Em 20 anos, consumo global será insustentável

Em 2030 precisaremos de dois planetas Terra para manter o atual consumo de recursos naturais decorrente das atividades humanas. Entretanto, é preciso destacar que o estilo de vida não é homogêneo em todo o mundo – alguns países exploram mais as fontes ecológicas que outros. Se a população mundial, por exemplo, vivesse como na sociedade norte-americana, necessitaríamos de quatro planetas e meio para sustentar o consumo. Enquanto que na China, principalmente por conta da densidade populacional e alta produção de mercadorias, seria preciso descobrir um planeta similar a Terra para iniciar novas explorações.

A análise foi divulgada no relatório Planeta Vivo, publicado a cada dois anos pela organização ambientalista WWF, com base no Índice Planeta Vivo (IPV) – extraído de comparações entre a Pegada Ecológica, feita pela Rede de Pegada Global (Global Footprint Network – GFN), e a biocapacidade disponível em níveis global, nacional e local.

Biocapacidade é a quantidade de área biologicamente produtiva, como zona de cultivo, floresta, pesca e pasto. A PegA Pegada Ecológica é a área necessária para produzir os recursos que utilizamos para absorver as emissões de carbono – o nível global desse índice hoje, portanto, o consumo da biodiversidade e recursos minerais, excede cerca de 30% da capacidade de regeneração do mundo.

A Pegada Ecológica aponta que a área necessária para cobrir as explorações humanas chegou a 2,7 hectares per capita. Entretanto, a área disponível hoje, por pessoa, é de 2,1 hectares. Os países com as maiores Pegadas nacionais (per capita) são Emirados Árabes, Estados Unidos, Kuwait, Dinamarca e Austrália. As cinco nações com as menores áreas são Maláui (localizada no leste africano), Afeganistão, Haiti, Congo e Bangladesh.

Biocapacidade

Oito países concentram metade da biocapacidade do planeta – Estados Unidos, Brasil, Rússia, China, Índia, Canadá, Argentina e Austrália. Os três países que mas prejudicam o sistema – considerados devedores ecológicos por demandaram meais recursos naturais do que podem oferecer e absorver – são Estados Unidos (pegada 1,8 vezes maior do que a biocapacidade nacional), China (2,3 vezes) e Índia (2,2 vezes).

“Em termos regionais, somente os países europeus fora da União Européia e os países da África, da América Latina e Caribe permanecem dentro dos limites de sua biocapacidade”, ressaltam os responsáveis pelo relatório. EUA e China somam cerca de 21% da biocapacidade global – um cidadão norte-americano demanda uma média de 9,4 ha – espaço para absorver ou produzir todo material gasto com suas atividades. Um chinês, consome e libera resíduos que só poderiam ser restaurados num espaço de 2,1 ha.

“Um contraste se comparado com o Congo, que tem a sétima mais alta biocapacidade por pessoa, com 13,9 ha do mundo por pessoa, e uma pegada média de apenas 0,5 ha do mundo por pessoa”, completam. As condições do país africano, entretanto, não são favoráveis para um estilo de vida pleno devido a sua biocapacidade degradada por desmatamento e aumento da demanda populacional.

Para acessar o relatório (em inglês) na íntegra, clique aqui.
Para acessar o resumo executivo (em português), clique aqui.

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