…do narcisismo de classe como componente da formação de nossas elites e classes médias…

“Do narcisismo perverso enquanto componente essencial na formação de nossa elite social e classe média”
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Um dia, não sei quando, será o título gigantesco e anti-comercial do único livro que sonho de verdade escrever, enquanto necessidade de “deixar algo meu ao mundo”, mesmo ciente de todas as minhas lacunas e deficiências.
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Minha mente passeia pelas lembranças ruins, tristes, de tudo o que vi nesses últimos anos…. Amigos que sei serem respeitosos e gentis em suas relações humanas, transformados em fanáticos cheios de nojo e ódio quando se trata de Lula, e usando para suas falas e comportamentos inomináveis, o álibi do “combate à corrupção contra a quadrilha petralha” (sic…..) – o mais hipócrita dos álibis, porque insustentável à luz dos fatos, da História recente do nosso país.

Quem votou em Aécio Neves e apoiou o golpe contra Dilma, dizer-se “inimigo da corrupção”, é piada sem precedentes. Só os ingênuos a nível de crença em Papai Noel são perdoáveis.
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Essa turba acolheu Aécio, Maluf, Alckmin, Serra, FHC, tratados ou de modo folclórico ou respeitoso, ou no máximo uma certa indiferença….. Só para citar esses exemplos. Porque então o ódio a Dilma, Lula, PT…?

Não, não é por suas “almas iluminadas” e desejosas do fim da corrupção, não é por “amor à pátria”, nove em dez deles se referem ao nosso país como “país de merda!” – como se a História já não tivesse provado centenas de vezes, que um país é RESULTADO DIRETO DO QUE DELE FAZ SUAS ELITES SOCIAIS – e não os pobres, os indefesos, os sem voz e sem força política.

Somos o país que assiste indiferente ao massacre dos jovens nas favelas e periferias, somos o país que quando a elite social e classe média se unem em comoção social, é SEMPRE contra os líderes populares e que fizeram algo a favor dos nossos pobres, somos o país em que nos clubes, restaurantes, “zaps” e posts nos Faces, as pessoas que frequentam os mesmos clubes, restaurantes, as mesmas viagens, escolas dos filhos, etc., debocham do “molusco”, o “chefe da quadrilha”, aplaudindo gente tosca, indigna e covarde como Moro e Dallagnoll….. Somos o país que ignora solenemente o massacre de índios, quilombolas, e tantos segmentos sociais indefesos, sem cidadania, sem direito a nada……
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Os gestos de bondade, civilidade, gentilezas da maioria dessas pessoas, são dedicados exclusivamente aos “seus semelhantes”, e quando muito, estendidos aos seus “pobres de estimação” – o garçom conhecido, o porteiro, a empregada doméstica, os que estão próximos. Não se incomodam com a massa amorfa de miseráveis sem oportunidade alguma de saírem de sua escravidão “moderna”. Ah…. como é fácil brincar de “politizado”, trocar sorrisos doentios, enquanto se massacra um líder como Lula, um partido como o PT, que fizeram mais pelo país do que todos os políticos que essas classes sociais apoiaram no passado. Como é fácil ser narcísico, arrogante, sentir-se o máximo por estar inserido na onda social de seu tempo, recebendo a aprovação dos amigos e familiares, num ciclo patético de reconhecimento mútuo e de “pertencimento à classe social mais elevada”….. – eis o gozo ridículo desse rebanho humano…..
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Compreender a fratura psíquica trágica das pessoas desses segmentos sociais, compreender como conseguem conviver com a indiferença em relação à miséria, remexer nos fatores que levam uma nação a “ser assim” por séculos, torna-se para mim quase uma “obsessão” – até por ter familiares e amigos que amo e admiro, que fazem parte desse contexto que julgo tenebroso, doentio…..
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O fato deles se identificarem com Serra, Aécio, Moro, FHC, não é só político e ideológico: TEM A VER DIRETAMENTE COM ESSE “NARCISISMO DE CLASSE” a que me refiro.

Sei que a luta política precede todas as outras, e que politicamente falando, essas classes sociais devem ser enfrentadas com todas as forças e meios, pelos que querem um dia, um Brasil justo, inclusivo e democrático.

Mas toda a minha intuição me diz que essa questão psicossocial – o narcisismo perverso e doentio – é componente essencial na formação mental, ideológica e comportamental dessas pessoas.
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Entendermos isso, é penetrarmos num viés muito específico do termo simbólico que até hoje melhor nos definiu: “Casa Grande e Senzala”.
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Esse é o meu objetivo.
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