É o neoliberalismo, idiota

A tragédia que ocorreu em Minas Gerais com uma subsidiária da Vale do Rio Doce é semelhante àquela que os paulistas enfrentam em razão da Sabesp ter esvaziado totalmente os reservatórios de São Paulo. Num a represa cedeu e o tsunami de lama matou dezenas de pessoas, destruiu propriedades privadas e públicas e poluiu uma extensa região. No outro só restou a lama no fundo das represas vazias que não pode ser tratada e bombeada para as casas dos consumidores. Nos dois casos a ganância pela produção de lucros – e a remessa destes para o exterior – expôs deixou os cidadãos brasileiros aos resultados do neoliberalismo.

Em sua origem, o capitalismo tinha por finalidade produzir lucro aos produtores e bem estar aos consumidores. Uma mão invisível (oferta e procura) equilibraria os preços dos produtos. O desequilíbrio brutal entre produtores e empregados desencadeou conflitos sociais graves levando ao surgimento e ao aperfeiçoamento do Direito do Trabalho, cuja finalidade é estabilizar o regime econômico baseado na propriedade privada e impedir a super exploração dos trabalhadores.

A evolução do capitalismo seguiu seu curso. Depois que a mão do Estado passar a limitar os abusos da mão invisível nas relações do trabalho  as necessidades não atendidas pelo mercado começaram a ser objeto de preocupação estatal. E numa fase mais recente o Estado, já produtor de bens e serviços, passou a regular a economia e as relações de consumo. Então veio o neoliberalismo, modismo econômico que no Brasil foi glorificado por FHC e sua quadrilha da Privataria Tucana.

A visibilidade das tragédias provocadas pela Sabesp e Vale do Rio Doce demonstra que o neoliberalismo não produz nem bens e serviços, nem equilíbrio, nem bem estar para os cidadãos. Num regime neoliberal, aqueles que não são soterrados por lama acabam ficando sem água. Mas o sistema continua funcionando como se nada tivesse ocorrido, pois os beneficiários dos exorbitantes lucros neoliberais financiam jornais, telejornais e políticos que teimam em culpar a natureza ao invés de responsabilizar os empresários que compraram as empresas de água e de mineração e que valorizam bem pouco a vida e o interesse público.

O que ocorreu em Minas Gerais (tsunami de lama) e está ocorrendo em São Paulo (falta de água) não são tragédias naturais. São sintomas da falência total do neoliberalismo. Enquanto não reconhecermos este fato, novos episódios trágicos irão ocorrer. Se não responsabilizarmos os empresários, limitarmos seus lucros ou estatizarmos os serviços essenciais a mão destruidora do mercado seguirá produzindo cadáveres com ajuda dos políticos que querem manter invisíveis suas relações perigosas com os donos das empresas privatizadas.

A democracia, regime político que tolerou o surgimento e o crescimento do neoliberalismo, pode ser usada para curar esta doença econômica, social e política que FHC espalhou pelo Brasil. Neste momento os cidadãos devem transformar seu pesar e sua ira – com a falta de água em São Paulo e com a tragédia humana e ambiental em Minas Gerais – em rejeição política aos partidos, governadores, deputados e senadores comprometidos com os ideais neoliberais. Na próxima eleição o povo brasileiro terá uma excelente oportunidade para eleger apenas os candidatos que se comprometam em recolocar o interesse público acima dos mesquinhos interesses privados, o Estado acima do mercado e das empresas e o bem estar do povo acima do lucro.

 

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