Exclusivo: o impeachment, segundo Ideli Salvatti, por Luis Nassif

Ideli manteve-se calada este tempo todo. Seu depoimento é precioso para se colocar mais algumas peças no quebra-cabeças que poderia explicar o episódio.

Dentre todos os personagens do impeachment de Dilma Rousseff, uma das mais criticadas foi Ideli Salvatti, ex-Secretária de Relações Institucionais (SRI). A ela foram debitados – injustamente – todos os erros políticos que resultaram na ascensão de Eduardo Cunha abrindo caminho para o impeachment.

Ideli manteve-se calada este tempo todo. Seu depoimento é precioso para se colocar mais algumas peças no quebra-cabeças que poderia explicar o episódio.

O convite para assumir a SRI

Ideli estava no Ministério da Pesca quando foi convidada por Dilma para ser Secretária de Relações Institucionais, peça chave na articulação política do governo.

No Ministério, a tarefa era clara: o objetivo era desenvolver aquicultura. O convite para a SRI a surpreendeu. Mas, depois, ficaram claros os motivos.

A partir de 2005, com a eclosão do “mensalão”, Lula deixou a gestão do governo para Dilma, já Ministra-Chefe da Casa Civil, e se colocou a campo para atuar politicamente contra a tentativa de impeachment. Ideli era líder do PT no Senado enfrentando um período de amplas turbulência, com três CPIs correndo simultaneamente.

Era impossível tocar o governo sem um mínimo de articulação com Câmara, Senado, governo e partidos. Pensando nisso, Ideli sugeriu uma reunião semanal integrada pelas lideranças do PT na Câmara e Senado, Ministros da casa nos temas envolvidos e o presidente do partido. Sempre que podia, Dilma participava da reunião. Quando ausente, era informada das principais conclusões.

Provavelmente foi essa iniciativa que inspirou Dilma a convidá-la para assumir a SRI.

A crise se desenhando

Ideli chegou nas SRI em junho de 2011, com um cenário bastante complicado pela frente.

O líder do governo era Romero Jucá; o líder do PT era Cândido Vacarezza. Seu desafio era fazer uma articulação institucional com líderes de direito, mas uma enorme articulação com líderes de fato, aqueles que tinham compromisso de encaminhar os projetos sob a ótica do governo.

A primeira análise que Ideli levou a Dilma foi s situação do Senado. A bancada do PDMB era controlada pelo grupo José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá de forma incontestável até 2010. Naquele ano foram eleitos senadores pelo PMDB que não seguiam religiosamente a cartilha. Era o caso de Eunício de Oliveira,  Ricardo Ferraço, Eduardo Braga, Robert Requião, Luiz Henrique, Garibaldi Alves.

Em uma bancada de 20 do PMDB, 9 poderiam articular com outro grupo e eleger uma  presidência do Senado não alinhada com o governo.

Ideli levou o mapa paa Dilma e o alerta:

– Se esse grupo se deslocar para outras composições, perderemos a governabilidade no Senado.

Com a concordância de Dilma, foi articulada a troca de Jucá por Eduardo Braga na liderança do governo. O latifúndio Renan-Sarney-Jucá foi dividido com a nova turma do PMDB. Dilma aproveitou para retirar Vacarezza da liderança na Câmara. Ali, segundo Ideli, ela entrou na linha de fogo de Jucá e Vacarezza.

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Segundo Ideli, o movimento foi de vital importância. Sem ele, além de perder a Câmara nos dois últimos anos, teriam perdido também o Senado.

A perda na liderança na Câmara

O episódio central da crise, segundo Ideli, ocorreu na liderança do PMDB em 2013. Havia acordo de dois anos para presidência do PT e dois do PMDB, na figura de Henrique Alves.

O capítulo inicial do impeachment, segundo ela, foi a eleição de Eduardo Cunha, em 2013, para a liderança do PMDB. Foi eleição muito disputa, que foi para o 2º turno e terminou com vitória apertada de Cunha sobre o deputado Sandro Mabel.

– Meu erro político foi não ter tido capacidade de convencer politicamente a Dilma de que precisávamos ter feito alguma coisa para impedir a eleição do Eduardo Cunha para liderança do PMDB, diz Ideli.

Dilma tinha posição clara de não interferir nas questões internas dos partidos. Mas a operação no Senado fora eficiente, com articulação política correta. Era um bom precedente para se tentar o mesmo na Câmara. Mas não conseguiu convencer Dilma.

