Demora do Brasil em aderir à Vax Facility demonstra “pequeneza” do governo, diz sanitarista

"Com a nossa capacidade, a nossa possibilidade de produzir vacinas, nós deveríamos estar junto com essa iniciativa da OMS" desde o início", diz

Da Sputnik Brasil

O governo federal anunciou na noite desta sexta-feira (18) a confirmação da intenção do Brasil aderir à Vax Facility, programa mundial para impulsionar o desenvolvimento de vacinas contra a COVID-19.

Na quinta-feira (17), o Brasil solicitou uma extensão de prazo para a Aliança Global de Vacinação (Gavi, na sigla em inglês). O limite para confirmar o interesse no programa vai até a meia-noite desta sexta-feira (19).

Em entrevista à Sputnik Brasil, o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e fundador da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), criticou a demora do governo federal em confirmar o interesse em participar da Vax Facility.

“O que explica essa demora do governo brasileiro é um problema de desgoverno, a única explicação para o Brasil não assumir uma posição que ele deveria assumir por uma questão de solidariedade com os países do mundo”, afirmou.

Segundo Vecina Neto, o Brasil teria condições de ajudar.

“Com a nossa capacidade, a nossa possibilidade de produzir vacinas, nós deveríamos estar junto com essa iniciativa da OMS [desde o início]. É uma pena que nos atrasamos para dizer sim”, disse.

O sanitarista lembrou que o objetivo do programa é o de tentar fazer com que as pessoas recebam a futura vacina contra a COVID-19 o mais rápido possível.

“Está tentando construir essa solidariedade mundial em que os países ricos vão constituir um fundo para comprar vacinas para que todos os habitantes da Terra tenham acesso à vacina simultaneamente. Então se entende o que está acontecendo [no atraso do Brasil], é uma politicagem grossa e indesejável. Este governo deu mais uma demonstração da sua pequeneza, da sua hipocrisia”, completou.

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que mais de 170 países já tinham aderido à Covax.

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