Documentário ajuda a entender os significados do discurso de Roberto Alvim

Do Huffpost Brasil

Veiculado na noite de quinta-feira (16), o vídeo com o anúncio do Prêmio Nacional das Artes, feito pelo secretário da Cultura, Roberto Alvim, chamou a atenção por usar trechos de um discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista. O HuffPost apurou que o presidente Jair Bolsonaro decidiu demitir Alvim após a polêmica.

Veja aqui o trecho do discurso de Goebbels documentado no livro Joseph Goebbels: Uma biografia, do historiador alemão Peter Longerich.

“A arte alemã da próxima década será heróica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”.

Mas o que Alvim quer dizer quando fala de arte “heróica”, “romântica” e “nacional”? E por que ele se apropria da fala de Goebbels e usa o prelúdio de Lohengrin, ópera do compositor alemão Richard Wagner (1813-1883) como fundo musical para seu anúncio?

Todas essa questões podem ser compreendidas ao assistir a um filme: o documentário Arquitetura da Destruição(1989), do sueco Peter Cohen. Filho de um judeu alemão que fugiu de Berlim em 1938, em seu filme/tese, Cohen apresenta o nazismo como uma ideologia estética.

Arquitetura da Destruição mostra o importante papel da arte nos ideais de Adolf Hitler, um pintor frustrado que sonhava em ser arquiteto, que serviram de base para uma empreitada que visava “embelezar” o mundo, destruindo o que ele considerava como arte “degenerada”.

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Um ideal de homogeneização estética de tamanha importância para os nazistas, que extrapolou as fronteiras da arte, sendo aplicado nas ciências por meio da eugenia — estudo pseudocientífico que visava a selecionar qualidades humanas baseadas em genética e raça — e no “desenvolvimento” social que serviu de desculpa para o que Hitler chamava de “solução final”. Ou seja, o assassinato de milhões de judeus, povo que ele viu da mesma forma que via a arte moderna, como algo a ser descartado em favor da beleza e superioridade da arte clássica.

Hitler era obcecado pela arte greco-romana que ressaltava a beleza heróica de de corpos perfeitos e desprezava movimentos artísticos modernos como o impressionismo, o cubismo, surrealismo, entre outros.

Arquitetura da Destruição disseca de forma didática (no bom sentido) essa narrativa “heróica” – como Alvim ressaltou no vídeo – baseada na arte clássica e no nacionalismo tão presente nas obras de Wagner (compositor que Hitler amava). Tudo isso serviu de base para conformar o discurso nazista de “purificação”da sociedade.

Sucesso cult no início da década de 1990, o documentário ganhou o Prêmio do Júri na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 1992. A própria mostra lançou o filme em VHS e DVD. Porém, infelizmente, o filme não consta no catálogo de nenhuma plataforma de streaming no Brasil, mas pode ser visto no YouTube.

Assista aqui:

2 comentários

  1. Falta pouco para este (des)governo começar a patrocinar a queima de livros, considerado “nocivos”.

  2. Falta pouco para este (des)governo começar a patrocinar a queima de livros, considerados “nocivos”.

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