Em 2013 e 2014, MDB tinha a maior bancada. Com presidência da Câmara e liderança do Eduardo Cunha, todos os projetos que envolviam recursos, interesses econômicos, a relatoria era indicação de Cunha. Até poderia não ser um parlamentar do PMDB relator, mas sob influência do Eduardo Cunha e  Henrique Alves

Em 2013, a primeira eleição de Cunha foi disputadíssima e o governo teria condições de interferir. A eleição de 2014 foi por aclamação. Já estava em pleno funcionamento o sistema Cunha. Inteligentíssimo, trabalhador, segundo Ideli, Cunha tinha um sistema de compensação e punição extremamente eficiente. Dava a palavra, cumpria em qualquer hipótese. Mas se alguém não honrasse os compromissos, não tinha perdão: era retirado da comissão, perdia direito de voto.  Quando se candidatou à presidência da Câmara, tinha mais de 200 deputados financiados por ele.

Os erros sequenciais

Todo o processo do impeachment começou em 2013, com essa eleição de Cunha para a liderança do PMDB na Câmara. Ideli não interferiu em nada, impedida por Dilma. Mas suas tentativas de convencer Dilma se espalharam e ela entrou também na mira de Eduardo Cunha. E ela acabou ganhando a fama de má articuladora, apesar de ter sido a Ministra que ficou mais tempo à frente da SRI.

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As grandes cabeçadas finais não tiveram sua participação. Ela foi substituída por Ricardo Berzoini. As reuniões semanais foram desativadas. E, nesse quadro, ocorreu o segundo grande desastre político, a candidatura de Arlindo Chinaglia para a presidência da Câmara, disputando com Eduardo Cunha. Apesar de ter ficado os últimos 3 anos à frente da SRI, Ideli não foi consultada. Se fosse, mostraria o mapa com os 200 nomes da bancada de Cunha. Não havia nenhuma possibilidade de vitória de Chinaglia.

Os erros prosseguiram. Em 2015, Dilma tirou da SRI o último presidente, Pepe Vargas, e entregou a articulação política para Michel Temer que imediatamente colocou Eliseu Padilha, o blindadíssimo Padilha, o homem que faltou no tribunal de Nuremberg, para a articulação política. E ele contou com o apoio decisivo da área econômica do governo.

A história política de Dilma não é de atividade de massa, de mesa de negociação, nem em termos sindicais, nem no legislativo, diz Ideli. Nunca vivenciou isso. Sua experiência foi muito influenciada pela célula A, que não conversa com Célula B.

– Eu brincava que as vezes participava de governo clandestino. Não podia conversar. Tudo tinha uma articulação que não sabíamos. Eu juntava de vez em quando com a Gleize (Hoffman) para poder conversar e tentar entender.

Dilma se fechava para todos os alertas.

– Em matéria econômica, ela dizia: Ideli, você articula, mas não se meta nas negociações. Em termos econômicos, é a Fazenda que comanda. Tudo bem. Mas eu dizia para ela: não era o Mantega que vinha para negociação, era o Dyogo (Oliveira). Depois do golpe virou Ministro do Planejamento de Temer.

A atuação de Dyogo era escancarada, diz Ideli. Alertou várias vezes foi a Dilma com exemplos concretos. Como da vez em que Eduardo Cunha quis mexer no Conselhão do FGTS. Ideli mostrou para Dilma a redação do decreto, devidamente ajambrada por Dyogo. Foi em vão.

– Ninguém vira Ministro depois de um golpe, sem bons serviços prestados, constata ela.

Padilha ganhou de bandeja todo o mapeamento de cargos federais nas esferas federal e dos estados. Foi a grande arma política para a tacada final, do impeachment.

Na SRI Ideli buscava manter Dilma informada sobre tudo. Era questão de princípio ético e fidelidade. Era Ministra de Dilma. Dada a determinação, ela seguia.

Mas também procurava manter Lula informado sobre o que acontecia. Muitas vezes foi chamada para conversar no Instituto Lula.

Os alertas finais

Quando terminaram as eleições de 2014, preparou um relatório para Dilma, para Rui Falcão, presidente do PT e para Lula, com avaliação muito clara de que a eleição não terminara no 2º turno. O 3º turno começara no dia seguinte. Mostrou que não havia mais reuniões de articulação, em um momento em que haveria enorme disputa para a presidência da Câmara e do Senado. O governo não poderia tirar férias depois da vitória. Foi em vão. Houve paralisia total em novembro e dezembro.

