Febraban confirma: calote era “conto”

Alguns leitores talvez se lembrem que a gente escreveu aqui sobre o “conto do calote”, com que se passava a impressão de que a inadimplência no crédito avançava e forma galopante no Brasil.

O jornal O Globo chegava falar em “bomba do crédito”, há menos de um mês, veja lá:

Os balanços dos maiores bancos privados do país no primeiro semestre mostram que, após uma sequência de quedas em 2010, a inadimplência voltou a subir este ano e já bate na casa dos R$65 bilhões, um recorde histórico. Segundo especialistas, a bomba de crédito é resultado do encarecimento dos empréstimos e da alta da inflação, que come renda do assalariado.”(…)

Para os três maiores bancos privados, a alta da inadimplência no primeiro semestre custou R$17,8 bilhões –valor descontado do lucro das instituições para engrossar as provisões contra o calote.

Perdoem a repetição, mas é inevitável, para que o leitor possa ter ideia dos absurdos que se diz nos nossos jornais, criando uma falsa expectativa nas pessoas.

Compare o texto com o boletim oficial da Federação dos Bancos, divulgado hoje:

A Inadimplência subiu em Pessoa Física (…), de 6,4% para 6,6%, mas os atrasos (de 15 a 90 dias), importante indicador antecedente, ficaram estáveis em 6,3%, pelo terceiro mês, e vindo do pico de 6,7% em março. Em Pessoa Jurídica, na amostra restrita, a inadimplência ficou estável em 3,8% e os atrasos passaram de 2,1% para 2,2%. Apesar disso, no caso de PJ, a alta dos atrasos e da inadimplência é bem menor no ano. No Sistema Financeiro Nacional como um todo, incluindo-se as operações de crédito direcionado e outras modalidades de operações com recursos livres, a inadimplência geral subiu marginalmente de 3,4% para 3,5% e as operações enquadradas nos risco D a G passaram de 3% para 3,1%. O volume de provisões, contudo, segue em 5,6% da carteira total do sistema(…)”

Você pode ver no gráfico que as provisões – que são os recursos que os bancos separam para se prevenir de devedores inadimplentes e não terem problemas – está bem acima do que estava na crise de 2008, faz tempo, o que aumenta sua estabilidade.

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Que outro nome, então, pode ter uma “onda” como essa, senão catastrofismo? Os bancos, no Brasil, ao contrário dos seus congêneres europeus, vão muito bem, obrigado. Não há crescimento da inadimplência e os empréstimos, ainda que a taxas altas, têm tido cada vez um perfil mais longo, o que é saudável para suas finanças.

O que não é saudável para o país, isto sim, é a continuidade de uma política de juros altos, que já nos fez pagar, este ano, quase R$ 30 bilhões por nossa dívida pública: R$ 138,5 bi, frente a R$ 109,2 bi no mesmo período de 2010.

Por: Fernando Brito

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