FFLCH repudia uso de espaços da USP para realização do São Paulo Boat Show 2020, em plena pandemia

Além de acordos de capital que não beneficiam a instituição, o grupo também se manifestou contra a realização do evento em meio a pandemia da Covid-19, que coloca funcionários e alunos em risco

A raia olímpica da Universidade de São Paulo. | Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Jornal GGN – A Congregação da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da
Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) emitiu nota de repúdio contra a São Paulo Boat Show 2020, em curso de 19 a 24 de novembro, na raia olímpica do campus do Butantã. Além de acordos de capital que não beneficiam a instituição, o grupo também se manifestou contra a realização do evento, considerado o maior salão náutico da América Latina, em meio à pandemia da Covid-19.

De acordo com o Jornal da USP o Centro de Práticas Esportivas (Cepê) e a raia olímpica foram cedidos pela Universidade e o valor da arrecadado com cessão será utilizado para melhorias no local. “O valor da cessão inclui aluguel da raia (R$ 90 mil), melhorias na estrutura (balizamentos e troca de cabeamento), a doação de um barco de 18 pés, avaliado em R$ 70 mil, e 50% da renda do estacionamento do evento destinada ao Cepê, que, somados, chegam a R$ 400 mil”, especificou a reportagem.

No entanto, a FFLCH afirmou que “são muito eloquentes as palavras “cedido”, “cessão” e “doação” atreladas aos aproximadamente 560 mil reais que a USP receberá por 6 dias que renderão, estima-se, 260 milhões aos empresários envolvidos“. Além disso o grupo ressalta que o estacionamento do evento serão as ruas do campus: “espaço público da cidade não só universitária, mas de São Paulo”.

Em nota, a FFLCH ainda destacou a situação do Cepê e que nada ganhará Universidade com evento. “Quem frequenta sabe bem a quantas andam a manutenção e as melhorias dos equipamentos. Quanto aos ‘cofres da Universidade’, além de eles resultarem dos impostos pagos por milhões de cidadãos paulistas, a contabilidade de quanto custa anualmente cada prédio, docente, funcionária(o), estudante e gramado deve explicitar os inegáveis e imensuráveis benefícios produzidos nas frentes do ensino, pesquisa e extensão às custas de uma mão-de-obra altamente qualificada, cujos salários estão arrochados há anos e que, desde março, tem mantido a USP em funcionamento graças ao trabalho desenvolvido com recursos domésticos”.

A Congregação também se manifestou contra a divulgação do Boat Show em vídeos promocionais postados no Youtube, Facebook e em redes sociais de revistas e empresas náuticas, além da realização do evento em meio a pandemia da Covid-19. “Não bastasse tal risco, inclusive para funcionários(as) e estudantes da USP que possam estar no campus (o Conjunto Residencial, CRUSP, se situa em frente à raia), bem como o fato disso ser omitido nos vídeos promocionais, um evento empresarial dessa natureza perverte o papel pedagógico-político que uma universidade pública tem o dever de exercer de forma contínua e especialmente aguda durante uma pandemia”.

“A Congregação repudia a maneira como decisões dessa envergadura são tomadas à
revelia de uma democrática e ampla consulta às instâncias representativas da comunidade
uspiana, assim como o negacionismo da pandemia e a intransparência das “cessões” e
“doações” mencionadas que, espera, sejam devidamente apuradas”, completou a FFLCH.

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1 comentário

  1. Nassif, a questão é um tanto mais grave. A negociação para o evento foi feito pela reitoria, pela secretaria de turismo do estado de São Paulo no mês de julho. mês que corresponde 1/3 dos casos de Covid até então e desde o início da pandemia.
    Veja em https://www.adusp.org.br/index.php/defesauniv/3919-boatshow.
    Há um video de protesto dos alunos que são moradores do Crusp, que denunciam a precariedade da moradia estudantil durante o evento na raia. O que chama a atenção é o contingente policial utilizado para um evento privado e as denúncias de aglomeração sem utilização de máscaras, https://www.youtube.com/watch?v=ijb7x4ijpfM.
    Sinceramente, não houve a devida repercussão do evento por parte dos órgãos de imprensa. Até mesmo o sindicato de funcionários e a associação de professores, apesar das reportagens e manifestações de rechaço ao evento, não avançaram mais sobre o problema.

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