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Tem razão. Em meados de 2015 em um evento caseiro, Luiz Dulci admitiu que o governo só se deu conta do 3º turno naqueles dias.

Depois da sair da SRI, Ideli assumiu a Secretaria de Direitos Humanos.

Em abril de 2015 preparou um relatório, apenas para Dilma, mostrando que o grande embate era o petróleo. E a sugestão.

–  Você é a autora da Lei da Partilha com destinação para educação e saúde. Já tem dinheiro, é mínimo, mas já tem para ser destinado. Chame governadores, prefeitos e chame organizações de professores e de estudantes do Brasil inteiro. Faça um pacto para discutir a destinação do dinheiro.

Não podia haver isolamento. Tinha que haver ofensiva e estratégia para fora da bolha, em assuntos estratégicos. Se tem setor organizado, com capilaridade, presente em todos os municípios, é educação e saúde. Era abrir mesa de negociação.

Não teve nem resposta. Como não houve abertura para revitalização dos fóruns de empresários, de movimentos sociais, de conselhos de participação, do Conselhão.

Pouco antes de sair, Ideli deu sua última contribuição, o Humaniza Rede. Já tinha constatado o uso exaustivo das redes sociais para discursos de ódio. O programa visava uma ação institucional de atuação nas redes sociais, com o objetivo de disseminar direitos, combater preconceitos, incentivar denúncias contra mensagens de racismo, homofobia, misoginia.

Foi construída uma plataforma para unificar as ações. Foi tão compreendido pela direita, que, no dia do lançamento o site do Humaniza Rede foi derrubado 4 vezes.

– Tínhamos trabalho articulado com telefones de denúncia do 180, das mulheres e do racismo. Havia articulação jurídica, com Facebook, Google, Twitter para aproveitar regras de plataforma para retirar conteúdos. Tínhamos feito canal especial de prioridades, em conjunto com o Ministério da Educação.

Com a saída de Ideli, a equipe foi desmontada e não foi dado continuidade.

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19 comentários

  1. Dilma errou muito, e muito mesmo, em particular no pós 2013. Mas fazer dela única culpada por uma situação que é muito mais fruto dos acertos do outro lado que dos erros que tivemos é forçar a barra das má-vontades que Nassif cultiva, historicamente, com todo cuidado e carinho.

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    • Ela não foi a única culpada, mas sendo alguém que estava NO CENTRO dos acontecimentos ele tinha o DEVER de agir. Preferiu fazer de conta que se esconder e evitar qualquer contato magicamente faria com que todos entendessem como ela era gente boa.

      Deu várias, muitas provas de honestidade. E, com essa postura, inadvertidamente (apesar de frequentemente avisada) colaborou em muito para essa DESTRUIÇÃO que vivemos.

      • Sim e não. Aquilo que denominamos de movimentos sociais não deram a resposta devida ao momento político. Dilma foi reeleita em 2014 apesar de seu governo tortuoso. Foi reeleita por uma mobilização política que alterou uma derrota anunciada para uma vitória por estrondosos 3%. Sim, estrondosos, visto que Macri venceu com 1,5% de diferença em 2015 e Lacalle ganha agora no Uruguai por menos de 1%. Dilma enfrentou o terceiro turno no TSE, contra Gilmar, e isso se arrastou no dde 2014 e durante 2015. Em todas essas questões faltou a ação das ruas, faltou o compromisso dos que deviam defender o regime democrático nas ruas. Independentemente da inércia da cúpula petista de Rui Falcão e da CUT, de um presidente que nem o nome se recorda. A militância assistiu, pasmada, à sucessão de fatos. A mobilização de 18 de março de 2016 não teve continuidade. Há um fato interessante: governadores petistas ou do campo progressista nada fizeram para mobilizar suas populações, como fizeram os governadores em 1983-84 na defesa das diretas ou da eleição de Tancredo. Não houve um Leonel Brizola redivivo. Haddad até hoje prefere, conforme o público a que se dirige, não falar em golpe. Ciro, não há comentários a respeito de suas ações. Por fim: os votos somados de PDT e PSB, se totais, impediriam a admissibilidade do processo na Câmara. A defesa do regime democrático não pode depender isoladamente da ação de uma só pessoa, por mais importante que esta seja em um dado momento histórico. Fazer de Dilma a geni da vez é livrar de tantos outros (incluindo os que preferiram o facebook/twiter/instagram) sua omissão/inação/ação a respeito do golpe.

