É hora de parar Bolsonaro, por Luis Nassif

O país ainda não se refez do trauma do impeachment de Dilma. O desmonte institucional, induzido por Aécio Neves e convalidado pelo Supremo Tribunal Federal, produziu um caos geral. Assim, há sempre o prurido de reincidir e banalizar o impeachment como saída para as crises institucionais.

Mas o caso Bolsonaro é diferente de tudo o que se viu no país antes e depois da democratização. O país está entregue a um celerado, com ligações diretas com as milícias do Rio de Janeiro, comandando um bando de alucinados que assumiram posição de destaque no Ministério e que tem como único objetivo a destruição de todo sistema formal construído ao longo da história.

O que está ocorrendo não são apenas erros de políticas públicas que poderão ser consertados a partir das próximas eleições: estão promovendo desmontes irreversíveis, que se refletirão sobre o presente e sobre as futuras gerações.

A maneira como estão exercendo o poder, atropelando a noção de freios e contrapesos, esmagando o espaço político de quem pensa de forma diferente, subverte a noção de democracia. Em qualquer circunstância, uma ameaça de tal monta à democracia precisa ser combatida com a arma definitiva da própria democracia: o impeachment.

No campo ambiental, há um Ministro acusado de negocista, desmontando o sistema de defesa do meio ambiente, escondendo mapas ambientais, indispondo o país com a comunidade global civilizada, com reflexos inevitáveis sobre as exportações do agronegócio. E afastando fiscais que ousaram, em outros tempos, multar Bolsonaro por pesca ilegal. É o absolutismo nas mãos de pessoas sem nenhum nível, com comportamento das milícias.

Na educação, um celerado que anuncia cortes de verbas às universidades, como consequência da tal guerra cultural. E, em vez de programas educacionais, incentiva o conflito entre professores e alunos.

Na economia, um Ministro sem a menor noção do mundo real, movendo-se exclusivamente pela ideologia, desmontando uma instituição com a história do BNDES, comprometendo as estatísticas do IBGE, ameaçando as redes de proteção social que, até agora, impediram a explosão final da violência e da miséria. Está matando os instrumentos de financiamento da infraestrutura, sem colocar nada no lugar.

Na presidência, uma família de desequilibrados, com ligações diretas com as milícias e, agora, estimulando a guerra no campo, criminalizando movimentos sociais, e interferindo em rebeliões internas de países vizinhos, expondo não apenas os vizinhos, mas o próprio Brasil, às consequências de uma guerra, comprometendo século e meio de tradição diplomática.

Liberais podem julgar que o interesse nacional está no mercado; desenvolvimentistas acreditam que está no Estado. Os Bolsonaro, pelo contrário, não têm a menor noção sobre o interesse nacional. E, junto com governadores irresponsáveis, como Wilson Witzel, do Rio, e João Dória Jr, de São Paulo, ampliando a violência policial como resposta à crise social.

O cenário pela frente é óbvio.

No campo econômico, o ideologismo cego de Guedes não permitirá a recuperação da economia e do emprego. A cada mês, mais aumentará o exército dos desempregados e dos desanimados com o próprio país.

Na outra ponta, um presidente enlouquecido tentando eliminar o espaço político de todos que não concordem com suas loucuras. E estimulando a violência de ponta a ponta do país.

Como dois e dois são quatro, persistindo nessa loucura se terá em pouco tempo o caos social, a ampliação da miséria, do desalento, o crime organizado expandindo seu controle sobre o Brasil formal e as explosões sociais.

É impossível que os demais poderes, STF, Alto Comando, presidência da Câmara e do Senado, partidos políticos, assistam passivamente a essa destruição do país. É preciso parar Bolsonaro! Não se trata mais de disputa entre esquerda e direita, entre lulismo e antilulismo, mas de uma aliança tácita entre os setores minimamente responsáveis, para não permitir o desfecho trágico dessa loucura.

Cada dia a mais de governo Bolsonaro representa anos de destruição do futuro, até que o caos torne a selvageria irreversível.

É hora de parar Bolsonaro!

 

 

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" Luis Nassif : ."

Ver comentários (199)

  • ola.sou Manoel essas pessoas que estão indo para rua contra a liberdade do nosso futuro presidente essas são a minoria elas não falam por todos são apoiadores doente de um presidente ditador e que esta acabando com o Brasil contamos com o lula para tirarmos esse ditador e seus filho do poder junto com todos os seus ministro gostaria que lesem essa mensagem pois e de um pai que não arranja emprego pois ja fui reprovado porque tenho 57 anos pois pedi minha aposentadoria por invalideis foi negada gostaria de saber oque o lula fara sobre isso pois jã estão com medo de perderem ?

  • Hora de quem derrubar o Bolsonaro? A oposição vai ficar assistindo sentada? Ou está dizendo que é hora de pegar carona no movimento estudantil? Depois a galera faz movimento sem querer bandeiras e os partidos ficam indignados. Políticos profissionais de oposição, é hora de justificar o salário, caraca!

  • Assim como o torcedor da seleção que exige gol antes de torcer, os que votaram vao passar aa blasfema rapidamente na medida em que cai a ficha do tiro no proprio pé que deram.

  • Faltou apenas trazer o elemento "povo" para a equação. Mas isso o Bolsonarismo está sendo bem eficiente em unir.
    O fato é que quando colocarmos o bloco na rua, aí as Instituições vão começar a responder.

  • Bolsomerda, Paulo merdes, filhos que falam e fazem merda, ministros que seguem a linha bolsomerda, enfim o país está na merda e vai afundar mais com esses merdas.

  • Não é somente o corte(inconstitucional e criminoso) das verbas federais, para as Universidades;
    Não é somente a autorização, para a compra e o uso de armas;
    Não é somente a verdadeira "Torre de Babel" das brigas entre o filho do Presidente, o gurú deste governo e certos militares da adm. federal;
    Não é somente a "nóia" desta administração, em aprovar esta reforma previdenciária, que seria a "salvação da lavoura"
    Temos que tirar esta toupeira da Presidência, pelo fato mais relevante deste desgovêrno: a falta de um programa de governo, e sequer, um plano, ou uma ação emergencial, para fazer o país, voltar a crescer, como por exemplo, uma ação governamental, voltada à criação de empregos, pois sem isso, nada, absolutamente nada, vai dar certo.

  • STF, Alto Comando, presidência da Câmara e do Senado e partidos políticos enxergam essa loucura toda. Mas só vão fazer algo depois da votação da reforma da previdência. Bolsonaro foi colocado no poder para isso.

  • Ou o Brasil acaba com o governo Bolsonaro ou o governo Bolsonaro acaba com o Brasil.
    Bolsonaro é a saúva, impichá-lo é uma medida de legítima defesa!

  • Lamentável governo! Indigno! Alucinados! Ignorastes! Perigosos mesmo. Concordo plenamente. Mas se antes gritamos contra o golpe, como podemos ser a favor agora? Agora vale?
    É só uma pergunta.