Coronavírus: Segunda onda de Manaus racha Fiocruz, diz colunista

Para pesquisador, o fato de não defender o Lockdown mostra que a Fundação está desprovida de amparo científico e apenas reforça a narrativa de Bolsonaro

© Marcello Casal jr/Agência Brasil

Jornal GGN – A capital do Amazonas, Manaus, enfrenta uma nova onda de surto de casos do novo coronavírus. Segundo a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, a crescente nos números relacionados às vítimas da doença “está causando profundas divergências e discussões intensas na Fiocruz [Fundação Oswaldo Cruz]”.

De acordo com dados da secretaria municipal de Saúde de Manaus, entre 24 e 28 de setembro, foram registrados 1.627 casos na capital. No mesmo período do mês passado, a cidade havia registrado 1.255 diagnósticos positivos da Covid-19. Isso significa um aumento de quase 30% de casos. 

O pesquisador da Fiocruz, destaque na análise dos dados de Manaus, Jesem Orellana, afirmou que a segunda onda já está em formação e que não é preciso esperar seu pico para alertar sobre os efeitos.

Assim como o prefeito da cidade, Arthur Virgílio (PSDB-AM), Orellana tem recomendado a necessidade de lockdown no município, mas isso tem “gerando reações de autoridades do estado do Amazonas que discordam dele”, escreveu Bergamo.

A própria Fiocruz reconhece o aumento de casos da Covid-19 na capital, mas não defende o lockdown e recomenda apenas a medida de distanciamento social.

Em meio ao embate, Jesem Orellana afirmou à coluna de Bergamo que foi desautorizado a falar em nome da fundação. Recomendaram “não me identificar como sendo da Fiocruz​ em entrevistas sobre Lockdown”, disse o pesquisador. 

Para ele a medida “foi além”.  “Ao afirmar que ‘a Fiocruz não recomenda Lockdown’, o que antes de tudo é, no mínimo, desprovido de amparo científico e apenas reforça a narrativa do Presidente Bolsonaro”, afirmou.

“O que me preocupa é que o contexto atual é o mesmo de março, quando havia uma certa apreensão, mas ninguém nunca imaginou o que poderia acontecer em abril/maio: uma catástrofe sanitária sem precedentes. Obviamente, não teremos nada parecido com a primeira onda nos próximos meses. Mas naturalizar adoecimentos e mortes é algo grave, desumano e antiético”, explicou o cientista.

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