Filho de Luiz Fux advoga para financiadores de Flávio Bolsonaro

A empresários, próximo presidente do STF fez discurso com tom político e pró-agenda bolsonarista

Foto: Carlos Moura/SCO STF

da Carta Capital 

Filho de Luiz Fux advoga para financiadores de Flávio Bolsonaro

por André Barrocal 

Em abril de 2016, Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), falou com o procurador Deltan Dallagnol e prometeu apoio à Operação Lava Jato. “In Fux we trust”, comemorou na época o então juiz Sérgio Moro, em mensagem a Dallagnol. Chefe do hoje ministro da Justiça, Jair Bolsonaro pode dizer o mesmo que Moro daquele que assumirá o comando do STF em setembro de 2020.

Em palestra a investidores e analistas do mercado financeiro em 5 de julho, Fux defendeu a agenda econômica do governo como se fosse um militante bolsonarista, não alguém que poderá ter de julgar ações judiciais contra essa agenda. Reformas da Previdência e tributária, mais mudanças nas leis trabalhistas e privatizações foram ideias que professou diante da plateia patronal.

Um setor patronal financiador da eleição ao Senado de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o primogênito do presidente, está na lista de clientes do advogado Rodrigo Fux, um dos filhos do juiz do STF. Rodrigo é advogado do Conselho Nacional de Praticagem (Conapra), que defende os práticos, categoria que é uma espécie de guia para navio “estacionar” em portos.

Na eleição de 2018, vários dirigentes de empresas ou entidades de praticagem doaram dinheiro para Flávio. Gustavo Martins, presidente do Conapra, deu 10 mil reais. Idem Evandro Simas Abi Saab, da Praticagem da Barra, e Dhyogo Henryque Scholz dos Santos, da Baía do Marajó Serviços de Praticagem. Moacyr Antonio Moreira Bezerra, da Federação dos Práticos, deu 55 mil reais.

Há no Superior Tribunal de Justiça (STJ) uma ação de interesse do setor, movida por empresas contratantes de praticagem que acham que pagam preços abusivos. Essa ação pode um dia chegar ao STF, para julgamento por Fux e os outros dez juízes.

“É possível que alguns temas da reforma da Previdência tenham sua constitucionalidade submetida ao julgamento perante a Corte máxima do país. Isso revela que não se deve assumir publicamente compromissos com uma reforma de tal porte.” Palavras da Associação dos Juízes Federais (Ajufe), em nota no fim de maio, a criticar a intenção do atual presidente do STF, Dias Toffoli, de selar um pacto com Bolsonaro e o Congresso, até hoje não assinado, do qual a reforma fazia parte.

Fux, o sucesso de Toffoli, não quer nem saber. Já tem opinião formada a respeito da reforma. “Ela tem de passar”, afirmou no discurso a investidores, um evento promovido pela XP Investimentos. “As pessoas têm que ter amor ao Brasil, amor à coisa pública, não fazer oposição que seja prejudicial ao País.” 

Sobre mexer nos impostos, Fux disse: “Tributos não podem derrotar as empresas”. Bolsonaro acha um inferno ser patrão no Brasil, devido a custos com impostos e funcionários. Fux bateu nas leis trabalhistas também.

Para o juiz, a agenda bolsonarista levará o País ao paraíso. “O Brasil vai crescer muito depois das privatizações, das reformas, da abertura do mercado de gás, dessa junção Mercosul-União Europeia.”

O futuro presidente do STF é judeu, outro tema a aproximá-lo de Bolsonaro. Seu filho Rodrigo é diretor jurídico da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj). É dele uma ação movida pela entidade contra um chargista do jornal carioca O Dia. Motivo da ação: Aroeira desenhou Bolsonaro e o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, de braços dados em formato da suástica nazista.

No discurso aos empresários em 5 de julho, Fux garantiu que a Lava Jato continuará. “E essa palavra não é só de um brasileiro que ama o Brasil. Essa palavra é de quem no ano que vem assume a presidência do Supremo Tribunal Federal. Os senhores podem me cobrar.”
O governo está certo: “In Fux we trust”.

10 comentários

  1. Sem conversa mole ou dura,mas me permitam perguntar:Como se indica um sujeito como Luiz Fux para ser Ministro do Supremo Tribunal Federal.Por favor,me respondam.Não é admissível que um Governo de um País de 200 milhões de habitantes não tenha seus mecanismos de controle para detectar os podres e a periculosidade de um elemento como este.Ora,ele não se descaracterizou da noite para o dia.O pau que nasce torto,até a cinza é torta,reza a lenda.É inacreditável,inaceitável,intolerável um negócio deste.PQP.

  2. “O estado é laico, mas nós somos cristãos”. – Bolsobosta, ao justificar a indicação de alguém terrivelmente cristão ao $TF

    L’etat c’esr moi

  3. eles confiam e nós só levamos na cabeça.
    e gente assim ainda continua
    solta por aí a dizer bobagem…

  4. Poucas vezes vi Lula errar num julgamento, mas sobre taxar o STF de acovardado ele errou. A corte simplesmente não existe, é só um braço submisso deste governo que ama os ricos, que dissemina o ódio, que apequena o pais e despreza seu povo.

  5. Meu Deus! Será que NINGUÉM no planeta pode nos ajudar? Não existe uma lei que possa afastar estes animais do poder? Como é possível este cara fazer parte e ainda vir a ser presidente da corte máxima de um País, sendo garoto propaganda dos negócios de interesse próprio e da quadrilha no comando da nação? Estamos órfãos e à deriva.

  6. A autocrítica do Lula, Dilma e PT deveria ser as escolhas e indicações à PGR e ao Supremo de figuras como Rodrigo Janot, Edson Fachin, Roberto Barroso, Carmen Lucia, Fux e por último o Toffoli. São todos elitistas fdp. Os nomeados por Sarney (Celso de Mello), pelo Collor (Marco Aurelio) e até pelo FHC (Gilmar Mendes) são muito mais imparciais e garantistas da CF. Morei no exterior por 22 anos e jamais vi um juiz de suprema corte de nenhum país desenvolvido participar de seminário, congresso, jantar, o que fosse, com qualquer entidade de classe de empresário ou trabalhador. Aliás só no Brasil militar dá palpite em política e procurador faz críticas à decisões de juizes da suprema corte.

    • No Brazil atual, militares no poder ou nao fazem vista grossa a entrega das riquezas naturais a nações estrangeiras, a seu dirigente máximo reverenciar suas bandeiras e vereador – seu filho carlos – demitir ministros e se imiscuir em assuntos de alçada política superior à sua…

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