Derrame no Golfo do México A BP conhecia as falhas de segurança

Isabel Piquer*

A morte dos onze trabalhadores e o desastre ecológico que diariamente se agrava, provocados pela explosão da plataforma da BP no Golfo do México, são crime, no mínimo por negligência grosseira. A explosão da plataforma da BP não foi um acidente imprevisto e inevitável. Antes da explosão, foram vários os estudos que alertavam contra a pouca fiabilidade dos sistemas de segurança utilizados na plataforma e os alertas para suspender a perfuração e rever a segurança. A BP ignorou estudos e alertas, tudo desvalorizando para maximizar os seus lucros.

Dois meses depois da tragédia que provocou o maior desastre ecológico da história dos Estados Unidos, começa a conhecer-se toda a cadeia de falhas previsíveis a que nem a BP, dona da plataforma Deepwater Horizon, nem a Transocean, que aí trabalhava, nem a agência federal encarregada de vigiar as explorações em território dos EUA, a Minerals Management Service (MMS) deram a devida atenção. Este desinteresse acabou por provocar a explosão da plataforma petrolífera, responsável pela morte de onze dos seus trabalhadores.

O New York Times publicou dia 21 de Junho uma longa reportagem onde descreve a série de incidentes que antecederam o desastre da Deepwater Horizon. Este diário assegura que o mecanismo de segurança anti-explosões da plataforma, o BOP (sigla de blowout preventer) só falhou por alguns centímetros na noite de 20 de Abril, os suficientes para que a pressão na conduta provocasse a explosão da plataforma.

O BOP é uma engrenagem que falhou no momento crucial da explosão e é o centro de toda a polémica sobre a catástrofe.

Concentração de gás

Para prevenir esta possibilidade, muitas das plataformas da Trassocean no Golfo do México (11 das 14) tinham um sistema duplo de guilhotina como prevenção, para o caso de uma falhar. Muitas, excepto a Deepwater Horizon. E isso, que os encarregados da sua gestão tinham qualificado como «um pesadelo» devido às altas taxas de concentração de gás da camada petrolífera, de que esperavam tirar enorme partido.

De facto, a prospecção estava com várias semanas de atraso, o que estava a custar milhões de dólares à BP, o que levou a que se acelerassem as operações, apesar dos riscos que se corriam.

Já havia precedentes em falhanços do BOP. No ano passado, a Transocean pediu um relatório confidencial à companhia norueguesa Det Norske Veritas, a mais experiente do mundo neste assunto, sobre a fiabilidade destes mecanismos de segurança. O estudo analisou 15.000 poços na América do Norte e no Mar do Norte, e só encontrou 11 incidentes parecidos ao da Deepwater Horizon, em que, no entanto, o BOP falhou em 45% das ocasiões.

De hecho, la prospección llevaba semanas de retraso, lo que estaba costando millones de dólares a BP, de ahí que en las últimas semanas se aceleraran las operaciones, corriendo muchos riesgos.

Noutros estudos, parcialmente financiados pela MMS, realizados em 2002 e 2004, a empresa texana West Engineering Services concluiu-se que, mesmo que o BOP funcionasse correctamente, em grandes profundidades por vezes falhava a guilhotinar as condutas.

Mas não foram apenas a BP e a Transocean que falharam. A agencia federal encarregada de fazer aplicar as medidas de segurança, a MMS, nalguns casos fez ouvidos de mercador às recomendações dos seus próprios peritos.

Recente investigação do Congresso dos Estados Unidos revelou que o funcionário da MMS que autorizou a perfuração da Deepwater Horizon não pediu à BP provas de que os mecanismos de segurança funcionavam correctamente.

Além disso, novas declarações de testemunhas directas da catástrofe asseguram que já antes da explosão a BP sabia dos problemas da sua plataforma petrolífera. Um trabalhador da plataforma declarou à BBC que o mecanismo de segurança tinha tido problemas semanas antes do desastre.

Dispositivo paralelo

Tyrone Benton assegurou à cadeia de notícias britânica que o problema não se resolveu e que a Transocean decidiu-se pela instalação de outro dispositivo paralelo, sem tentar averiguar as causas do primeiro incidente. O problema que se detectou dizia respeito ao BOP, tal e como também diz a informação do New York Times.

Este sistema é basicamente constituído por lâminas gigantes, uma espécie de guilhotina que deve cortar a conduta e selar o poço se a pressão começar a ficar descontrolada. Estas lâminas são activadas por um sistema eléctrico e outro hidráulico. Segundo Benton foi este último que falhou. «Vimos uma fuga na engrenagem e informámos a companhia. No centro de operações pode desligar-se um deles e pôr o outro em funcionamento e assim não têm de parar as operações em curso», disse a BBC.

Esta opção, não querer interromper a perfuração, foi o factor decisivo na altura de continuar com as operações de prospecção apesar dos sinais de que alguma coisa não ia bem. Uma paragem técnica teria custado uns 700 dólares por minuto, um custo que a companhia decidiu não assumir.

«É inaceitável», declarou à BBC o Professor Tad Patzek, perito petrolífero da Universidade de Texas. «Se há indícios de que o mecanismo de segurança para prevenir explosões não funciona correctamente, há que concertá-lo».

* Jornalista do diário espanhol Publico

Este texto foi publicado diário espanhol Público de 22 de Junho de 2010.

Tradução José Paulo Gascão

ODiario.info

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