  2. A ascensão do Eduardo Cunha e a formação do “blocao” atende a movimentação que já vinha de 2012, quando foi lançado o “todos contra o PT, PT, PT”.

    Nada, nada a toa foi o ano em que os funcionários ladroes da Petrobras (Roberto Costa, Barusco…) foram demitidos, os juros chegaram aos níveis mais baixos, e a infra estrutura estava contratada. Foi ali que a tese do PT, PT, PT ‘hegemonico'” incendiou de vez em todos os salões.

    2013 já começou com colar de tomate, grupelhos montados em gabinetes e internet, etc, etc. E o resto é história…

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  3. Sempre digo e repito: Dilma, a mais honesta e incompetente presidente da história do Brasil. Era uma excelente administradora pública, mas sem o menor trato e paciência com questões políticas e de negociações. Parece que, depois que se re-elegeu, achou que tinha o cargo garantido e mandou as favas essas chatices nojentas de negociar politicagem com os corruptos do congresso. E também é sabido que sempre foi uma déspota como administradora, que tratava na patada seus subordinados e detestava opiniões contrárias às suas. Deu no que deu.

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  4. Ja disse muitas vezes e repetirei até morrer: a esquerda em geral e os de bom coração em particular ainda hão de compreender o DESASTRE FERROVIÁRIO que foi a administração Dilma. O autismo político intencional não criou o golpismo nacional e internacional sobre nosso país, mas os golpistas não poderiam desejar adversário mais favorável que a honesta e extremamente incompetente Dilma Roussef.

    A “coração valente” não quis assim, mas nos vendeu MUITO BARATO. O Brasil era um jogador (secundário, ok) no cenário mundial, hj é mero palco de operações do embate China x EUA (vide o 5G).

    Enfim, alguém pode negar Maquiavel, mas não pode fugir dele. Ou a esquerda aprende isso ou eternamente ficará restrita a dar verniz de legitimidade ao eterno feudalismo brasileiro.

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  5. A História, felizmente, não é escrita a quente, mas a frio, muito frio. É só o começo. Aos poucos, o quebra-cabeça vai sendo montado. Os livros do Renato Janine, Rodrigo Janot, a biografia não autorizada do Eduardo Cunha (obrigatória), agora a Ideli. Tem mais. Espero viver mais 15 anos, pelo menos, para ver e ler. Agora, o Nelson Jobim precisa falar, ele que saiu chamando a Ideli de “fraquinha”.

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  6. o massacre golpista, através do infame conluio pig/parte do judiciário/lava jato(DJOs,2013, MENSALÃO e o escambau), foi tão massacrante, que é difícil qualquer análise objetivA desse período.

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  7. Ler as explicações de Ideli Salvatti é como rever no retrovisor cenas que se passaram ha tão pouco tempo, mas que ja são poeira. Eh como se saber num pesadelo e não poder mudar absolutamente o curso dos acontecimentos. Eh inacreditavel tamanhas ingenuidade e arrogância… E foi um tempo de intensa militância nas redes sociais e de esperança. Lembro de Nelson Jobim criticando algumas escolhas de Dilma para seu ministério e, hoje com a distância, obvio que ele criticava a propria Dilma. Fica a lição para o PT.

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  8. Eu admiro muito a Dilma. Ela, diferente de muitos machões, teve a coragem e o desprendimento de colocar sua vida em risco durante a ditadura. No meu ela merece um estátua que sibolizaria a bravura da mulher brasileira. É um exemplo para quem sabe o significado real da palavra patriotismo. Isso posto, não posso negar que sua administração foi desastrosa e que com grande auxílio de Lula, uma ala do PT e da, denominada por Claudio Lembo, “minoria branca nojenta” acabou por lançar o país nos braços de um dos mais asquerosos boçais nascidos nesse nosso triste país.

