Dominó de Botequim. Tragédia e glória em Pirituba, Rui Daher

Por Rui Daher

Dominé de Botequim. Trogédia e Glário em Piribuba

Terra Magazini/Rui Daher

A patrulha com o Gilmar e o Castilho tinha acabado de sair do Botequim. Por questão de segurança pública, o Serafa nunca negava um pingado com pão e manteiga aos rapazes da PM. Ainda mais depois que lhe falei que durante anos esses dois haviam sido os melhores goleiros do Brasil.

Olho para a porta e penso em exclamação, mas será o Benedito? E não é que era.

O Benedito fora um grande amigo nosso e frequentador do Botequim. Dominó não jogava. “Ia às damas”, como gostava de dizer com uma piscadela de duplo sentido.

Benê deixou cedo a nossa companhia. Negro jovem, bonito e mulherengo, precisou ir lá longe se engraçar com uma mulher casada pra levar dois tiros de um marido enciumado. Na ocasião, fomos eu e o Dirceu, seu melhor amigo, reconhecer o corpo no IML de Pirituba.

Posso estar enganado e Dirceu não confirmou, mas parecia haver um pequeno sorriso no rosto de Benê, como a dizer que valera a pena.

Vocês podem estar pensando que eu comecei mais cedo com as preciosidades de Salinas. Se não, como ver o Benedito na porta do boteco?
Juro que não.

Dirceu era um grande amigo de Benê, mas menti quando disse ser ele o melhor. Este, era mesmo o Benedito Segundo, seu fiel vira-lata preto, que o seguia por onde andasse.

Seu dono jurava que o Segundão poderia reconhecer um cio a quilômetros de distância, e isto lhe dava um pouco de trabalho. Cachorros também morrem em Pirituba.

Desde que o Benê morrera, o Serafa, todas as manhãs, servia as sobras do dia anterior para o Benedito, que Segundo não mais era. Questão de sucessão. E ai de quem chamasse o repasto de lavagem, como faziam os antigos antes das frescuras “pet”.

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Caso é que fazia mais de um mês que o Benedito sumira do Botequim, deixando-nos preocupados.

A hipótese mais discutida era um final como o de seu antigo dono.

Mas Benedito entrou no boteco abanando o rabo. Alegre. Poderíamos dizer que estava até mais forte, a pelagem mais brilhante. Na coleira, além da medalha com o endereço do Serafa, outra, vermelha, em forma de coração.

Foi Osorinho que, depois de afagar a cabeça do amigo, tomou a liberdade de ler o que nela estava escrito.

“Obrigada por tudo. Volte sempre. Leidi, de Pirituba”.

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