De Sérgio Moro, Mefistófeles e o implacável julgamento da História, por Eduardo Ramos

De Sérgio Moro, Mefistófeles e o implacável julgamento da História

por Eduardo Ramos

Quanto mais lenha tem uma fogueira, mais tempo demorará a se apagar. Mas, ao final, virará cinzas como todas as outras.

A frase óbvia se refere às celebridades do Judiciário, que se tornou, de fato e de verdade, o Poder predominante no jogo político no Brasil na última década.

Nessa metáfora simples, fogueira representa os holofotes da mídia e os aplausos da sociedade, os tapinhas nas costas, os sorrisos e cumprimentos efusivos em restaurantes e supermercados, é o gozo paroxístico, dionisíaco, do homem comum, medíocre, levado ao Olimpo dos deuses-homens. Impossível não lembrarmos de duas dessas figuras: Joaquim Barbosa e Rodrigo Janot. Experimentaram essa fogueira, a lenha que alimentava o fogo vinda aos montes da mídia, rede Globo à frente. Como toda aquela luz era ARTIFICIAL, era uma farsa, uma criação humana, quando os grupos midiáticos abandonaram suas criaturas, o fogo apagou. Foi, é e será, sempre, simples assim! Imaginemos esses dois homens em seus auges. O Brasil parava para ouvi-los, analisar seus próximos passos, parte da sociedade os odiava, parte celebrava, mas nada faziam que não houvesse grande repercussão. Comparemos com hoje, depois de um hiato de tempo que é um nada… Resta um vazio patético, porque só sobrou o que sempre foram.

Sérgio Moro, hoje, vive EXATAMENTE O MESMO PROCESSO por qual passaram Joaquim Barbosa e Rodrigo Janot. O mesmo Mefistófeles que sadicamente lhes tirou tudo o que mais amavam – a sensação de serem “especiais” (não eram…) a sensação de “homens-deuses” (sic….), hoje, carta a carta, vagarosamente, desmancha o castelo do ex-juiz, e ri-lhe na cara, enquanto vê a luz de sua fogueira se apagar lenta e indelevelmente. Nada sobrará ali!

Mefistófeles, esse anjo do mau que certamente tem predileção por medíocres pomposos, narcísicos e psicóticos em relação ao próprio valor, às vezes cria enredos complexos, paradoxais. Sérgio Moro, seu fantoche preferido fez parte desse seu jogo: tanto Janot quanto Barbosa têm uma cultura geral e jurídica superior à do ex-juiz. Mas tiveram menos fama (lenha) do que Moro. Ao menos receberam a má notícia de seu ostracismo numa pancada rápida, podendo assim tentar se reajustarem ao que eram, ao que são. Sérgio Moro, não! Foram muitos anos de adoração, de poder absoluto, de ter doze procuradores aos seus pés, serviçais degradantes, jornalistas bajulando-o, filhos de jornalistas da Globo escrevendo sobre ele, e um filme dedicado à Polícia Federal em que, na verdade, só se falava do ex-juiz. Sua fogueira era colossal, parecia destinado a ficar no Olimpo. Esse o paradoxo e um dos atos finais de Mefistófeles de brincar de deus pelo avesso, inventar a criatura para depois destruí-la, fazendo com que só restem as cinzas…

O outrora deus das elites e classes médias brasileiras, hoje vira meme nas redes sociais com seu “Edite Piá”.

Suas sentenças são motivo de desprezo e riso por todos os juristas importantes do Brasil e do mundo.

Sua popularidade despenca aos poucos, sim, vagarosamente, mas num processo que se demonstra irreversível.

Não tendo mais o poder que tinha enquanto juiz para cometer atos que o ponham no centro das atenções, eis a crueldade das crueldades: só resta a Sérgio Moro, Sérgio Moro! E o ridículo, o vazio, as patetices, a ignorância, a sua imensa mediocridade, é o que tem a oferecer aos seus fãs. Quanto tempo poderá enganá-los, seduzi-los, com esse vácuo de si mesmo?

Até posso ver Mefistófeles sorrindo, mais perverso do que nunca, enquanto pensa: “Com esse aí não vou mexer um dedo para tirar o que lhe dei um dia… vou ter o prazer de vê-lo se apagando aos poucos, como uma vela usada, até que a última chama se apague… Vai ser divertido vê-lo se debatendo como um peixe fora d’água, enquanto fama, admiração, desaparecem e o ostracismo o devora como fez com os outros dois. Talvez até eu ganhe um prêmio extra de vê-lo desprezado por todo o mal que cometeu…”

É uma das poucas vezes em que me conformo de saber que um ser humano não pagará por ações do Poder Judiciário por todos os crimes, todas as destruições, fome, miséria e desemprego que causou.

Sérgio Moro destruirá a si mesmo, será um pobre fênix tornada cinzas, sem direito à ressurreição.

Para um psicótico narcisista com sede de glória e poder, é pior que o inferno.

Que Deus me perdoe!

Dessa vez, estou rindo junto com Mefistófeles!

(eduardo ramos)

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