Desertificação prejudica desenvolvimento de 1.200 municípios

A desertificação atinge hoje mais de 1.200 municípios em todo o país – uma área de mais de um milhão de quilômetros quadrados, dos quais 32,8% (710.437,30 quilômetros quadrados) são espaços de clima semi-árido e 37,2% (420.258,80 quilômetros quadrados) sub-úmido-seco.

O problema é desencadeado principalmente por ações humanas como: mineração, agricultura predatória, uso de tecnologias inadequadas de manejo do solo, queimadas e desmatamento. As regiões que naturalmente recebem menos chuvas e alta incidência de calor, ao longo do ano, como o semi-árido, são mais suscetíveis a esse tipo de fenômeno.

Dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA) apontam que os espaços mais prejudicados com a desertificação estão nos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e de Minas Gerais – juntos abrangem a área de 1.338.076 quilômetros quadrados (15,72% do território nacional) com 32 milhões de habitantes (35,15% da população do país).

Em setembro de 2008, o MMA e outros nove ministérios, juntamente com instituições dedicadas em reverter o processo de degradação, lançaram a Comissão Nacional de Combate à Desertificação (CNDC). O cooO coordenador desse projeto, da Secretaria do Desenvolvimento Rural (SDR), José Roberto Lima, conta que foram convidados representantes dos 11 estados com maior propensão a desenvolver o problema – uma organização civil de cada estado também foi selecionada para enviar um representante.

O segundo encontro da Comissão ocorrerá no mês de junho, quando serão estabelecidas as frentes de trabalho das entidades que compõem o grupo. “Precisamos discutir, primeiramente, a integração dos entes federais para viabilizar a harmonia das ações e, segundo, entender como estabelecer a integração financeira de recursos. Só assim poderemos precisar as ações de combate à desertificação”, adianta Lima.

O diretor do Instituto Nacional do Semi-árido (Insa), do Ministério de Ciências e Tecnologia, Roberto Germano Costa, destacou a necessidade de investir no mapeamento da desertificação no país atualizando os dados já existentes. “Precisaremos de números para nortear os trabalhos, mesmo que tenhamos conhecimento quanto à aplicação de técnicas para reverter esse processo”, acrescenta.

Responsabilidade dividida

O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuário (Embrapa) Semi-árido, Iedo Sá, especialista em desertificação, explica que os estados estão realizando levantamos das condições do solo – Pernambuco, por exemplo, espera entregar um relatório conclusivo em junho, com os principais focos.

“O governo, inicialmente está passando a tarefa para os estados, porque cada um tem mais conhecimento do seu problema. No caso de Pernambuco, agendamos cinco oficinas em toda região. Já foram realizadas duas, com a presença de representantes de cada município, das universidades, Embrapa e Fundação Joaquim Nabuco”, diz.

Cerca de 80% do território pernambucano é de clima semi-árido. Segundo Sá, a desertificação do solo é provocada, sobretudo, pela agropecuária e mineração, sendo que as mudanças climáticas devem acelerar o processo ambiental.

“O material orgânico que recobre o solo dessa região é pobre, e as queimadas feitas pelo agricultor sem recursos acaba sendo uma ferramenta barata para limpar o local de plantio. Já na região de Araripe, onde se localizam 15 municípios, o nosso maior problema é a extração da gipsita – minério utilizado para a produção de gesso e que atende a 95% do consumo do país”, aponta.

José Roberto Lima, da Comissão Nacional de Combate a Desertificação, acrescenta que as secas nas regiões semi-áridas estão cada vez mais freqüentes. A mudança climática propicia chuvas mais fortes e concentradas, acelerando erosões.

De forma didática, o coordenador explica que o processo de degradação em grandes áreas implicará na diminuição da produção agrícola, enfraquecerá a economia, aumentará a pobreza e, conseqüentemente, a migração de milhões de pessoas, “o terror dos países em desenvolvimento”, concluí.

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