Crise e Castigo

O Brasil está em crise. O povo está empregado, auferindo renda, estudando em universidades públicas, viajando de avião e, pasmem, comprando carro zero e tendo acesso a crédito para adquirir casa própria. Os supermercados estão cheios de consumidores e ainda assim os jornalistas falem em crise e aqueles que nunca passaram fome batem panelas. Crise estranha esta…

Não, não é o Brasil que está em crise. Quem está em crise é a elite brasileira. Além de perder eleições que julga imperdíveis, os brasileiros remediados (a minoria com complexo de governo, os vira-latas que odeiam o Brasil exceto quando viajam para a Europa) não conseguem mais se distinguir dos pobres, nem podem tratá-los como coisas. Onde já se viu… tem empregada doméstica processando patroa por assédio moral e ganhando o processo. Um comunismo intolerável tomou conta do Brasil agora que todos, inclusive os pobres, são consumistas.

No jornal O Globo foi publicada uma matéria que retrata muito bem a verdadeira natureza da crise. A vida se tornou insuportável para as dondocas que, no dia 15/03, baterão panelas que raramente usam :

http://oglobo.globo.com/blogs/blog_gente_boa/posts/2015/03/12/as-empregadas-perderam-nocao-de-limite-diz-consultora-562708.asp

Nhá-nhá, a sinhazinha, queria uma mucama para por a mesa, balançar a rede e levar seus apetrechos de toucador  ao lado de sua liteira carregada por dois negros fortes limpinhos. Fez beicinho porque, em pleno século XXI, nenhuma doméstica se sujeitou às relações de trabalho do século XVII. Coitadinha de Nhá-nhá… num pode nem mandar chicotear a desaforada, porque se o fizer corre o risco de ser presa por crime hediondo. 

Leia também:  Crescimento da China expõe falso dilema entre saúde e economia

A crise do Brasil é verdadeira, mas muito diferente daquela relatada pela imprensa. De fato o país está em crise porque, desgraçadamente, sua elite bestial não foi decapitada como a aristocracia francesa em 1789, nem fuzilada como a aristocracia russa em 1917. Nossa crise é de tolerância. Toleramos demais estes merdas que pensam que o Estado é deles e que o povo brasileiro é apenas um inquilino indesejado no território que não lhe pertence. I hope from the day 15/03 our tolerance will decline enough.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

1 comentário

  1. As nuvens sempre fazem o que dizem que vão fazer

    As nuvens sempre fazem o que dizem que vão fazer, afirmava um antigo colega meu de excursões, alertando para o perigo de temporais súbitos em nossas escaladas a montanhas (já fiz muita maluquice). Com as crises econômicas acontece a mesma coisa: antes de sentirmos seus efeitos, podemos vê-las despontando no horizonte, e tal como ocorre com as nuvens, nada podemos fazer exceto nos preparar para enfrenta-las.

    Que os adversários do governo vão pintar o cenário com as cores mais sombrias possíveis, isso é óbvio. Mas dizer que não há crise nenhuma, que todos estão felizes, estudando, trabalhando e lotando os shoppings, que a Petrobras está bombando e a roubalheira é intriga da oposição, aí já é sandice. Ironicamente, lembra-me a propaganda do governo militar dos anos setenta, negando a crise com toda a cara-de-pau. A crise começa comendo pelas bordas, reduzindo o crédito e o poder aquisitivo, e avança até a última trincheira, que é a perda do emprego. Os supermercados ainda estão cheios de consumidores, mas eles estão vendo os preços subirem. O pessoal continua comprando a crédito, mas os juros já subiram. Mais pessoas estão estudando, mas as universidades já sofreram corte de verbas e em muitas delas o reinício das aulas foi postergado. O desemprego ainda está baixo, mas hoje mesmo saiu a notícia de que o índice está subindo.

    De resto, a conversa de malhar a elite é apenas escapismo. A Elite não passa de um totem, mera abstração, espécie de entidade maligna que todos estão certos de ser a culpada de todos os males, mas que ninguém sabe dizer exatamente o que é, exceto que seus integrantes são sempre os outros. De fato, conforme o quesito, tanto eu quanto você podemos ser classificados como integrantes de uma elite. Uma vez que ninguém veste a carapuça de ser membro da tal “elite”, malha-la é um esporte de risco zero, pois sabe-se que não haverá reação. Um bom exercício de catarse.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome