Falha de Guedes é ignorar debate sobre desigualdade, diz economista

Em entrevista, Claudio Ferraz ressalta que políticas e ações adotadas pelo governo de Jair Bolsonaro acabam por enfraquecer a democracia

Claudio Ferraz, economista e professor da PUC-Rio e da Universidade de British Columbia, no Canadá. Foto: Reprodução/Amanda Dutra – Jornal da PUC

Jornal GGN – O Brasil vive um momento de voo às cegas, com o governo de Jair Bolsonaro adotando políticas com base em achismos, contrariando a ciência e todas as evidências empíricas. A atual gestão acaba por comprometer a democracia aos poucos, em cada ataque à imprensa, às minorias, a cada manipulação de dados e a cada recusa de prestação de contas.

A avaliação foi feita pelo economista e professor da PUC-Rio Claudio Ferraz. Morando atualmente no Canadá, onde leciona na Universidade de British Columbia, Ferraz deu uma entrevista ao jornal El Pais e não se mostra muito otimista com os desdobramentos do atual governo brasileiro.

“Não acho que estamos em um momento em que você possa acordar e achar que a democracia não sofre perigo nem probabilidade sofrer algo mais drástico”, pontua. “A democracia vai se enfraquecendo devagar, com pequenos desvios, usurpação de poder, com quebras institucionais, que, muitas vezes, você não consegue nem perceber. Em um ano de poder de Bolsonaro há vários quesitos em que isso está acontecendo”.

Denominando-se de centro-esquerda, Ferraz acredita que a visão atual do exterior sobre o Brasil é que o país é governado por um “presidente autoritário com políticas esdrúxulas”, o que afasta investidores em um momento em que a economia mostra lentos sinais de recuperação.

Embora acredite que parte do discurso da equipe econômica esteja na direção certa, Ferraz diz que o grande erro da pasta comandada por Paulo Guedes é a falta de discussão sobre a desigualdade no país – o que vai de encontro com as recentes declarações do ministro, que tanto chamou servidores públicos de “parasitas” como falou das viagens das empregadas domésticas ao exterior.

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