  9. Sempre há ódio nos corações e bocas, quando se faz alguma referência desabonadora à gestão da presidente Dilma Roussef. Para os apoiadores, mulher, competentíssima, honestíssima, defrenestada em um golpe político. Para os céticos, autoritária, centralizadora, cega aos avisos e orientações, colheu os resultados da sua falta de tato. Para os opositores, pior ainda, ignorante, confusa, destruidora da economia do país. Sem ir ao mar ou ao terra, sou no mínimo cético. Há coisas que jamais enguli de Dilma, como o autoritarismo, que presenciei. Recordo a brutal morosidade do projeto de privatização dos portos porque em tudo ela dava pitaco. Quem via, parecia a maior especialista em infra estrutura marítima que a terra produziu. Por fim, pariu um rato. O estelionato eleitoral que promoveu ao chamar Joaquim Lévy, sempre é convenientemente esquecido, mas ela tão logo reeleita, iniciou um programa neoliberal. Atônita, a população não digeriu bem a mudança. O que se falar então quando iniciou a divulgação da corrupção e incompetência (supostas) na gestão da Petrobrás? pirou! e como já havia feito antes, ao melhor estilo rainha de copas, demitiu de diretores a auxiliares. Mas não conseguiu demonstrar a lisura da gestão. Caiu porque sempre foi insensível. Pediu penico à Lula quando estava prestes a perder a reeleição, que saiu em campanha. Nunca reconheceu seus erros e ela levou Lula à prisão, na medida que tudo fez para desmoralizar o partido e a gestão anterior. Ela será esquecida, se tiver sorte, ou relembrada como aquela que pôs tudo a perder. Nós agora o sabemos. Ela quem abriu as portas do inferno para estas criaturas que assolam o país.

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  10. Duas questões para reflexão dos intelectualmente honestos:
    (1) Como Eduardo Cunha conseguiu recursos para “comprar” 200 deputados ?
    (2) Por que Lula ignorou a reconhecida incapacidade política de Dilma ?

    • Meu palpite para a (2) é que até Lula caiu no trololó da “pós-política”, da “Era dos gerentes”, etc, achando que bastaria uma pessoa honestíssima para tocar o barco.

      A quem diz que ele queria alguém fraco para ser o sucessor, respondo que a) o barba já sabia que Dilma era intratável e b) se assim quisesse, bastava em 2014 Lula dar um espirro que a candidatura se abriria para ele como o Mar Vermelho para Moisés, mas preferiu ficar na dele.

      • “…bastava em 2014 Lula dar um espirro que a candidatura se abriria para ele como o Mar Vermelho para Moisés, mas preferiu ficar na dele.”

        Não foi bem assim, não mesmo, o fato é que Dilma não desocupou a moita de jeito nenhum. A reportagem abaixo, na Piauí de Outubro/2014, conta tudo. Na época, o PT em peso desmentiu/contestou, chamando a matéria de falsa/fantasiosa para baixo. Mas a História se escreve a frio, tem de esperar decantar. E a verdade flutua.

        https://piaui.folha.uol.com.br/materia/a-afilhada-rebelde/

        EDIÇÃO 97 | OUTUBRO_2014
        anais da política
        A AFILHADA REBELDE
        O estilo, as ideias, as decisões e a ambígua relação de Dilma com Lula
        DANIELA PINHEIRO

        Durante um jantar com um empresário, a ex-primeira dama Marisa Letícia e os filhos de Lula atacaram Dilma: “Ingrata, traidora, falsa.” O “Volta, Lula” começou na casa do ex-presidente

    • Parreira, vou tentar responder pra vc, mas antes vou ali preparar um Campari triplo:

      1) Livro: Deus tenha misericórdia dessa nação. A biografia não autorizada de Eduardo cunha
      autores: Aloy Jupiara e Chico Otávio – Capítulo 16 – A escalada. páginas 198/199 (resumido e editado)

      “Em 2017, o empresário Joesley Batista (J&F/Friboi), afirmou em sua delação que, em 2014, antecipou R$ 30 milhões para Cunha comprar apoio de deputados a sua candidatura à presidência da Câmara. Cunha pagou por votos que o elegeram. Foi repassado por Ricardo Saud, executivo da J&F. Segundo Joesley, os R$ 30 milhões fora entregues a título de antecipação por futuros atos ilícitos, referindo-se ao monte como SALDO DEVEDOR (grifo meu).
      – Foi 30 [milhões]. Nós demos 30. foi pago 10 mihões com nota fria de fornecedores diversos (…) Pelo que entendi, ele saiu comprando deputado. Ele saiu comprando um monte de deputado Brasil afora. Para isso que serviam esses 30 milhões. Então, um bocado de nota fria foi apresentada por esses deputados; Teve dinheiro em espécie entregue direto a ele [Cunha]. 5,6 milhões foi doação oficial ao PMDB, estava no finalzinho da campanha eleitoral de 2014 (…) Isso está na planilha. Foi onde o saldo ficou devedor – disse Joesley. ”

