Existe a possibilidade de um centro no Brasil?

Muitas pessoas denominam forças reformistas que simplesmente pregam a compatibilização do capital como trabalho de forma racional e republicana como centro. Porém o que diferencia de um centro reformista, racional e republicano do fascismo? Somente a truculência, a existência de um líder e de um partido único.

 

O desenvolvimento das nações colonialistas no passado, e o imperialismo do pós-guerra é que firmaram a concepção da existência de um centro. Este centro, dominado por partidos burgueses em que seus representantes advindos desta mesma classe, conseguiram manter o aumento de qualidade de vida de seus trabalhadores até o esgotamento da capacidade de transferência maciça de renda do terceiro mundo para a metrópole, criar a ideia da possível existência de um centro.

 

Este centro dominando a máquina pública, judiciário, legislativo e executivo, permitiu como foco principal o crescimento do capitalismo e, como subproduto, a melhoria relativa de vida das classes trabalhadoras no primeiro mundo. Porém a melhoria desta classe trabalhadora, pela própria imposição do sistema capitalista deve ser relativa, pois se esta melhoria ultrapassar a melhoria das oligarquias o poder pode mudar de mãos.

 

Governos como o de Getúlio Vargas, em determinados períodos, Juscelino Kubitschek, Jango, Lula e Dilma podem ser caracterizados como governos de centro, ou seja, promovem um desenvolvimento no país e uma pequena parcela deste desenvolvimento é transferido ao operariado em lato senso. A grande semelhança aos governos ditos de direita é que o poder real (exceto em determinados períodos do governo Getúlio) ficaram nas mãos da Oligarquia.

 

Tanto na Europa como nos Estados Unidos, devido ao sistema imperialista/colonialista vigente, a capacidade de transferência de riquezas foi bem maior e mais alongada no tempo, entretanto quando tantos problemas intrínsecos ao capitalismo e a impossibilidade de pilhar recursos naturais e produtos primários por mais tempo, mostraram o esgotamento das políticas centristas.

 

Com o esgotamento acima referido, os países centrais perdem a capacidade de transferir riquezas, principalmente pelos problemas inerentes a concentração capitalista, com isto cria-se o dilema da existência do centro nas metrópoles, caindo esta geralmente para um sistema fascista que regulará dentro do possível a transferência de renda aos mais pobres. O sistema fascista é necessário, pois nos ciclos de baixa simplesmente a contestação das classes trabalhadoras será reprimidae  a transferência de renda para a Oligarquia, sem a contrapartida a população em geral, será feita sem a possibilidade de contestação.

 

O que são chamados os elementos radicais de centro, não são nada mais do que neofascistas e/ou futuros fascistas que sabendo da incapacidade de transferir rendas aos mais necessitados, sabem perfeitamente que este ciclo se esgotou, e qualquer política impropriamente denominada de populista, que tentar continuar a transferência de renda gerará uma insatisfação das Oligarquias que perderão além de dinheiro, o mais importante, o poder.

 

Em países periféricos só é possível existir um centro em situações econômicas globais excepcionais onde o país consiga manter um ingresso positivo de capitais.

 

A transferência de renda pode ser feita tanto em períodos ditos “democráticos” como períodos autoritários, vejam alguns períodos do governo Vargas e alguns períodos da ditadura militar. A negação deste princípio é feita por algumas pessoas de esquerda, que num processo mental de simplificação da situação econômica internacional, não aceitam que durante um curto período dos 21 anos de governo militar foi possível uma transferência de renda as camadas mais pobres da população. E o mais importante, estes períodos de transferência não precisam necessariamente coincidir com os períodos em que a ditadura estava mais branda.

 

O que diferencia um governo real de esquerda de um governo mais ao centro é a transferência contínua e incondicional a situação externa da transferência de renda das camadas superiores para a população em geral. A própria transferência incondicional de renda em situações desfavoráveis de mercado, necessariamente se darão se houver uma perda real de poder das oligarquias, pois esta perda de poder será combatida republicanamente pelos órgãos de Estado como judiciário e legislativo.

 

Como anteriormente descrito o poder destas instituições estão claramente nas mãos das Oligarquias, o poder destas Oligarquia fica a cada dia mais evidentes pelos fatos mostrados sem a mínima vergonha pelos irmãos Joesley e pelo antigo diretor da Norberto Odebrecht, onde fica claro quem manda no congresso nacional. Por outro lado o comportamento indecente do judiciário nacional, mais partidário do que os próprios partidos de direita, mostram claramente a impossibilidade de uma política de partição de renda sem que haja uma transferência real do poder as classes operárias.

 

Os últimos parágrafos mostram que o impropriamente chamado centro brasileiro, sabe perfeitamente que sem o saque do dinheiro do trabalhador, a situação não se equilibrará na direção das Oligarquias e querendo ou não quaisquer pessoas que deseje pousar de redistribuidor de riquezas necessariamente terá que enfiar as mãos nos bolsos da Oligarquia, e isto só será possível com a perda do poder da mesma.

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