“É o imposto baixo, estúpido!”

O problema do endividamento do Rio Grande do Sul não é má gestão (embora sempre se possa melhorar um pouco), não é gastança do estado supostamente inchado (há falta de servidoras públicas). Estamos vendo com Sartori que NÃO HÁ MAIS ONDE CORTAR! Melhorar a eficiência do estado é sempre uma meta a ser perseguida, mas não vai resolver o problema.

Acontece que queremos um ESTADO DE BEM-ESTAR SOCIAL como na Europa, e isto custa dinheiro. Nossa população é velha e com muitas aposentadas, e isto exige dinheiro. Queremos educação, segurança e saúde decentes e isto custa dinheiro.

Os países escandinavos, os mais civilizados do mundo, têm benefícios sociais invejáveis. Até um terço dos trabalhadores é de funcionários públicos. Mas eles têm IMPOSTOS PROGRESSIVOS DE ATÉ 50%! E pouca gente sonega, o que lá é uma vergonha fazer.

E antes que alguém venha dizer “mas lá a população tem o retorno dos impostos!” — sempre tem alguém que não fez as contas ou não ouve sirene de bombeiro e SAMU –, eu já adianto que a Dinamarca teve, em 2014, PIB per capita de 37 mil dólares PPP, e seu imposto de 48% resultou em arrecadação de 18 mil dólares per capita. No Brasil, o PIB per capita de 11 mil dólares resultou em arrecadação de pouco mais de 4 mil dólares per capita.

Entendeu? 4 mil <=> 18 mil.

Não dá pra ter retorno dos impostos padrão escandinavo com arrecadação emergente.

E antes que alguém diga “se não houvesse corrupção bla bla bla wiskas sachê”, também informo: se não houvesse sonegação, estes 4 mil dólares seriam 5 mil dólares. Se não houvesse corrupção e desperdício, esses 5 mil seriam 5.250 dólares. Mas também não seriam suficientes. Seria uma arrecadação menor que a da Croácia.

Dos 22 países com maior carga tributária que o Brasil, 16 são países desenvolvidos com arrecadação maior que a nossa.

Não poderemos fugir eternamente do problema. Se queremos estado do bem-estar social, como afirmamos na Constituição de 1988, temos que ter impostos altos e progressivos.

Imposto alto é coisa de país desenvolvido.

Fonte dos dados: The Heritage Foundation.
https://docs.google.com/spreadsheets/d/1vZoe2dg53AYH_qmrUGZ6XEWN7MzYt6NRoiYc6nYmlfQ/edit?usp=sharing

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