É cedo para saber qual Lula pretende subir ao palanque, por Bernardo Mello Franco

    Foto: Ricardo Stuckert
     
    Jornal GGN – Bernardo Mello Franco publicou artigo na Folha desta sexta (22) questional qual Lula pretende vencer a eleição de 2018: o “radical”, que ameaça a Lava Jato com prisão – nas palavras do colunista – ou a versão “paz e amor”, moderado e que não assusta o mercado? 
     
    É mais recente a guinada de Lula ao centro, na tentativa de reduzir as críticas e resistência da imprensa e de poderosos da economia. “Como o próprio ex-presidente já se definiu como uma metamorfose ambulante, convém esperar. Ainda parece cedo para saber qual Lula pretende subir ao palanque em 2018”, apontou Franco.
     
    Por Bernardo Mello Franco
     
    Qual Lula?
     
    Na Folha
     
    Duas perguntas rondam a sexta candidatura de Lula à Presidência. A primeira será respondida pela Justiça: ele poderá ou não concorrer? A segunda deve ser feita ao próprio petista: se o seu favoritismo nas pesquisas se confirmar, qual Lula vai governar o país?
     
    O ex-presidente tem dado pistas contraditórias. Em maio, ele subiu o tom dos ataques à Lava Jato e deixou um cheiro de radicalização no ar: “Se eles não me prenderem logo, quem sabe um dia eu mando prendê-los pelas mentiras que eles contam”.
     
    A frase soou como uma ameaça autoritária, já que nas democracias só juízes mandam prender. Na semana seguinte, o petista disse ter usado apenas uma “força de expressão”.
     
    Apesar do recuo, o tom de confronto persistiu. Em discursos invocados, o ex-presidente distribuiu bordoadas na imprensa, na elite e nos adversários. Parecia uma receita para espantar de vez a classe média, que já vem se distanciando do PT.
     
    Nas últimas semanas, Lula começou a ensaiar uma nova guinada. No dia 4, ele ressuscitou o figurino moderado da campanha de 2002. “Quero voltar Lulinha paz e amor”, disse.
     
    Nesta quarta-feira, o petista usou uma rara entrevista coletiva para reforçar a mensagem. Ele prometeu combater o discurso de ódio e “pacificar este país”. “Não vou ser mais radical. Estão dizendo que vou ser mais radical. Eu não tenho cara de radical, nem o radicalismo fica bem em mim. Eu tô mais sabido”, afirmou.
     
    Como o próprio ex-presidente já se definiu como uma “metamorfose ambulante”, convém esperar. Ainda parece cedo para saber qual Lula pretende subir ao palanque em 2018.
     
    *
     
    Henrique Meirelles topa ser o candidato do governo, mas está longe de ser bobo. O ministro falou por quase dez minutos na propaganda do PSD. Apresentou o currículo, vendeu otimismo e desejou feliz Natal aos eleitores, mas não citou a palavra “Temer” uma única vez. 

    Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

    Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

    Apoie agora