Covid-19: Dados sobre ocupação de hospitais contradizem Braga Netto

Jornal GGN – O ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, declarou a senadores da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional que não existiam leitos de UTI ociosos nos hospitais das Forças Armadas em Brasília – entretanto, planilhas divulgadas por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) apresentam um quadro bem diferente.

“O fato é que não existe hoje leito disponível, não existe leito, vamos dizer, ocioso –não é disponível– nos nossos hospitais. Os nossos hospitais estão completos”, disse Braga Netto ao lado dos comandantes das três Forças, segundo o jornal Folha de São Paulo.

Entretanto, a vacância de leitos de UTI, no dia da fala do general no Senado, oscilava de 5% a 100%, conforme os dados tornados públicos por decisão do TCU, e tal oferta de leitos continuava nesta segunda-feira (3), inclusive em cidades onde pacientes com Covid-19 aguardam por leitos de UTI.

Por exemplo: nove dos 17 hospitais do Exército com leitos de UTI ou emergenciais tinham leitos disponíveis no dia 29, enquanto os demais estavam superlotados. As maiores ocupações, dentre os que tinham vagas, se davam no Hospital Geral de Fortaleza (78%), Hospital Militar de Área de Manaus (67%) e Hospital de Guarnição de Natal (63%).

As menores ocupações ocorriam no Hospital Geral de Juiz de Fora (0%), Hospital Geral de Salvador (0%), Hospitais de Guarnição de Tabatinga (0%) e São Gabriel da Cachoeira (0%), Hospital Geral de Curitiba (17%) e Hospital Geral de Belém (33%).

As vagas dos hospitais das Forças Armadas são reservadas exclusivamente a militares e seus dependentes, inclusive nos momentos mais severos da pandemia, o que passou a ser alvo do Tribunal de Contas da União. Tais leitos não foram integrados às redes públicas de saúde e, segundo o TCU, cerca de R$ 2 bilhões do Orçamento da União foram destinados às unidades militares.

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