Documentário narra a luta histórica dos movimentos por moradia digna

Filme sobre a trajetória dos diferentes movimentos populares de habitação lança plataforma de financiamento coletivo para finalização da produção

Imagem: Ennio Brauns

Jornal GGN – Que povo é esse? Quem são os brasileiros que formam os movimentos populares? Quem são os cidadãos inseridos na luta por moradia? Essas são questões abordadas nos registros do filme com roteiro e direção de Ennio Brauns e Jonathan Constantino. ‘Que povo é esse?’ pretende revelar o cotidiano de trabalhadores e trabalhadoras que vivem em diferentes formas de ocupação de moradia na região metropolitana de São Paulo.

Uma luta com mais de 30 anos. A busca pelo direito à habitação digna, marca parte da história brasileira. Toda essa trajetória pode ser entendida a partir do ponto de vista de quem não aceita como natural a ordem que obriga milhões de famílias a uma vida de condições sub-humanas, sem um teto adequado, sem água potável e sem energia elétrica, todos esses direitos previstos na Constituição Federal, promulgada em 5 de outubro de 1988.

Imagem: Ennio Brauns

Este cenário começou a ser registrado há cerca de três anos, com o início da produção independente do documentário ‘Que povo é esse?’. A obra, prestes a ser finalizada, agora conta com campanha de financiamento coletivo, na plataforma Catarse, para seu lançamento. O diretor e roteirista Jonathan Constantino fala ao GGN sobre o filme. 

“São experiências que vão pra mais de 30 anos de luta do povo e a forma que esse povo encontrou de conquistar os seus direitos. É importante a gente registrar isso para preservar essa memória para lutas que vem pela frente”, diz constantino.

Imagem: Ennio Brauns

Hoje, na cidade de São Paulo, local escolhido para rodar o longa-metragem, pelo menos 25% da população mora em situação irregular, apontam os produtores da obra. Já um levantamento realizado pelo Grupo de Mediação de Conflito, da Secretaria Municipal da Habitação, aponta que em 2018 na metrópole existiam 206 ocupações, que abrigavam  45.872 famílias. Dados do estudo do Centro de Estudos da Metrópole, também de 2018, mostram que a tendência dos números sobre habitação de pessoas, não só em situação irregular, mas que vivem em locais precários, é aumentar e pode chegar neste ano a 11,87 milhões na maior cidade do país.

“Começamos a gravar no final de 2017. Era o cenário do pós-golpe [impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT)], era o governo Temer (MDB), e já vinha sendo finalizada a diminuição de verbas e políticas públicas de moradia. De 2018 pra cá, com a eleição e o novo governo [de Jair Bolsonaro (sem partido)], a gente foi assistindo o desmonte completo das políticas públicas de moradia e junto com isso o abandono da reflexão sobre políticas gerais para cidade”, explica o diretor.

Além de denunciar a situação da habitação na grande São Paulo, o filme busca registrar os nuances entre os diversos movimentos de moradia, a fim de marcar esse episódio da história do país e humanizar a figura de quem compõe as ocupações. “Essa luta é construída por trabalhadores e trabalhadoras concretos, por seres humanos reais que vivem suas vidas nessas ocupações, essas ocupações elas não são todas iguais, elas são organizadas de múltiplas formas e por diferentes movimentos e tudo isso está inserido numa reflexão maior sobre o próprio direito à cidade, sobre as políticas urbanas e a necessidade de uma cidade pras pessoas, não uma cidade apenas como negócio”, pontua.

Com depoimentos em primeira pessoa, o título do filme é uma provocação contra os preconceitos em volta das pessoas inseridas nesses movimentos. “’Que povo é esse?’ A gente colocou essa pergunta como título porque nossa ideia no filme é tentar fazer com que as pessoas respondam quem elas são”, conta Constantino. 

O filme também traz a visão crítica de urbanistas e lideranças populares ao modelo de organização de nossas cidades. “Trazemos reflexões de pessoas que pensaram parte do que a gente tem de teoria do urbanismo brasileiro, que é o caso da Erminia Maricato, da Raquel Rolnik, do Nabil Bonduki. São pessoas inseridas na universidade, no debate acadêmico, mas que participaram junto com os movimentos sociais dos processos de reflexão e produção das políticas públicas brasileiras aplicadas nos últimos 30 anos”, ressalta o diretor.  

Imagem: Jonathan Constantino

Rodado em quase três anos, o longa tem direção de arte de Thiago Siqueira e trilha sonora de Rudá Brauns. As imagens, de vídeo e de fotografia, são de Ennio Brauns, Jesus Carlos, Jeomark Roberto e Filipe Perez. 

O filme está na ilha de edição para ser finalizado. Para isso os produtores lançaram a campanha de financiamento coletivo. “Se a gente conseguir alcançar todo esse recurso a meta é lançar o filme esse ano”, conclui Constantino ao GGN

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