Enquanto ministro, Moro passou informações privilegiadas a Bolsonaro

No escândalo dos laranjas do PSL e no inquérito dos hackers do Intercept, Moro sinalizou que teve acesso a dados das investigações em andamento

Foto: Agência Brasil

Publicado, originalmente, às 17:00 de 24 de abril

Jornal GGN – Foi só Sergio Moro demolir o casamento de 16 meses com Jair Bolsonaro, na manhã desta sexta (24), que setores da grande mídia trataram de passar um verniz de moralidade na imagem do ex-juiz da Lava Jato, ofuscando um certo grau de contradição nas acusações que agora ele lança contra o ex-patrão. Moro acusa Bolsonaro de interferir na Polícia Federal com o intuito de ter acesso a “relatórios de inteligência” e outras informações privilegiadas a respeito de investigações em andamento.

Parece até que a imprensa esqueceu do que denunciou no ano passado: Moro, enquanto ministro da Justiça, deu sinais claros de que teve acesso a inquéritos da PF e contou o que sabia para acalmar Bolsonaro quando achou conveniente.

Em julho de 2019, no meio do escândalo dos laranjas do PSL, Bolsonaro disse a jornalistas que Moro “mandou a cópia do que foi investigado pela Polícia Federal pra mim. Mandei um assessor meu ler porque eu não tive tempo de ler.”

A investigação tramitava sob segredo de Justiça em Minas Gerais. “Surgem aqui dúvidas éticas e legais”, escreveu a Folha de S. Paulo, adicionando que Bolsonaro “foi além” do vazamento: determinou que Moro mandasse a PF investigar os supostos esquemas ilícitos nas campanhas de outros partidos também. “Tem que valer para todo mundo, não ficar fazendo pressão em cima do PSL para tentar me atingir”, justificou.

Leia também:  Xadrez das investigações contra a Lava Jato, por Luis Nassif

No mesmo escândalo, Moro chocou os defensores da Lava Jato quando escreveu nas redes sociais que “nem a PF e nem o Ministério Público, que atuam com independência, viram algo contra o presidente nesse inquérito” contra o PSL. “Ocorre que o caso está sob sigilo e o ministro não deveria ter informações privilegiadas”, afirmou o Painel da Folha.

O PT chegou a mobilizar o jurídico para investigar Moro. “Ele não pode ter acesso ao processo que está sob sigilo de Justiça. Nós vamos representá-lo por eventual crime de responsabilidade”, disse o deputado federal Paulo Teixeira.

Moro também mostrou que teve acesso privilegiado ao inquérito dos hackers que vazaram mensagens de Telegram ao site Intercept Brasil. Moro usou as informações que tinha para prometer a citados nas conversas que elas seriam destruídas – algo que, inclusive, está fora de sua alçada. “Moro telefonou a Noronha [presidente do STJ] para comunicar que ele estava na lista dos alvos do grupo [de hackers] preso na última terça-feira (23) pela Polícia Federal.”

Até o presidente da Associação de Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, pediu a Moro um maior distanciamento dos trabalhos da corporação. “Porque várias pessoas passam a questionar se o ministro está obtendo informações de investigação sigilosa e a questionar a autonomia da Polícia Federal, o que é algo muito caro para nós.”

Paiva adicionou que, “em tese, o ministro da Justiça não deveria ter nenhuma informação sobre investigação sigilosa”.

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5 comentários

  1. A mídia golpista não esquece nada. Ela usa suas informações de forma seletiva.
    No momento não interessa atingir o camisa preta do Paraná, ele é seu menino de ouro.
    Se precisar, a informação está lá e ele sabe disso.

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  2. Enquanto esteve à frente do processo da ” Lava Jato”, Moro ia aos States de quinze em quinze dias e nunca informou as razões para isso. Muito menos com quem e sobre o quê conversava por lá. Quando foi para o Ministério da Justiça, foi uma ou duas vezes. Portanto, cumpre agora, mais ainda, que o Congresso intime o danado para dar satisfações de seus obscuros atos, apontados não por poucos como sendo atos de traição à pátria!!!. E mais importante ainda, que o Congresso ouça o que tem a falar o outrora investigado Tacla Duran.

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