Escritor e ilustrador contam vida ‘oculta’ de Fernando Pessoa em HQ

do G1 – 30/01/2015

 

Obra, que mistura realidade e ficção, é ilustrada por jovem de MS. Nesta sexta (30) comemora-se o Dia Nacional da História em Quadrinhos.

Tatiana Queiroz

do G1 MS

 

Um escritor português e um ilustrador brasileiro se uniram para contar, em forma de história em quadrinhos (HQ), a vida do poeta Fernando Pessoa. A expectativa dos criadores é que a obra, intitulada como “A vida oculta de Fernando Pessoa”, seja publicada até novembro de 2015.

para assistir à reportagem, clique AQUI

 

O ilustrador Alexandre Leoni, de 26 anos, mora em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. Ele e o escritor português, André Morgado, nunca se encontraram. Os dois se reúnem por meio da internet. Mesmo em países diferentes, eles desenvolveram o projeto, criaram os personagens e escreveram a primeira parte da obra. O projeto, com 10 páginas, foi apresentado na Comic Con em Portugal e no Brasil, ambas realizadas em dezembro de 2014.

 

Ilustrador com réplica de bacamarte herdada de avô
(Foto: Lucas Lourenço/ G1 MS)

 

A história em quadrinhos é baseada na vida e na obra do poeta português Fernando Pessoa, que morreu em 1935. Segundo Alexandre, o enredo se passa na mesma época em que ele viveu e nos mesmos lugares pelos quais ele passou. “Foram usados elementos da história real do poeta e adicionados elementos da ficção”, explicou o ilustrador.

Para ilustrar a história, Alexandre fez diversas pesquisas sobre objetos, móveis e até vestimentas usadas na época. Para desenhar o bacamarte (arma de fogo) usado pelo personagem, o ilustrador recorreu a uma réplica, herdada do avô.

Segundo os criadores, na história, o poeta assassina pessoas que sofrem de um mal. Após o crime, ele absorve a personalidade da vítima e passa a utilizar o nome dela.

Leia também:  Coluna econômica: a tecnologia social do MST

Apesar de a narrativa ser “fantasiosa”, os criadores afirmam que o objetivo do projeto é fazer as pessoas conhecerem mais da vida e da obra de Fernando Pessoa.

 

Alexandre Leoni, de 26 anos, ilustra HQ sobre poeta de Portugal (Foto: Lucas Lourenço/ G1 MS)

 

Gosto pelas HQs
Alexandre conta que herdou o gosto pelas HQs do pai. “O meu pai tinha uma grande coleção de histórias em quadrinhos”, afirma. No entanto, diferentemente do pai, que gostava de histórias de super-heróis, o ilustrador se interessava pelas histórias de mangás (HQs japonesas).

Já o interesse pelo desenho, Alexandre diz que surgiu na infância. “Era uma forma de me comunicar com as pessoas porque quando eu era pequeno, principalmente, eu era muito tímido. Então, era uma forma de as pessoas se aproximarem de mim”, relata. Ele não teve aulas e aprendeu lendo histórias em quadrinhas e assistindo desenhos na televisão.

Era uma forma de me comunicar com as pessoas porque quando eu era pequeno, principalmente, eu era muito tímido”

Alexandre Leoni

O ilustrador se formou em Artes Visuais na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Durante a faculdade, aprimorou suas técnicas de desenho e inseriu uma dose de regionalidade sul-mato-grossense em seu trabalho. “Fiz pesquisas sobre lendas indígenas. Gosto muito do tema e, nas minhas ilustrações ele transparece bastante”.

A primeira publicação de Alexandre foi a revista “Trovão Quadrinhos”, em 2009. As primeiras edições, feitas de forma artesanal e independente, foram impressas em folha sulfite e distribuídas na cidade. “A edição era toda feita por mim, as pessoas mandavam as histórias, eu fazia a diagramação, levava na gráfica, imprimia, dobrava, grampeava e distribuía”, lembra. Por causa da dificuldade de manter a criação, a impressão e a distribuição das edições, o projeto seguiu novos rumos na internet. Em 2010, tornou-se digital.

HQs no Brasil
Nesta sexta-feira (30) é comemorado o Dia Nacional da História em Quadrinhos. No Brasil, a aparição do que seria a primeira história em quadrinhos se deu há algumas décadas, no dia 30 de janeiro de 1869. A publicação era uma história seriada com personagem fixo, o Nhô Quim, criação do ítalo-brasileiro Ângelo Agostini. A data celebrou a produção nacional e a união dos artistas em um mercado promissor que vem promovendo a valorização da cultura nacional e do potencial criativo dos artistas brasileiros.

Leia também:  Manchetes dos jornais da Europa
Tatiane Queiroz

Do G1 MS

 

 

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome