Dia do Circo: o maior espetáculo da Terra

    No dia 27 Março é comemorado o dia do circo. E, é sobre esse mundo maravilhoso tecido pelas linhas fascinantes da alegria dos palhaços, dos mágicos, dos domadores, dos equilibristas, das bailarinas, dos malabaristas e dos acrobatas, personagens estes que respeito e admiro que pretendo falar um pouquinho, destacando os Irmãos Temperani, família da qual passei a fazer parte, desde quando vinte e cinco anos atrás casei-me com uma das netas dos saudosos Geralda e Guilherme Temperani.

    Os Temperani, oriundos da Itália, aportaram no Brasil em meados do século XIX. O percursor da história desta família circense foi Leopoldo Temperani, bisavô de minha esposa. Juntamente com sua esposa Paulina, também artista que se exibia como amazona montando elegantes corcéis; criaram uma companhia circense com artistas natos formados por seus próprios filhos.

    Na época em que ainda atuavam, cartazes espalhados pela zona norte de São Paulo anunciava a “Troup Irmãos Temperani” convidando a platéia para assistir números como – Os quatro Diabos do Trapézio, Laços Mexicanos, Os Acrobatas Los Dandys, As três Barras Fixas, Salto Mortal sobre o Arame, O Homem Bala e Os Coriscos Humanos do Globo da Morte. Leopoldo deu iniciou, a tradição foi seguida pelos filhos e netos. Leopoldo e Paulina faziam o número O Homem Bala, onde o artista era introduzindo em um canhão e atirado para o alto, o filho Júlio foi o criador do salto mortal no arame, a filha Amélia foi exímia amazona, a filha Ida apresentava-se com cachorros amestrados, o filho Eduardo como malabarista, o filho Leonardo na bicicleta de uma só roda no arame, o filho Humberto no trapézio, e o filho Guilherme no Globo da Morte, como O Homem Bala e no laço praticava peripécias tal qual o ídolo de faroeste Roy Rogers. 

    Guilherme e Geralda tiveram cinco filhos – Leopoldo, meu sogro, também conhecido como Tércio, Sérgio, Osmar, Márcia e Stella. Os filhos foram preparados, desde cedo, para tornarem-se artistas. O Globo da Morte é um exemplo de como a tradição circense é passada de pai para filho. Guilherme foi o primeiro brasileiro a aventurar-se neste número tão arriscado. Posteriormente passou a apresentar-se com o filho mais velho Tércio em duas motocicletas. Mais tarde inovaram o número com duas motocicletas e uma bicicleta com o segundo filho Sérgio. Osmar, o caçula dos filhos homens, também se aventurou no perigoso número apresentando-se no lugar de Sérgio. O Homem Bala, iniciado com o pioneiro Leopoldo, depois com os filhos Guilherme e Eduardo, e finalmente com o neto Tércio. Minha sogra Anna participava de números cômicos e conserva até hoje a maneira de rir inigualável. O irmão de minha sogra, César certo dia pintou a cara para transformar-se no palhaço Siriri, o personagem especial que representa a alegria da alma circense.

    Márcia e Stella, ainda eram meninas quando vô Guilherme decidiu deixar o circo. Este fixou residência em uma casa localizada na Praça Santo Eduardo na Vila Maria, onde viveu o resto da vida. Deste tempo recordo-me dos dias em que o encontrava caminhando pela praça à procura de conhecidos para prosear assuntos sem compromisso, sentar nos bancos em busca de um confortante banho de sol, relembrar os tempos da mocidade e as fascinantes aventuras que a lona e o picadeiro circense lhe proporcionaram, e, sobretudo o aplauso da grande platéia que é a maior recompensa recebida por um artista saltimbanco. De vó Geralda, que se apresentava no número Força no Cabelo, guardo comigo a generosidade e não esqueço o delicioso doce de abóboras que ela sabia fazer como ninguém. Um dia, sei lá quando, ainda hei de encontrá-la, no Olimpo dos Deuses Circenses, para saborear seu néctar de abóboras silvestres.

    Minha esposa Rita, ah sim, que também nasceu ouvindo o som mágico do picadeiro, sempre que algum circo chega à cidade, nos leva com prazer para assistirmos mais uma vez “O Maior Espetáculo da Terra”.

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