Exclusivo: Nicolelis alerta para as crises política e da razão humana

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Jornal GGN – Miguel Nicolelis (55), neurocientista brasileiro responsável pela descoberta do sistema que possibilita a criação de braços robóticos controlados por sinais cerebrais, é o entrevistado desta edição do Sala de visitas com Luis Nassif.

Ele recebeu nossa equipe na sede do Projeto Andar de Novo, no bairro da Vila Madalena, em São Paulo. Durante a entrevista, que durou um pouco mais de 50 minutos, o pesquisador falou do projeto educacional que incentiva a produção científica de crianças na periferia de Natal, tocado pelo Instituto Internacional de Neurociências – Edmond e Lily Safra (IINN), avaliou o desenvolvimento no Brasil, elogiando o programa Ciências Sem Fronteiras e seu impacto na auto estima de estudantes brasileiros que encontrou em outros países, além da necessidade de uma política pública de descentralização da ciência e tecnologia no país, hoje concentrada na região Sudeste.

Num segundo momento, Nicolelis contou o início da sua carreira, nos Estados Unidos, abordou a dificuldade de desenvolver ciência no Brasil, e o importante papel do Estado na promoção de conhecimento, lembrando que o governo norte-americano investe cerca de 5% do Produto Interno Bruto anual em ciência.

O Neurocientista avaliou, ainda, a forma como a mídia nacional desvaloriza os avanços brasileiros, com destaque para a pífia cobertura do funcionamento do exoesqueleto em um paciente há dez anos paraplégico, durante a abertura da Copa do Mundo no Brasil, em 2014. “O governo japonês nos chamou para repetir a nossa demonstração nas Olimpíadas de Tóquio, já criaram um comitê para ter uma demonstração de robótica nos mesmos termos que o nosso, com todo apoio da sociedade japonesa”, rebateu.

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O pesquisador enxerga com preocupação o desmonte recente da indústria nacional, decorrente da crise política, criticando fortemente a desvalorização da Petrobras, que deveria ter seus ativos protegidos, e não vendidos, como está ocorrendo por conta dos desdobramentos da Operação Lava Jato.

Por fim, Nicolelis entrou na sua área de conhecimento, sobre o potencial intuitivo do cérebro humano, condição que jamais um computador será capaz de emular, porém ressaltou a preocupação do fenômeno de sincronização de pensamentos, por conta do uso cada vez mais constante da internet e redes sociais. Esse novo modelo de comunicação, rápido o suficiente para acompanhar o funcionamento cerebral, estaria trazendo prejuízos à capacidade de reflexão dos indivíduos, lembrando que, na obra “Understanding Media”, dos anos 1960, o teórico da comunicação, Marshall Mcluhan, já alertava para isso.

“Ele previu que os grupamentos sociais iam começar a fragmentar a sociedade, porque os grupos de interesse iam começar a se auto referenciar no momento em que houvesse um meio de mídia capaz de ser rápido o suficiente para sincronizar as pessoas na ordem da magnitude de funcionamento do cérebro”.

O cientista indicou, também, que o imperialismo norte-americano continua atuante, agora em movimentos cibernéticos, com alcance sobre vidas e mentes sem precedentes na história da humanidade.

O Instituto de Neurociência em Natal-RN 0:15
O modelo educacional do Instituto de Neurociência 04:09
Como o instituto conseguiu atrair cientistas 10:17
O impacto do Ciências Sem Fronteiras na auto estima do estudante brasileiro 12:12
Descentralização da ciência no Brasil 16:06
Carreira nos Estados Unidos 17:58
Ciência no Brasil 20:39
O exoesqueleto na Copa de 2014 25:18
Crise brasileira e o desmonte industrial 26:14
Cérebro humano e intuição 31:54
Sincronização de cérebros e a fragmentação social – Black Mirror 35:03
Imperialismo norte-americano e a vitória de Trump 42:51

2 comentários

  1. sensacional…

    e surpreendente……………………………

    como é grande o leque de conhecimentos dos dois, Nassif e Nicolelis

    Nassif, isso tem que virar amor pela ciência, cara, pois já tem tudo pra isso

    bole um jeito de através do GGn vocês criarem um grupo de fãs de ciência

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