Este país não é um cachimbo, por José Mendes Brandão

Magritte

Enviado por José Mendes Brandão

Virou o dia do avesso e chupou até o pau.

Vestiu a noite física e saiu por aí. Ou por lá.

A poesia é uma loucura. O real é chato paca.

A pedra vira água. E se escoa pelos dedos.

A cidade assombra. Como um rinoceronte.

Fotografaram o buraco negro. Era vermelho.

Perdi a goiaba, a manga e a esperança.

E se o bicho da goiaba me comer ontem?

Chupei uma laranja e me engasguei. Orra meu.

Olha o sorriso do filhote de cruz-credo.

Estão mangando de mim, este é um país triste.

Enche a vida até espumar. Bebe a espuma e cospe.

Tinha a magia na fronte e nenhuma poesia.

Atira e depois pergunta. Aliás, atira e dá risada.

As palavras caíram no abismo desesperadas.

A pátria tem a língua e os olhos cheios de lágrimas.

Quem descasca uma cebola tem que chorar.

Quem descasca um abacaxi também descasca um pepino?

A água não volta atrás, vira lama e corricho.

Aliás, corricho é um porco pequeno e não vê o céu.

O último a sair não apague a luz no fim do túnel.

 

 

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