Falta de recursos e ataques afetam Lagoa do Sino, da UFSCar, por Marilene Felinto

Campus da UFSCar que abriga universidade era fazenda do escritor Raduan Nassar, diz escritora em artigo para a Folha de São Paulo

Jornal GGN – Do bloqueio de recursos à ameaça de privatização, os ataques sofridos pelo campus Lagoa do Sino da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), em Buri, a 224 km da cidade de São Paulo estão entre aqueles que mais revoltam, diz a escritora e tradutora Marilene Felinto em artigo publicado no jornal Folha de São Paulo.

Lagoa do Sino era nome da fazenda do escritor Raduan Nassar, doada por ele à UFSCar em 2011, embora o aceite da doação tenha efetivamente ocorrido em 2010, durante o governo do ex-presidente Lula.

A doação de Raduan à universidade incluiu não só a área para as construções, mas todas as instalações de uma fazenda de grãos altamente produtiva e parte de seus equipamentos, como tratores, colheitadeiras e silos de armazenagem. Desde 2014, o campus oferece cursos de graduação em administração, ciências biológicas, engenharia agronômica, engenharia ambiental e engenharia de alimentos.

Contudo, a universidade tem sofrido uma série de ataques, como explica Marilene. “Logo em 2017, a atual reitoria da UFSCar, eleita em 2016 (para um mandato de quatro anos), alegou não dispor de verbas para manter o pacto assinado na escritura de doação, que estabelecia 25 mil m² de construção de edificações no campus. Raduan se viu, então, obrigado a aceitar uma repactuação que reduziu pela metade (12.500 m²) a área de construções”.

O campus Lagoa do Sino também teve o conselho gestor da fazenda extinto em maio de 2018 e, segundo Marilene, a reitora da universidade, Wanda Hoffmann, foi a público em agosto de 2019 divulgar seu apoio ao projeto Future-se, que propõe a criação de um fundo de recursos privados para financiamento das universidades federais e a ingerência de OSs (Organizações Sociais particulares) na gestão financeira, administrativa e pedagógica dessas instituições. A comunidade acadêmica da UFSCar afirmou não ter sido consultada.

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Na visão da escritora e tradutora, a universidade brasileira precisa menos de rankings de eficiência e mais do espírito público dos doadores desinteressados, além de uma política educacional que busca, segundo Marilena Chauí, “a liberdade, a fraternidade, a igualdade, a justiça, a felicidade individual e coletiva”.

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