      2) Entrei no BB em 1975, em Ponta Porã (MS), cidade fronteiriça com Pedro Juan Caballero, Paraguai. Agência grande, de alta complexidade e perigosa. Tinha uma movimentada CACEX (exportação/importação/câmbio). A direção do BB cometeu um erro monumental ao nomear para o comando dessa bagaça funcionários de primeira investidura, completamente despreparados para o tamanho do desafio. Resumindo (muito), porque daria um livro. Em 1977, o gerente foi transferido às pressas e saiu da cidade, junto com o caminhão de mudança, escoltado pela Polícia Federal até Campo Grande. No comando da Cacex, deu-se o mesmo, com a diferença que mancomunaram-se com bandidos locais (Fawd – Fuad – Jamil Georges, entre outros) e um dia de 1978, a escalada do Jornal Nacional abre com a manchete: Fraude na Cacex de Ponta Porã, com direito a imagens da TV Morena. 4 demitidos, 2 da chefia da Cacex, e 2 fiscais de embarque. O mesmo se deu na Receita Federal, uma quadrilha havia se instalado. Fraude (importações frias), e evasão de divisas, entre outros crimes.

      Pergunta: como foi possível o BB errar tanto na nomeação de funcionários para uma agênia com aquele perfil? Resposta: Porque a única informação de que o BB dispunha sobre aqueles funcionários era uma mísera foto 3X4, e defasada. Nada mais. Não havia superintendências regionais, nada disso, a distância entre a direção do banco e os funcionários era abissal, de modo que as nomeações eram praticamente no escuro, baseadas, no máximo, no tempo de serviço, o que não era nem o caso.

      O que tudo isso tem a ver com a sua pergunta de número 2? Em 2010, dispúnhamos tão somente de uma foto 3X4 para orientar nosso voto. Não houve um colegiado para decidir, foi a decisão de apenas uma única pessoa, que ignorou todos os sinais evidentes: primeira investidura, despreparo, altíssima complexidad do cargo, a tradição de instabilidade institucional dos países da América Latina (O Brasil não fica no norte da Europa), etc.
      Em 2014, para impedir que o país caísse nas mãos de um dependente químico, insistimos no voto às cegas, àquela altura nem um pouco às cegas.

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  11. Dilma foi de uma incompetência política, nunca antes visto neste País.
    Há, mas têm os pilantras. Sim, tem. Mas estes sabem articular.
    Dilma foi arrogante e incompetente ao mesmo tempo. Fui eleitor do PT desde 1989, mas a Dilma foi uma tragédia. Traição na política existente desde os tempos do Império Romano.
    E outra, a atuação do Ministro da justiça no golpe da Dilma, foi outra tragédia, ou melhor o carimbo final da incompetência.
    Por isso existe os políticos com habilidade e os sem habilidade. E tem os incompetentes.

  12. Com os fatores: STF segurando o Cunha, moro e o DoJ, fake-news com tecnologia dos “homes”, etc, a Ideli não teve importância nenhuma.
    Não adianta querer culpar a Dilma. Ela foi derrubada na marra e seria de qualquer jeito. Ela ganhou deles todos com o aécio na eleição do final de 14. Golpe internacional, meu caro.
    E olhe o que aconteceu em toda a América Latina. Ou a Ideli faria alguma diferença?

  13. Bem…a lógica é mais ou menos essa:

    Conhecemos o fim da história…o golpe(olhe que Nassif…pelamordedeus Nassif…já chama de impeachment).

    Aí vamos construindo narrativas e alternativas com a certeza que o resultado seria outro…(isto é: se Dilma não fosse Dilma não haveria golpe).

    Ou pior…seria sempre igual se mantida a cadeia de eventos que criticamos…

    O nome dessa corruptela comum a tribo de jornalistas é vício teleológico.

    Arf…

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  14. A unica coisa que sensibilizou Dilma durante toda a crise que levou ao seu impeachment eram ataques a sua honra pessoal. Ela so reagiu a isto o resto… tocou o famoso F…

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