Comunismo avança nos EUA

Comunismo avança nos EUA como alternativa à crise capitalista mundial

11/11/2013 12:35
Por Redação, com agências internacionais – de Washington e Nova York, EUA

 

Em Seattle, a campanha comunista já fez o salário mínimo subir

Em Seattle, a campanha comunista já fez o salário mínimo subir

Em tempos de crise, o comunismo deixa de ser o velho ‘bicho papão’ dos tempos da Guerra Fria e tornar-se, cada vez mais, uma alternativa política para sociedades oprimidas pela concentração de renda. Principalmente nos EUA, onde o sistema divide o eleitorado em basicamente conservadores democratas e ultraconservadores republicanos, o ideário comunista se fortalece, nas urnas, com as campanhas de candidatos do campo das esquerdas, como o atual prefeito de Nova York, Bill De Blasio, e dois candidatos da Alternativa Socialista (CIT, na sigla em inglês), em duas grandes cidades norte-americanas.

Kshama Sawant em Seattle e Ty Moore em Minneapolis, conduziram as campanhas eleitorais explicitamente socialista mais fortes nos EUA em décadas. “Independentemente do resultado final, os votos para esses ativistas socialistas ilustram claramente o vácuo na política dos EUA e a raiva contra o establishment controlado pelas grandes empresas.

“As duas campanhas se fortaleceram com a enorme desconfiança que existe em relação ao sistema político, enraizada na Grande Recessão e a lenta recuperação econômica”, afirma Bryan Koulouris, integrante da CIT.

“A recente paralisação do governo federal, quando não havia acordo sobre o orçamento, também alimentou a ira popular que permitiu que as campanhas socialistas tivessem um eco entre os trabalhadores. Durante a paralisação do governo, o índice de aprovação do Congresso caiu para um mínimo histórico de 5%. Em uma pesquisa Gallup, um recorde de 60% disseram que é necessário um novo partido nos EUA, e um nível baixo recorde de apenas 26 % disseram que os dois partidos estavam fazendo um trabalho adequado”, acrescentou.

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Ainda segundo Koulouris, “muitas pessoas nos EUA se sentem desencorajadas e desmoralizadas pelo sistema eleitoral pró-empresas e fraudulento. No entanto, essas campanhas demonstraram sem sombra de dúvida que os candidatos independentes e pessoas da classe trabalhadora podem desafiar o establishment sem receber um centavo de dinheiro das empresas! Ty Moore arrecadou mais dinheiro do que seu principal adversário apoiado pelas empresas e Kshama Sawant levantou cerca de US$ 110 mil, em comparação com os US$ 238 mil de seu oponente”.

“As campanhas da Alternativa Socialista mostraram claramente que é possível para as pessoas comuns e os jovens se organizarem e lutar para mudar o mundo. Alternativa Socialista quer aproveitar esse momento para futuras campanhas dos 99% , como a campanha ‘Pela sindicalização e um salário mínimo de US$ 15 por hora’, e a luta para taxar os super-ricos para pagar um programa de transporte público ecológico massivo”, pontua Koulouris.

“Muitas pessoas de esquerda argumentam que as ideias socialistas não podem ganhar o apoio das massas neste país, mas essas campanhas mostram que eles estão completamente errados. Pesquisas do Pew Research Center mostram repetidamente que a maioria dos jovens e negros agora preferem o ‘socialismo’ ao ‘capitalismo’. Obviamente, essa consciência é confusa, mas ilustra que as pessoas estão de saco cheio com a desigualdade crescente e com os aumentos insuportáveis no custo de vida e do próprio capitalismo”, escreveu.

Construindo movimentos

A campanha de Ty Moore no Distrito 9 de Minneapolis foi construída ao lado de uma campanha importante e com grande visibilidade por justiça habitacional liderada pelo ‘Ocupe Casas Minnesota’. Moore e a Alternativa Socialista ajudou a lançar esta organização, que defendeu com sucesso muitas famílias de serem despejadas pelos grandes bancos e pela polícia. O centro ‘Zona livre de despejos’ do Ocupe Casa foi no Distrito 9, bairro etnicamente misto habitado por trabalhadores. O ‘Ocupe Casas’ e a campanha de Moore reforçaram mutuamente um ao outro.

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Da mesma forma, em Seattle, a campanha de Sawant ajudou a colocar a ‘Luta por 15′ – as greves e protestos de trabalhadores de baixa renda pelo salário mínimo de US$ 15 – no centro do debate político. “A Alternativa Socialista construiu energicamente este movimento, auxiliando grevistas criminalizados e combatendo os argumentos contra o aumento do salário mínimo”, afirmou.

Quando as organizações de trabalhadores conseguiram incluir um plebiscito sobre o aumento do salário mínimo a US$ 15 na votação no subúrbio de Seattle de SeaTac, a campanha de Sawant energicamente apoiou este movimento, contribuindo para a vitória histórica no plebiscito. Os dois candidatos a prefeito, que não tinha mencionado o salário mínimo no início de suas campanhas, saíram vagamente em apoio de um salário mínimo US$ 15 dólares. O sucesso da Sawant em deslocar o debate político levou o Seattle Times, o maior jornal de Seattle, a dizer antes da eleição que ‘o vencedor da eleição de Seattle já é a socialista Kshama Sawant”.

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