Cresce preocupação ambiental entre jovens

Jovens se preocupam cada vez mais com o meio ambiente. Mas, entre os aspectos que compõem a lista do que consideram ideal para viver bem, as questões individuais ainda estão acima das que envolvem a sociedade.

A análise é do instituto Akatu que realizou entrevistas com mil jovens adultos de 18 a 35 anos nas capitais mais populosas do país. O trabalho compõe um projeto coordenado pela United Nations Environment Progtramme (UNEP), formado por várias instituições no mundo com o objetivo de avaliar a sustentabilidade e o consumo da população dessa faixa etária.

O combate ao crime é prioridade para 32% dos entrevistados, seguido da redução da pobreza (27%), melhorias nas condições econômicas (18%) e necessidade de se combater a degradação ambiental e a poluição (11%). Em contrapartida, apenas 9% dos jovens pontuam como primordial a melhora dos serviços sociais, 4% a luta contra as desigualdades entre os sexos. A pesquisa destaca ainda que nenhum entrevistado considerou a disseminação da democracia e liberdade como questão prioritária.

Segundo os autores do levantamento, a percepção dos jovens em relação aos principais desafios sociais em 2009 foi parecida ao registrado em entrevistas feitas em 2001. O nível de preocupação cresceu em média 7 pontos em todos os itens – com exceção dos temas de meio ambiente: poluição saltou de 60% para 72% e mudanças climáticas cresceu de 24% para 61%.

Grau de sustentabilidade


Os jovens também foram avaliados quanto à visão que têm de sustentabilidade nas práticas cotidianas. Em relação a mudanças de hábito dentro de casa, 78% se mostraram receptíveis aos sistemas de compostagem urbana (processo que transforma resíduos orgânicos em adubos), enquanto 22% aceitaram o cenário de lavanderias coletivas.

Em relação a transportes, 53% dos entrevistados disseram optar pelas redes de bicicletas, e 47% o compartilhamento do carro.

“Quando confrontadas com uma ideia muito inovadora, distante de suas questões cotidianas, que requer um grau elevado de abstração, e que solicita mudanças de comportamento, a tendência das pessoas é apresentar um grau mais elevado de rejeição ou de questionamento da viabilidade da ideia”, esclarecem os pesquisadores no relatório.

Consciência ambiental

Cerca de 31% dos participantes das classes A e B demonstraram ter alta consciência ambiental, enquanto 14% dos entrevistados das classes D e E foram avaliados com essa percepção. Os pesquisadores consideram que essa diferença ocorre em razão da maior escolaridade e acesso a informações das populações de melhor poder aquisitivo.

O levantamento também avalia a relevância da Agenda 21 – programação criada a partir do encontro da Rio 92 que prevê o desenvolvimento de metas de sustentabilidade e combate a degradação. Cerca de 14% dos jovens percebem a relevância da Agenda 21, tendo como prioridade as questões ambientais, econômicas e sociais.

Para os pesquisadores a proporção (14%) é importante entendendo que cada entrevistado tem potencial de expandir a consciência ambiental no meio em que vive. “Como os jovens mais envolvidos na Agenda 21 não estão concentrados nem em determinada classe social nem em regiões geográficas, o efeito dessa multiplicação poderia se disseminar de forma bastante ampla”, destacam em relatório.

A análise é acompanhada do grau do Capital Social – variável que equivale ao nível de influencia e de protagonismo de cada entrevistado em sua comunidade. Cerca de 45% do total pesquisado apresentou alta concentração de Capital Social.

“Analisando os entrevistados segundo critérios demográficos, ou seja, considerando variáveis como sexo, classe social e região, percebe-se que não há diferenças significativas entre os grupos com alto ou baixo Capital Social em nenhuma dessas variáveis”, completam. O que significa que morar no Norte ou no Centro-oeste, entre as classes A ou C, não pressupõe alto ou baixo índice de Capital Social.

Coletividade


Do total de entrevistados, 49% tinham ensino fundamental completo, 40% ensino médio completo, 7% superior incompleto, e 4% superior completo. A maior parte dos jovens adultos (71%) trabalhavam, 17% estudavam e 26% recebiam apoio financeiro da família.

Os autores do relatório concluem que a coletividade é a grande propulsora de transformações sociais, mesmo em meio à valorização crescente do individualismo. “A consciência social dos direitos coletivos tem levado muitas vezes à subordinação das decisões individuais à necessidade de participação ampla, especialmente nas decisões com importantes impactos coletivos”, finalizam.

Para acessar o estudo na íntegra, clique aqui.

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