polícia militar MAS TAMBÉM a todas as pessoas em situação social vulnerável passa por assistência social, psicológica, amparo aos filhos, perspectiva de emprego, para impedir que se tornem presas fáceis de cooptação de milícias e do tráfico.

    • Contemporizar não resolve. Ainda que NÃO “se tornem presas fáceis de cooptação de milícias e do tráfico” (esse bla-bla-bla cansativo e ingênuo), eles se tornam bandidos DENTRO das corporações. Não é necessário tornar-se miliciano ou bandido. Isso é o absurdo do absurdo. Não é essa a questão. A PM É uma corporação violenta, covarde, preconceituosa, abandidada em sua FORMAÇÃO. Não me venha com historinhas de “banda podre”. Tirando as de música, aquela minoria da minoria da minoria, as bandas são TODAS PODRES. Este é o momento de clamar pelo fim dessa bandidagem oficial! Pelo fim dessa corporação de facínoras, achacadores, matadores de pobres, capitães do mato. E, ALÉM DISSO, formadora de estúpidos, covardes, traficantes, matadores de aluguel, chacinadores, delinquentes etc. etc. etc. Tem de tudo o que não presta. É isso que se quer defender???!!!

        • Claro, também elas. Como já ouvi alguém dizer, se acham a polícia ruim é porque não conhecem o MP. Ótimo! Mas estamos tratando de PM e elas têm de acabar. Uma outra polícia há que se posta no lugar. Do jeito que está é que não dá MESMO! Pelo fim PM!

  2. Faltou falar no principal, Nassif: o fim dessa excrescência que é a PM. Uma polícia assassina, covarde, composta por facínoras de alto a baixo, treinadas para matar, que recruta gente sem caráter que espera virar um “bandido oficial”, gente que se degrada ainda mais ao longo da carreira. Quem entra em favela apitando e batendo lata é uma minoria da minoria da minoria. Conheci um PM de banda que se orgulhava de nunca ter dado um tiro. O resto, 99%, é gente cretina e acretinada. Não tem “salvação”. Deve pugnar pelo fim dessa quadrilha e pela formação de quadros policiais civis, técnicos, bem formadas. Essa bandidagem que se forma em quartel com nosso dinheiro NÃO DÁ MAIS. Não há o que tergiversar: CHEGA DE PM!

  3. “Vai acabar, vai acabar, a polia militar!”
    Essa é uma palavra de ordem equivocada que ouvi diversa vezes em manifestações da Av. Paulista, pça da República, Largo da Batata e outros lugares.

    Onde está o equívoco, que deixa a PM furiosa?

    Porque passa uma mensagem errada ou no mínimo dúbia de que todos os PMs perderão seus empregos e não é isso que deve ser colocado.

    O que se deve exigir é o fim da militarização da Polícia, como ocorre em quase todo mundo. Militarismo é e deve ser exclusividade das Forças Armadas.

    A Policia Militar no Brasil está mais subordinada ao exército do que ao governador de turno e isso me parece está garantido na CF, uma herança maldita, um entulho autoritário do tempo da ditadura, que me parece, foi mantida na CF. Dessa forma eles agem como se fossem a extensão das Forças Armadas, daí a sua violência contra o povo e a sua insubordinação contra o governador.

    É preciso extinguir, se for o caso, esse item da CF, garantindo ao policial uma nova formação que lhe permita uma convivência cidadã com os moradores da cidade e uma total subordinação a autoridade do governador.

    Agora, se essa ligação entre PM e FAs está garantida na CF, quem vai tirar, num momento como o dessa quadra que estamos passando, o guizo do pescoço do gato? Mas é justamente em um momento desses é que essa medida deve ser proposta não apenas por parlamentares, mas por prefeitos e governadores.
    “Queremos a Força Pública de volta”
    É preciso mostrar aos PMs as vantagens para todas as partes, deles voltarem a ser apenas policiais, sem o estigma da militarização.

    Alguém do meio pode enumerar?

    • Sim, claro, não e simplesmente acabar com a polícia. É tirar esse LIXO TÓXICO ASSASSINO que está aí e substituí-lo por algo minimamente civilizado. Os escroques (30%, 40%, 60%?) devem ser paulatinamente removidos, demitidos, expulsos, presos etc. etc. etc. e substituídos por gente bem formada. Uma coisa é certa, clara, cristalina: enquanto esse rebotalho assassino estiver nas ruas e nos quartéis, jamais haverá paz e justiça na sociedade. Não são tão somente vítimas; são também algozes. Não dá mais! Chega de truculência, barbárie e repressão desenfreada. E se estão ligados às FFAA, seria um ótimo momento para questionar a existência dessas também. Por que não? O que fazem esses fardados inúteis e, agora, entreguistas? Sinceramente, não vejo utilidade, finalidade ou razão de ser. Se é assim… FORA! Invente-se algo mais razoável e civilizado.

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